Uma visão econômica das Arquiteturas Empresariais em Sistemas de Informação

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Há exatos 24 anos surgia no mundo um novo campo nos modernos Sistemas de Informação (*), e ele passou a se chamar “Enterprise Architecture” (Arquitetura Empresarial). Este campo inicialmente atacou dois problemas: a) Complexidade dos Sistemas – as organizações estavam gastando mais e mais dinheiro nos sistemas de TI tecnologia de informação; e, b) Pobre alinhamento dos negócios: as organizações estavam cada vez mais encontrando dificuldade em alinhar aqueles custosos sistemas de TI com as necessidades dos negócios.

Passado quase um quarto de século, os problemas são praticamente os mesmos. As grandes organizações ainda enfrentam o mesmo cenário: mais custo e menos valor, situação que está chegando a um ponto crítico (constatação observada em http://en.wikipedia.org/wiki/Enterprise_architecture): o custo e complexidade dos sistemas de TI têm aumentado exponencialmente, enquanto as chances de extração de valor real destes sistemas caíram dramaticamente.

Muitas metodologias de Arquitetura Empresarial surgiram e desapareceram nestes anos.De acordo com Roger Sessions (Chief Technology Officer - CTO do Object Watch, ver http://msdn.microsoft.com/en-us/library/bb466232.aspx), talvez 90% do campo usem uma destas quatro metodologias:

O objetivo desta newsletter (e de outras que a seguirão) é o de apontar que, apesar de economicamente relevantes, e de cumprirem um papel primordial, qual seja, o de tentarem ser “uma descrição rigorosa da estrutura de uma empresa, que compreende os componentes da mesma (business entities- entidades do negócio), bem como as propriedades visíveis externamente destes componentes, e as relações (ex., o comportamento) entre eles”(definição esta encontrada em http://en.wikipedia.org/wiki/Enterprise_architecture), tais metodologias ainda carecem de uma compreensão mais aprofundada de vários aspectos da dimensão microeconômica da constituição de uma empresa.Em outras palavras, elas ainda não capturam bem a realessência da natureza da empresa, porque a empresa surge, como se organiza internamente, como estabelece relações externas, quais são seus limites, e quais são os determinantes do seu crescimento, estagnação ou extinção.

Para dar conta deste argumento, vamos nos valer de um quadro conceitual definido no que hoje os economistas denominam como a Organizational Economics - Economia Organizacional. Este novo campo da Economia tem como preocupação central a relação entre, de um lado, a estrutura organizacional e os sistemas de compensação, e, de outro lado, a inovação, a gestão dos fluxos de informação, os custos de agência, e a eficiência em geral.

O Prof. Richard Posner em recente artigo (**) define os conceitos básicos da Economia Organizacional contrastando dois métodos de organizar a produção (uma tradição que foi inaugurada em 1937, pelo Prof. Ronald Coase, Prêmio Nobel de Economia de 1981). No primeiro método, o empreendedor deve contratar com uma pessoa a oferta de partes componentes de um processo produtivo, com outra para montá-los, e com uma terceira para vender o produto acabado. No segundo, ele os contrataria para desempenhar estas tarefas como seus empregados sob sua direção. O primeiro método de organizar a produção é o tradicional domínio do mercado na economia e do contrato legal perante a lei; o segundo é aquele da empresa na economia e da relação jurídica de empregador-empregado perante a lei.

A Economia Organizacional lida, então, com as principais questões relacionadas aos métodos de organizar a produção econômica.   Sem aprofundar mais sobre estas definições, trazemos (a seguir) ao leitor uma figura esquemática (Figura 1), produzida em 2009 pelo Prof. Robert Gibbons, do Massachusetts Institute of Technology - MIT, nos EUA, que ilustra bem o campo de atuação da Economia Organizacional. Na figura são apresentadas três dimensões econômicas: a) as questões relacionadas com aspectos no interior das firmas (empresas); b) as questões que dizem respeito às relações entre as empresas; e, c) as questões que vão além das empresas, ou seja, as questões de Estados, Agências, e Governabilidade.

Nas próximas newsletters avançaremos um pouco mais nesta temática, relacionando-a com as Arquiteturas Empresarias.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre Arquiteturas Empresariais sob a ótica da Economia organizacional, fique a vontade para nos contatar!

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(*) Este campo surgiu a partir da publicação do seguinte artigo: Zachman, J.A. "A Framework for Information Systems Architecture." IBM Systems Journal, Volume 26, Number 3, 1987.

(**) Posner, Richard A. “From the new institutional economics to organizational economics: with applications to corporate governance, government agencies, and legal institutions.” Journal of Institutional Economics, 6: 1, 1-37, 2010.

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