Economic Success = (High-Tech) + (Medium-High-Tech) + (Low-Tech)

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Em meados dos anos 1980, a OCDE- Organização para Cooperação Econômica e Desenvolvimento (www.oecd.org) inventou uma classificação econômica que teve uma carreira espetacular – o conceito de indústrias high-technology (alta-tecnologia) e low-technology (baixa-tecnologia). Esta taxonomia foi baseada na intensidade de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) destas indústrias, correspondendo à taxa dos gastos em P&D em relação ao produto final. Indústrias com uma taxa de P&D/Faturamento de mais de 4% eram classificadas de alta-tecnologia. Aquelas entre 1 e 4% eram de média-tecnologia, e aquelas de menos de 1% eram de baixa tecnologia. Este esquema se tornou amplamente utilizado nos negócios, em discussões de políticas públicas e em análise econômica.

Foi com esta constatação que o Prof. Hartmut Hirsch-Kreinsen (da Faculdade de Ciências Econômica e Sociais da University of Dortmund, na Alemanha) e seus colegas de trabalho iniciaram um artigo, intitulado “Low-Tech Industries and the Knowledge Economy: State of the Art and Research Challenges (Indústrias de Baixa-Tecnologia e a Economia do Conhecimento: Estado da Arte e Desafios de Pesquisa)” (em agosto de 2003), onde endereçaram um problema central para a análise econômica e para a política pública na Europa à época: deve a Europa focar nas então chamadas indústrias de alta-tecnologia, ou baseadas em ciência, em sua tentativa de resolver os problemas de crescimento e emprego? Ou, ela deve olhar para as perspectivas de crescimento no seio das indústrias em que a economia europeia era, na realidade, baseada: indústrias de baixa-tecnologia e de média-tecnologia (que eles chamaram LMT - Lowand Medium Technology, e que nós chamaremos BMT- Baixa e Média Tecnologia) na indústria de transformação e nos serviços? Estas questões foram o foco de um projeto de pesquisa apresentado à Comissão Europeia, chamado PILOT- Policy and Innovation in Low-Tech (ver www.pilot-project.org).

Segundo o Prof. Kreinsen, havia muitos que argumentavam que as indústrias high-tech eram os pilares da nova economia. Eles argumentavam que a Europa deveria focar em atividades intensivas em conhecimento em áreas de fronteira, tais como TICs- tecnologias de informação e comunicação, biotecnologia e serviços profissionais. Uma queixa relacionada era que indústrias maduras, tradicionais, ou indústrias BMT eram prováveis de migrar para países menos desenvolvidos.

Neste sentido, o Prof. Kreinsen e seus colegas passaram a proclamar que estas perspectivas eram seriamente enganosas. Tomadas em conjunto, as atividades BMTs perfaziam algo como 97% de toda atividade econômica da Europa. Todas as economias da Europa são especializadas comercialmente em produtos BMT. Segundo eles, todas as indústrias BMT são inovadoras – elas geram significativa proporção de suas vendas a partir e novos e tecnologicamente alterados produtos. Muitas indústrias BMT e produtos estão sobrevivendo e crescendo com base em upgrade tecnológico, altas capacidades de projetos e intensiva aplicação de conhecimento para inovação. Elas têm formas únicas de organização industrial e criação de conhecimento, têm complexos elos com a infraestrutura de conhecimento científico e tecnológico, e importantes dimensões regionais.

Sendo assim, o projeto PILOT focou na criação e uso de conhecimento em indústrias BMT. Em 2003 o Prof. Kreinsen e colegas argumentavam que o futuro da economia europeia, especialmente no contexto de seu alargamento, iria continuar a se basear em atividades BMT. E afirmavam que o crescimento, a competitividade, a coesão e o emprego na Europa iriam depender do desempenho das indústrias BMT.

Finalizando, o Prof. Kreisen e equipe afirmavam em 2003 que os problemas de criação de conhecimento nestes setores eram negligenciados nas arenas de políticas, mas que isso iria se tornar um grande desafio para as políticas de inovação, tecnologia e pesquisa europeias.

Nós da Creativante temos um argumento que se baseia neste do Prof. Kreisen, mas que vai além, principalmente para o caso de países emergentes como o Brasil. Cremos que o Brasil também “menospreza” as chamadas indústrias BMTem suas políticas, programas e projetos, mas é nossa opinião que o sucesso econômicoé baseado numa engenharia inteligente de articulações entre os setores high-tech, medium-high-tech e low-tech da economia, e é sobre isso que trataremos em breves newsletters!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre as articulações entre os setores high-tech, medium-high-tech e low-tech da economia, sinta-se a vontade para nos contatar!

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