Como a Identidade (o senso de si próprio) afeta os resultados econômicos

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A Economia é uma Ciência em constante evolução.  No século 20 começou a abraçar diversas contribuições de outras áreas do conhecimento, e cresceu em escopo e em densidade.  Mais recentemente, depois que inúmeros pesquisadores da Psicologia, da Sociologia, da Ciência Política, da Antropologia e da História abraçaram o conceito de Identidade (o senso de uma pessoa sobre ela mesma), chegou a vez da Economia incorporar este conceito ao seu mainstream (corrente principal).

Através do trabalho competente do Prof. George Akerlof, Professor da Universidade da Califórnia, em Berkeley, nos EUA, Prêmio Nobel de Economia de 2001, e de sua colaboradora Rachel Kranton, Professora da Duke University, também nos EUA, agora é possível demonstrar como a identidade influencia os resultados econômicos. Nestes termos, temos agora a Identity Economics, isto é, a Economia da Identidade.

A Economia da Identidade captura a ideia de que nós fazemos escolhas econômicas baseadas tanto nos incentivos monetários (como nos ensinaram durante anos os manuais de economia) quanto na nossa identidade: ou seja, se mantivermos os incentivos monetários constantes, nós evitamos tomar ações que conflitem com o conceito de nós mesmos.

Os fundamentos da Economia da Identidade foram formulados pela primeira vez pelos Profs. Akerlof e Kranton no artigo intitulado “Economics and Identity”, publicado em The Quarterly Journal of Economics, Vol. CXV, Issue3, August, 2000, e estendido no artigo intitulado “Identity and the Economics of Organizations”, que os mesmos autores publicaram no Journal of Economic Perspectives, Volume 19, Number 1, Pages 9–32, Winter 2005. E, finalmente, em 2010, estes mesmos autores publicaram o livro “Identity Economics”, pela Princeton University Press, já traduzido para o português com o título “Economia da Identidade”, pela Campus/Elsevier.

Segundo os autores, seu principal objetivo foi introduzir a identidade – o senso de uma pessoa sobre si própria (ou sua personalidade) na análise econômica. Identidade pode dar conta de muitos fenômenos que a atual Economia não pode explicar.  Ela pode confortavelmente resolver, por exemplo, problemas tais como conflitos étnicos e raciais, discriminação, disputas de trabalho intratáveis, políticas separatistas, que convidam a análise baseada em identidade.

Neste espírito, os autores incorporaram identidade em um modelo geral de comportamento e, então, demonstraram como a identidade influencia os resultados econômicos.  Segundo eles, o conceito de identidade expande a análise econômica por pelo menos quatro razões:

- Primeiramente, a identidade pode explicar o comportamento que aparenta ser detrimental.  As pessoas se comportam de determinadas maneiras que seriam consideradas mal adaptativas ou mesmo auto-destrutivas por aqueles com outras identidades.  A razão para este comportamento pode ser para reforçar um senso ou para recuperar uma imagem própria diminuída;

- Em segundo lugar, a identidade está subjacente a um novo tipo de externalidade.  As ações de uma pessoa podem ter significado para, e evocar respostas, em outras pessoas.  O gênero pode ser um exemplo.  Um vestido é um símbolo feminino.  Se um homem usa um vestido, isto pode ameaçar a identidade de outros homens. Há uma externalidade, e outras externalidades podem resultar se estes homens reagem de determinada forma;

- Em terceiro lugar, a identidade revela um novo modo como preferências podem ser mudadas.  Noções de identidade evolvem no seio da sociedade e alguns na sociedade têm incentivos para manipulá-la.  Exemplos óbvios ocorrem em propaganda.  Há muitos outros casos, incluindo políticas públicas, onde mudanças nas categorias sociais e associadas prescrições afetam os resultados econômicos;

- Finalmente, pelo fato da identidade ser fundamental para o comportamento, a escolha da identidade pode ser a mais importante decisão “econômica” que as pessoas façam.  Indivíduos podem – mais ou menos conscientemente – escolher quem eles desejam ser.  Limites nesta escolha podem também ser o mais importante determinante do bem-estar econômico de um indivíduo.  Análises econômicas anteriores de, por exemplo, pobreza, oferta de trabalho, e escolarização, não consideraram estas possibilidades.

Em resumo, ao incorporar a identidade como uma das bases das escolhas econômicas das pessoas, ao lado dos incentivos monetários, a Economia tem muito a crescer dando respostas mais objetivas a problemas até então pouco entendidos.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a Economia da Identidade, fique a vontade para nos contatar!

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