Geração de empregos nos EUA: o quê isto tem a ver com o Brasil!

IMG 24

O McKinsey Global Institute- MGI acaba de publicar (no mês de junho próximo passado) um magnífico relatório, intitulado “An economy that works: Job creation and America´s future (Uma economia que funcione: Criação de empregos e o futuro da América”) (este relatório pode ser baixado aqui). Esta newsletter dedicará brevemente atenção ao principal conteúdo deste relatório.

De acordo com este relatório os EUA enfrentam um imediato desafio: encontrar emprego para 7 (sete) milhões de pessoas ainda fora do trabalho a partir da recessão de 2008-09 e reviver sua robusta criação de empregos na década vindoura. Mas simplesmente empregar as pessoas da nação não é suficiente. Em uma economia globalizada da era da informação, não há prioridade econômica mais importante do que erguer uma poderosa força de trabalho.

Para entender como a América pode enfrentar estes desafios, o McKinsey Global Institute lançou um projeto de pesquisa que combina análise setorial extensiva, entrevistas com executivos de recursos humanos, uma pesquisa proprietária de líderes de negócios, e análise de cenário e modelagem próprios. O relatório buscou trazer luzes sobre como as companhias usam trabalho, de onde novos empregos provavelmente virão, e que condições são necessárias para assegurar uma criação de empregos robusta e sustentável.

Os resultados da análise do MGI são sérios e sensatos: somente no cenário mais otimista os EUA retornarão ao pleno emprego (considerado no relatório como 5 por cento de desemprego, basicamente o que a economia americana experimentou antes da recessão) antes de 2020. Atingir este patamar irá requerer crescimento sustentado da demanda, crescimento da competitividade dos EUA na economia global, e melhor casamento dos trabalhadores dos EUA com empregos. Entre os principais achados do relatório temos:

■ Os EUA têm experimentado um alongamento crescente das recuperações dos “sem emprego” oriundas das recessões das duas décadas passadas. Levou-se aproximadamente 6 meses para o emprego recuperar seu nível pré-recessão depois de cada recessão pós-guerra até os anos 1980, mas se levou 15 meses depois da recessão dos anos 1990-91, e 39 meses depois da recessão de 2001. Ao passo recente da criação de empregos, se levará mais de 60 meses até que o PIB atinja sua posição pré-recessão em dezembro de 2010 para o emprego recuperar;

■ Os EUA necessitarão criar um total de 21 milhões de novos empregos nesta década para colocar os americanos de volta para trabalhar e para empregar sua crescente população. O MGI criou três possíveis cenários para criação de empregos, baseado em análises setoriais, e acharam que eles irão fornecer entre 9,3 milhões e 22,5 milhões de empregos. Somente no cenário de alto-crescimento de empregos os EUA retornarão ao pleno emprego nesta década;

■ Seis setores ilustram o potencial para criação de empregos nesta década: cuidados com saúde; serviços de negócios, lazer e hospitalidade, construção, manufatura, e varejo. Estes setores contemplam um amplo leque de tipos de emprego, habilidades, e dinâmica de crescimento. Eles dão conta de 66% dos empregos de hoje, e o MGI projeta que eles irão dar conta de até 85% dos novos empregos criados até o final da década;

■ Nas presentes tendências, os EUA não irão ter trabalhadores suficientes com a educação adequada e treinamento para preencher os perfis de habilidades dos trabalhos que provavelmente serão criados. A análise do MGI sugere uma escassez de até 1,5 milhão de trabalhadores com graus de bacharelado ou mais até 2020. Ao mesmo tempo, aproximadamente 6 milhões de americanos sem um diploma de ensino médio provavelmente estarão sem emprego;

■ Além do mais, poucos americanos que atendem os college (cursos pós-médio) e escolas vocacionais escolhem estes campos de estudo que irão provê-los com as habilidades específicas que empregadores estão buscando. As entrevistas do MGI apontam para escassez potencial em muitas ocupações, tais como nutricionistas, soldadores, ajudantes de enfermagem- em adição à freqüentemente projetado hiato de especialistas em computadores e engenheiros;

■ A natureza do trabalho está mudando em maneiras que apresentam tanto oportunidades quanto desafios. Comunicações digitais ubíquas e sistemas avançados de informação possibilitam aos empregadores a desagregação dos empregos em tarefas especializadas, as quais podem ser desempenhadas remotamente. Isto facilita o rápido crescimento de emprego em tempo parcial e contingencial, e também está possibilitando as companhias trazer alguns empregos de serviços de fora do país.

Estes desafios levam os EUA a adotarem medidas que não podem simplesmente seguir um curso chamado “business as usual” (fazer o mesmo). Uma robusta recuperação será essencial para atender um alto crescimento do emprego no futuro, mas não será suficiente por si só. Para reverter o padrão de baixo crescimento do emprego, os negócios, os líderes do governo, as instituições educacionais, e os próprios trabalhadores necessitarão ter coragem para considerar novos e decisivos enfoques, e devem trabalhar juntos para que tais enfoques tenham sucesso.

Mas em que medida este quadro do emprego nos EUA têm a ver com o Brasil? É o que veremos na próxima newsletter!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre a questão do emprego nos EUA, sinta-se a vontade para nos contatar!

Creativante 2017 - Todos os direitos reservados