Empregos nos EUA, Oportunidades no Brasil

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Na newsletter da semana passada tratamos de um relatório do McKinsey Global Institute- MGI sobre a criação de empregos nos EUA e o futuro daquele país. De acordo com aquele relatório os EUA enfrentam um imediato desafio: encontrar emprego para 7 (sete) milhões de pessoas ainda fora do trabalho a partir da recessão de 2008-09 e reviver sua robusta criação de empregos na década vindoura. Nesta newsletter vamos examinar brevemente como a geração de empregos nos EUA podem representar oportunidades no Brasil.

A economia global está em crescente evolução, marcadamente pela emergência de países como a China, Índia, Brasil e Rússia. À medida que estes países passam a contribuir com componentes de alto valor adicionado às cadeias globais de suprimentos, seus capitais físico, humano e institucional se aprofundam. Isto traz suas estruturas mais próximas às dos países avançados, introduzindo maior competição naquilo que era antes território destes últimos- os mais sofisticados bens e serviços de valor agregado.

E qual tem sido o impacto disto nos EUA? De acordo com o Prof. Michael Spence, Prêmio Nobel de Economia de 2001, 98% dos 27,3 milhões de novos empregos líquidos criados nos EUA desde 1990 foram gerados no non-tradable sector (setor de não-comercializáveis) – dominado pelo governo, cuidados da saúde, varejo, hospitalidade, e imobiliário. Segundo ele, devido às restrições de longo-prazo tanto no gasto fiscal quanto pelas famílias no acordar da crise financeira e da pressão para baixo nos preço dos ativos, a sustentabilidade de tal tendência de emprego é questionável.

Do lado do tradable sector (setor de comercializáveis) o valor adicionado cresceu, mas o emprego não. No interior deste setor um número de setores de alto valor adicionado por empregado subiu: finanças, projetos de computadores e engenharia, administração de empresas, e consultoria. O restante do setor, consistindo de setores manufatureiros, que tem longas e complexas cadeias de valor adicionado, experimentou aumentos de valor adicionado, mas o emprego declinou (ver Figura 1, produzida pelo Prof. Spence). O efeito líquido disto foi o rápido crescimento do valor adicionado por pessoa no setor de tradables combinado com crescimento líquido negligenciável do emprego.

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Como colocado pelo Prof. Spence, é razoavelmente claro que a tendência subjacente a este fato é o movimento offshore (para fora dos EUA) de um crescente sub-conjunto das cadeias de suprimento no setor manufatureiro e alguns tradable services (serviços comercializáveis). Na camada no topo está um padrão de rápido avanço tecnológico, em que as atividades são poupadoras de mão-de-obra por natureza.

Na opinião do Prof. Spence o padrão de crescimento desbalanceado e insustentável que levou à crise, com excesso de consumo sendo componente chave, parece ter permitido o setor de non-tradables absorver a maior parte da força-de-trabalho incremental, e retardou a chegada das forças de mercado que teriam causado um diferente padrão de mudança estrutural. Segundo ele, há pelo menos uma questão sobre se os padrões de emprego pré-crise irão continuar no período pós-crise. Uma visão é que esta será uma recuperação difícil e longa pelos padrões históricos, mas nada mais que isto. Ele acredita primeiramente que os EUA não podem retornar à mistura pré-crise de demanda agregada com poupança familiar perto de zero, e a demanda agregada perdida terá que ser reposta por investimento de demanda externa. A última implica uma expansão no setor tradable e, provavelmente, uma expansão no escopo deste setor.

E é exatamente aqui onde o Brasil pode ser favorecido em termos de oportunidades.

Em primeiro lugar, o Brasil poderia ampliar o grau de competição externa ao seu setor de non-tradables (cuidados da saúde, atacado e varejo, construção, transportes, educação, imobiliário, etc.)(isso teria como corolário um incremento na inovação deste setor). No nosso país tem sido mais comum a preocupação, em termos de políticas de desenvolvimento, com o setor industrial, em detrimento, por exemplo, do setor de serviços (amplo senso). Este movimento contribuiria para a expansão de vários setores mundiais, e, muito provavelmente, do setor de tradables dos EUA.

Em paralelo, o Brasil poderia ser um privilegiado captador de uma fração do sub-conjunto das cadeias de suprimento do setor manufatureiro e alguns tradable services dos EUA. E um destes segmentos, onde pensamos que poderia haver enormes oportunidades, seria o de educação voltada para a indústria de tecnologias de informação e comunicação- TICs, e, particularmente, a camada pouco atendida de ensino técnico e profissionalizante, que voltaremos a comentar dando as devidas justificativas para tal proposta.

Em resumo, as transformações por que passa a economia global estão trazendo grandes desafios e oportunidades. Brasil e EUA, por sua histórica boa relação diplomática, comercial, e cultural podem estabelecer novos horizontes nestas relações nesta nova configuração geo-econômica!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre empregos nos EUA e oportunidades no Brasil, fique a vontade para nos contatar!

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