Google compra Motorola Mobility: é o jogo da verticalização!

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Neste último dia 15/08/2011 Google Inc. anunciou sua compra da Motorola Mobility (um dos braços da Motorola Inc., sendo o outro a Motorola Systems) por US$ 12,5 bilhões em dinheiro. Como este acordo é de fundamental importância para a compreensão da atual dinâmica da indústria de tecnologias de informação e comunicação - TICs, não poderíamos perder a oportunidade para tecer alguns comentários.

Afinal, qual parece ter sido a principal razão para Google comprar a Motorola Mobilty? Uma das razões mais apontadas durante a semana que passou foi a de que a coleção de patentes da Motorola foi o foco do negócio. Como Google tem menos patentes em tecnologia móvel do que alguns dos principais competidores, a aquisição de 17.000 patentes da Motorola no mundo todo, e mais 7.500 pedidos em andamento, proporcionaria ao Google mais munição para se defender de processos.

Em post publicado no dia do anúncio da compra (ver blog do Google), Larry Page, ChiefExecutive Officer- CEO do Google, afirmou: “Nossa aquisição da Motorola vai aumentar a competição com o fortalecimento do portfólio de patentes do Google, o que nos capacitará para proteger melhor o Android contra ameaças anticompetitivas da Microsoft, Apple e outras empresas”.

Com esta afirmação, Larry Page faz uma forte defesa do Android. Afinal, como ele próprio atestou, desde novembro de 2007 o sistema operacional Android não somente aumentou a escolha do consumidor, mas também melhorou a experiência móvel para os usuários. Hoje, mais de 150 milhões de dispositivos Android foram ativados no mundo – com mais de 550 mil dispositivos sendo ativados a cada dia – através de uma rede de 39 fabricantes, 231 companhias telefônicas em 123 países.

Neste sentido, controlar o grande portfólio da Motorola pareceu ser a munição necessária na atual batalha entre as plataformas móveis. O crescimento do Android, de fato, aconteceu como um furacão. Sua fatia de mercado está se aproximando a marca dos 50%, como apontou recentemente a revista The Economist (ver gráfico à frente).  

Apesar destes aspectos, na opinião da Creativante uma das fortes razões para esta compra parece residir mais na atual tendência de verticalização das plataformas móveis. E isso não é novidade na indústria da computação. Na era dominada pelos computadores “mainframe”, ou de grande porte, integrados, havia uma quase verticalização plena, fundamentalmente de players como a IBM. Depois veio o computador pessoal- PC, que passou, em oposição à era dos mainframes, a ser fabricado sob um modelo horizontal, com diferentes empresas fornecendo os circuitos integrados, peças e sistemas operacionais.

Foi a Apple, com seu iPhone – e agora com o iPad, que re-estabeleceu a tendência da verticalização dos processos. E ela foi mais longe, como assinalou o jornalista Richard Waters, do Financial Times, ao estabelecer até sua própria rede de lojas de varejo e, por meio da AppStore, encurralou os serviços que levam vida a seus aparelhos. O jornalista também recuperou outro fato recente nesta direção, com a aquisição da Sun Microsystems pela Oracle, em 2010. Ou seja, combinar tudo em uma única “caixa” agora é visto como forma de aumentar a participação do fornecedor de tecnologia no orçamento de tecnologia da informação do cliente.

A questão central agora para Google é a de como assegurar o controle de sua “pretendida” vertical. E para que se observe como a manutenção de uma vertical é algo complexo, basta que se atente para o que está acontecendo com a da Apple. Com todas as ações legais e sua tentativa de manter a Samsung (e seu tablet) fora da Europa, a Apple continua a buscar maneiras de se distanciar de seus competidores.

A Apple já está tentando se afastar da Samsung, empresa que a ajudou a fabricar os seus chips A4 e A5 (usado no iPad2). Ao assumir o controle do design de seu chip, a Apple está trabalhando com a sua terceira geração de chips, o chip A6, em parceria com a TSMC, de Taiwan. O A6, de acordo com especialistas do mercado, pensado para entrar no mercado em 2012, estaria na base da fusão do sistema operacional iOS do iPhone e iPad com o Mac OS.

Em resumo, a tendência que se mostra visível em direção à verticalização não é tão simples quanto parece. Mas, novos lances estão para ocorrer neste excitante jogo na indústria das TICs!

Para aqueles interessados nas questões econômicas relacionadas com a verticalização, indicamos um artigo que o editor desta newsletter publicou em 1998, como resultado da orientação da dissertação de mestrado em Economia da sua co-autora (clique aqui para baixar o artigo).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a atual tendência de verticalização na indústria mundial de TICs, fique a vontade para nos contatar!

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