Apple e a Nova Economia

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Na segunda metade dos anos 90, do século e milênio passados, muitos tomaram conhecimento do termo “Nova Economia”. Era o tempo do“boom” da Internet e das empresas que com ela surgiram, as empresas dot.com (ponto.com). Depois do “estouro da bolha” das empresas ponto.com, o termo praticamente sumiu do mapa.

O que queremos afirmar nesta newsletter é que a Nova Economia surgiu talvez um pouco antes, e foi, de modo mais visível, através de empresas inovadoras como a Microsoft (fundada em 1975), Apple (fundada em 1976), e Oracle (fundada em 1977), só para nominar três das principais (e seus principais fundadores/empreendedores, como Bill Gates, Steve Jobs, e Larry Ellison).

Estas empresas mudaram nossa forma de lidar com o mundo: como aprendemos, como trabalhamos e como nos entretemos. São empresas que adicionaram enorme valor à economia mundial (a valorização de suas ações na bolsa de valores é da ordem de 10.000% e mais, desde 1985 e 1990), criaram novas oportunidades de trabalho, e possibilitaram transformações econômicas antes pouco imaginadas.

Na semana passada tivemos a notícia de que o fundador da Apple, Steve Jobs, anunciou seu afastamento da liderança da empresa que criou, o que foi assunto em toda mídia internacional, já que Jobs transformou a sua empresa naquela empresa de tecnologia de maior sucesso econômico mundial e um ícone de grande pacto cultural.

Talvez aqui não seja o espaço para reiterar as evidências da genialidade da obra do Steve Jobs, já que muito foi dito e comentado na mídia mundial na semana passada. Mas certamente podemos citar um aspecto do seu legado que seja o mais representativo do que realmente entendemos por Nova Economia.

E neste sentido, podemos dizer que através de um produto em particular, o iPhone, Steve Jobs e sua Apple demonstraram para o mundo a ideia de que a tecnologia, de fato, contribui para o abaixamento dos custos de produção dos produtos e serviços numa escala planetária, com ganhos extraordinários para o consumidor final, já que este pode obter tal produto (de fantásticos múltiplos usos) a um preço final antes impensável.

E para que se observe este incrível fenômeno, basta que se atente para a operação planetária de produzir o iPhone, olhando para a composição dos seus custos de produção (e correspondente estrutura organizacional de produção), como aponta a Figura 1 a seguir (como as letras e números estão muito reduzidos, sugerimos uma visita ao site-fonte: http://holykaw.alltop.com/what-does-each-iphone-component-cost-infograp?tu4=1). A figura também apresenta a fatia do mercado global detida pela Apple no segmento de smartphones.

Como pode ser observado na figura indicada, a um preço médio de venda US$ 560.00, o iPhone4 tem uma estrutura dos custos de seus componentes (produzidos em diferentes empresas em diferentes países do mundo) da ordem de US$ 178.00. Considerando a composição do custo da principal “montadora” destes componentes (que é a empresa chinesa Foxconn) como sendo de US$ 7.00 por produto, e que sua margem de ganho é de também US$ 7.00 por produto, a diferença (de US$ 368.00) é apropriada pela Apple, a idealizadora do produto e de toda a operação planetária de produzi-lo. Neste sentido, US$ 185.00 são o custo total da operação global de produção e montagem (US$ 178.00 dos componentes + US$ 7.00 da Foxconn) do iPhone, o que representam 33% do preço final do produto.

Dos US$ 368.00 apropriados pela Apple se imagina que uma fração seja paga para recuperação dos seus custos de pesquisa e desenvolvimento, bem como pagamento de algumas licenças de tecnologia e de outros custos como marketing e vendas, mas que a margem apropriada pela Apple seja significativa. Levando-se em consideração que ela já vendeu mais de 100 milhões de unidades de iPhones desde 2005 (ou seja, sem considerar as vendas dos seus demais produtos), não é por acaso que ela se tornou uma das maiores empresas do planeta

No limite, o montante apropriado pela Apple é um excelente indicador de que nesta Nova Economia globalizada, as fases de pesquisa e desenvolvimento (P&D), bem como aquelas de marketing e vendas, representam o grosso do valor agregado aos produtos, e que a parte de manufatura e montagem, hoje “deslocalizada” industrialmente no mundo, representa a parte de menor valor adicionado (para aqueles interessados em detalhes sobre o iPhone, indicamos o site http://en.wikipedia.org/wiki/IPhone).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre o que é, de fato, a estrutura e a dinâmica Nova Economia, fique a vontade para nos contatar!


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