Formação de Profissionais de TICs no Brasil: uma questão de quantidade ou de qualidade?

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A preocupação com a formação de profissionais de tecnologias de informação e comunicação - TICs é uma questão central para qualquer economia que pretenda ser competitiva no século 21. Muito embora esta seja uma questão que diz muito respeito às entidades relacionadas com Educação, ela se tornou importante demais, social e economicamente, para ser tratada unicamente por essas entidades.

Neste espírito, entidades representativas da indústria brasileira de software e serviços – IBSS já despertaram sua atenção para a questão. Em 2005, por solicitação do CATI (Comitê Assessor do Fundo Setorial de Tecnologia da Informação), a Sociedade SOFTEX se encarregou de elaborar um plano de ação capaz de detalhar as etapas e as estratégias necessárias para indicar o que e como fazer para formar profissionais e professores doutores e mestres no período de 2006 a 2012.O resultado deste trabalho foi a elaboração, em 2006, do documento intitulado “Programa de Formação de Capital Humano em Software - FCHS”.

Por circunstâncias que não cabe discutir neste limitado espaço, infelizmente o Programa proposto não foi avante. Passados 5 (cinco) anos após a apresentação do FCHS, a mesma Sociedade SOFTEX promoveu um workshop (http://www.softex.br/_eventos/workshop_capacitacao.asp), intitulado “Formação & Capacitação de Mão de Obra para Indústria Brasileira de Software e Serviços”, encontro realizado em Brasília, no dia 08 de dezembro de 2010, com apoio da Secretaria de Política de Informática do MCT (SEPIN/MCT). A proposta do encontro foi facilitar uma reflexão conjunta sobre esse tema entre conselheiros, executivos, empresários, e colaboradores da SOFTEX, incluindo seus agentes regionais, consultores especializados, empresários brasileiros e representantes do governo e da área acadêmica.

O documento de referência do workshop, intitulado “Formação e Capacitação para a Indústria Brasileira de Software e Serviços de TI- IBSS”, produzido pelo Observatório SOFTEX, unidade de estudos e pesquisas desta sociedade, apoia-se na crença deste Observatório de que a “falta de profissionais de TI irá de acentuar no decorrer dos anos”. E baseando-se nos seus indicadores, o Observatório projetou o déficit de mão-de-obra considerando cenários diversos.

Desta forma, levando-se em conta o Cenário Esperado, ou seja, aquele mais próximo ao que se acredita que ocorrerá, haverá um déficit, em 2013, de cerca de 140 (cento de quarenta) mil profissionais. Esse déficit pode ser ainda maior se a IBSS se reorientar mais do que o esperado para a área de serviços. Neste caso, aponta o Observatório, o déficit em 2013, seria de 200 (duzentos) mil profissionais. Em sentido contrário, em um cenário orientado a produtos, o déficit cairia para 80 (oitenta) mil profissionais.

O documento, por sua vez, faz uma análise de 3 (três) temas centrais, subdivididos em vários tópicos: a) O Mercado de Trabalho para Profissionais de TI; c) O mercado de Formação de Profissionais de TI; e, c) As Políticas Públicas e Macro Indicadores Econômicos. Finalmente, o seminário que utilizou este documento foi composto de 4 (quatro) painéis específicos: a) Painel “A Dimensão do Desafio”; b) Painel “Ensino Superior; Curso e Currículos”, e, c) “Painel Ensino Médio/Técnico: Celeiro de programadores; e, d) Painel “Propostas Inovadoras”.

A conclusão geral que se pode extrair tanto do documento de referência deste workshop quanto dos painéis, é a de que mantidas as taxas de crescimento observadas para o período de 2003 e 2008 (período de abrangência das análises do documento), a quantidade de egressos dos cursos de graduação em Computação e Informática no Brasil provavelmente seria suficiente para atender às necessidades do setor. Ou seja, o problema da escassez de profissionais da área no Brasil, segundo o documento, parece ser mais um de qualidade do que de quantidade.

Neste sentido, cabe aqui levantar a seguinte pergunta: se o investimento em formação de capital humano em TICs é uma questão mais de qualidade do que de quantidade, qual é hoje, então, a estratégia de investimento que as empresas de TICs no Brasil podem, e devem, adotar de modo a obter as taxas de retorno mais atrativas para seus negócios?

Eis aí uma pergunta que deixaremos para os nossos leitores!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre formação de profissionais de TICs, sinta-se a vontade para nos contatar!

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