Inovação e Crescimento da Produtividade

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A indústria de fabricação de computadores conformou somente 0,3% do valor adicionado dos EUA entre 1960 e 2007, mas gerou 2,7% do crescimento econômico e 25% do crescimento da produtividade. Em comparação, a agricultura representou 1,8% do valor adicionado nos EUA, mas somente 1,0% do crescimento econômico durante aquele período. Isto reflete o fato de que a agricultura cresceu mais devagar do que a economia americana, enquanto a indústria dos computadores cresceu treze vezes mais rápido. No entanto, a agricultura representou 15% do crescimento da produtividade nos EUA, indicando um papel significativo para a inovação agrícola.  

Foi com esta comparação que o Prof. Dale W. Jorgenson iniciou seu mais recente artigo, intitulado “Innovation and Productivity Growth”, publicado em abril no American Journal of Agricultural Economics, 2011. Seu objetivo com este artigo, que faz parte de sua linha de pesquisas¹, foi avaliar o papel da inovação no crescimento econômico dos EUA no período de 1960 a 2007. Segundo ele, o crescimento da produtividade é o indicador chave da inovação. Mas, apesar da importância da inovação em indústrias como computadores e agricultura, esta inovação representa menos de 12% (doze por cento) do crescimento americano. A grande maioria do crescimento econômico nos EUA é devida à replicação de tecnologias existentes através de investimento e de expansão da força de trabalho. Mas, adverte: “... Apesar da inovação contribuir somente com uma modesta porção do crescimento econômico, esta contribuição é vital para ganhos no padrão de vida dos EUA”.

O papel predominante da replicação das tecnologias existentes no crescimento econômico dos EUA é crucial para a formulação de política econômica. De acordo com o Prof. Jorgenson, à medida que a economia dos EUA se recupera da Grande Recessão de 2007-2009, a política econômica deve focar em manter o crescimento do emprego e em reviver o investimento. Políticas que se concentrem em expandir a taxa de inovação irão ter um relativamente modesto impacto sobre o intervalo intermediário de 5 a 10 anos. No entanto, salienta, a taxa de crescimento de longo prazo da economia depende criticamente do desempenho de um relativamente pequeno número de setores, tais como a agricultura e computadores, onde a inovação acontece.

Para dar conta da defesa deste argumento, Prof. Jorgenson apresenta uma breve história da medição da produtividade no campo econômico, e introduz uma nova estrutura para a mensuração da produtividade econômica, considerando também o impacto econômico das tecnologias de informação. A partir daí ele reitera que o crescimento da produtividade é o componente chave da inovação. O crescimento econômico pode acontecer sem inovação através da replicação de tecnologias existentes. O investimento aumenta a disponibilidade destas tecnologias, enquanto que a força de trabalho se expande à medida que a população cresce. Somente com replicação e sem inovação, o produto irá aumentarem proporção aos insumos de capital e trabalho. Em contraste, a introdução com sucesso de novos produtos e processos, sistemas ou modelos de negócios novos ou alterados, gera crescimento de produto que excede o crescimento dos insumos de capital e trabalho.

Como se pode ver na Tabela 1 à frente (produzida pelo Prof. Jorgenson, e com aditivos nossos em azul e vermelho), o crescimento da produtividade foi bem menos importante do que as contribuições dos insumos de capital e de trabalho. Ou seja, para o período de 1960 a 2007 a produtividade representou menos de 12% do crescimento econômico dos EUA. A contribuição dos insumos de capital representou 60% do crescimento durante o período de 1960 a 2007, enquanto os insumos do trabalho representaram 28% daquele crescimento. Ou seja, grande parte do crescimento econômico dos EUA é devido à replicação de tecnologias estabelecidas, mais do que inovação. Isto acontece, apesar do fato de que o crescimento em indústrias como agricultura e computadores é devido principalmente à inovação.

Este achado é de fundamental importância para a orientação de políticas de crescimento econômico, principalmente em países como o Brasil, onde muito se fala sobre inovação, mas pouco se avalia qual é sua efetiva contribuição para o crescimento econômico. Neste sentido, voltaremos a tratar sobre os resultados das pesquisas do Prof. Jorgenson para outros países do mundo, inclusive o Brasil!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o impacto da inovação no crescimento econômico, fique a vontade para nos contatar!

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[1] Prof. Jorgenson, Professor do Depto. de Economia da Universidade de Harvard, nos EUA, é autor consagrado no campo da Economia, e é o principal mentor das novas arquiteturas das Contabilidades Nacionais dos EUA, das Nações Unidas e da OECD, as quais incorporam o custo do capital de todos os ativos da economia, incluindo equipamentos de tecnologia de informação e software.

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