Uma Teoria Sobre o Crescimento das Startups (Empresas Nascentes)

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Apesar de hoje muito se falar em startups (empresas nascentes), principalmente as de base tecnológica (e, de modo especial, as baseadas em tecnologias de informação e comunicação- TICs), pouco ainda se sabe sobre o que efetivamente determina o crescimento inicial das empresas. A maior parte dos trabalhos sobre empresas (marcadamente nas literaturas econômica, administrativa, e de contabilidade) assume uma organização já existente com operações estabelecidas, ou lida com dados agregados ao nível da indústria.

E foi pensando neste estado de coisas que a economista Elizabeth Garnsey, Professora da Universidade de Cambridge, na Inglaterra, desenvolveu um trabalho que culminou no artigo intitulado “A Theory of the Early Growth of the Firm” (Uma Teoria do Crescimento Inicial da Empresa), publicado na revista Industrial and Corporate Change, Volume 7, Issue 3, pp 523-556, em 1998 (este artigo pode ser baixado aqui).

O ponto de partida da Profa. Garnsey é o livro “Theory of the Growth of the Firm” (Teoria do Crescimento da Empresa), um clássico da literatura econômica que foi escrito e publicado pela Profa. Edith Penrose em 1959. A conceitualização da empresa da Profa. Penrose ganhou amplo reconhecimento e se tornou a base do resource-based approach of the firm (enfoque recente da empresa baseado nos seus recursos), bastante citado na literatura de administração de negócios.

No entanto, como apontado pela Profa. Garnsey, a Profa. Penrose estava preocupada com o crescimento de empresas já existentes e não com a nova empresa. Apesar disto, a Profa. Garnsey considerou que o enfoque da Profa. Penrose pode ser usado como um ponto de partida para a análise do crescimento inicial das novas empresas.

A Profa. Penrose definiu a empresa como uma unidade administrativa com fronteiras. Ela enfatizou as atividades internas distintivas que acontecem no seio das empresas; seus membros trabalhando juntos ao longo do tempo, combinando recursos de modos específicos e edificando a competência específica da empresa. Segundo ela, os serviços produtivos tornam possível pegar oportunidades produtivas através do uso distintivo dos recursos da empresa, incluindo suas tecnologias. Deste modo, a capacidade de resolver problemas, ou competência, rende serviços produtivos. Ou seja, a atividade da empresa é organizada e sustentada como um resultado da capacidade de mobilizar, empregar, converter e trocar recursos.

A posição da empresa depende da natureza de suas interações com jogadores chave no seu ambiente: consumidores, distribuidores, fornecedores, fundadores e competidores. Estes ofertam os insumos da empresa, e compram ou têm precedência nos seus produtos. À medida que os membros da empresa aprendem a resolver problemas e, assim, adquirem competência, eles desenvolvem os ativos da empresa: ativos tangíveis, tais como equipamentos produtivos e prédios, e ativos intangíveis, tais como expertise e reputação. Como nenhuma medida de crescimento é adequada, os ativos são usados aqui como um indicador composto de crescimento.

A partir destas e de outras importantes considerações da Profa. Penrose, a Profa. Garnsey inicia a explicitação de sua teoria, baseada em fases de crescimento da empresa. Segundo ela, uma sequência de problemas deve ser resolvida se a empresa deseja tomar forma e gerar recursos. As atividades que são críticas para superar estes problemas definem as fases mais prematuras, apesar de existirem certas sobreposições e, frequentemente, falsos inícios e regressão.

Logo, as empresas devem acessar, mobilizar e empregar recursos antes que elas possam gerar recursos para crescer; é da natureza destes processos que eles sejam considerados sequencialmente. Fases subsequentes – em que o reforço do crescimento e forças reversoras do crescimento podem surgir – podem resultar em acumulação à medida que a empresa se move em direção à maturidade. Estas últimas fases não são universais, mas são estabelecidas em movimento em uma importante minoria das empresas, as maiores criadoras de empregos, como uma consequência do crescimento. Os críticos problemas que a empresa enfrenta além das fases iniciais são variadas e não sequenciais.

No modelo proposto pela Profa. Garnsey, as fases iniciais de uma empresa são entendidas como manifestações de problemas críticos que se apresentam à medida que a empresa cresce. Eles refletem a necessidade de se construir a competência para atacar estes problemas chave se a empresa pretende sobreviver e obter sucesso.

A Figura 1 à frente (produzida pela Profa. Garnsey) mostra os passos do crescimento sustentado alcançado por uma empresa de sucesso e também passos alternativos que mais comumente são seguidos. Em seu artigo a Profa. Garnsey descreve cada uma das fases apontadas na Figura 1.Esta Figura ganha nova configuração (Figura 2 à frente, também desenvolvida pela Profa. Garnsey) quando se ilustra possíveis trajetórias nos primeiros anos de uma empresa. Tais trajetórias são sujeitas às conjunturas comuns na economia como um todo, que oferecem condições mais ou menos propícias, afetando o desempenho agregado da empresa.

Em resumo, eis aqui, de forma bastante resumida, uma teoria que pode ajudar enormemente aqueles que desejarem tentar entender o que está por trás do sucesso (e insucesso) de empresas statups. Outras teorias estão emergindo, e certamente com elas teremos mais condições de ajudar a aumentar a taxa de sucesso de nossas empresas emergentes, principalmente as de base tecnológica.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre as teorias de crescimento de empresas startups, fique a vontade para nos contatar!

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