Everything as a Service - EaaS (Tudo como um Serviço)?

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Em Economia ensinamos/aprendemos que a diferença básica entre um produto e um serviço é que o primeiro é um objeto (acumulável) e o segundo é um desempenho (não acumulável). Um serviço é um equivalente intangível de um bem econômico. A provisão de um serviço é frequentemente uma atividade econômica onde o comprador geralmente não obtém a propriedade exclusiva (exceto por contrato exclusivo) da coisa comprada. Os benefícios de tal serviço, se precificado, são considerados como auto-evidentes no desejo de se pagar por ele.

Nos últimos anos temos visto uma “onda de coisas” se transformando (ou sendo transformadas) em serviços: o SaaS – Software as a Service (Software como um Serviço) é uma delas. Algumas vezes referido como software sob demanda, SaaS é um modelo de oferta de software em que o software e seus dados associados são hospedados centralizadamente na Internet/Cloud (Nuvem), e são tipicamente acessados por usuários usando um cliente, normalmente usando um web browser na Internet.

O SaaS tem se tornado um modelo comum de oferta para a maioria das aplicações de negócios, incluindo contabilidade, colaboração, customer relationship management- CRM (gestão de relacionamento com clientes), enterprise resource planning- ERP (planejamento dos recursos da empresa), human resource management- HRM (gestão de recursos humanos), content management- CM (gestão de conteúdo), e outros. O termo SaaS é considerado como parte da nomenclatura da cloud computing (computação na nuvem), ao lado de infrastruture as a service- IaaS (infraestrutura como um serviço) e de platform as a service- PaaS (plataforma como um serviço).

Mas o que mais nos tem chamado a atenção recentemente na indústria de tecnologias de informação e comunicação - TICs é um processo paralelo a este da “onda de coisas” se transformando (ou sendo transformadas) em serviços. Este processo é a intensificação da transformação dos modelos de negócios de grandes empresas tradicionalmente de comercialização de produtos para empresas comercialização de serviços. A IBM (outrora uma empresa de produtos de hardware de computadores) foi uma das primeiras a “surfar nesta onda”. Em 2002 ela sacramentou sua nova estratégia ao adquirir a empresa global de consultoria de serviços PwC – PricewaterhouseCoopers, a segunda maior empresa de serviços profissionais do mundo, depois da Delloite, e uma das Big Four- Quatro Grandes empresas de contabilidade do mundo (Delloite, PwC, Ernst & Young e KPMG).

Na newsletter de 04/10/2009 apontávamos para esta tendência na Ericsson:  “Há 40 anos, a Ericsson era uma companhia puramente mecânica. Hoje, serviços e multimídia já representam um terço do total e continuam crescendo”, afirmou em julho daquele ano Jan Wareby, Vice-Presidente Sênior e principal executivo na área de multimídia.  Essa transformação está, segundo ele, associada às mudanças que permeiam todo o mercado de telecomunicações. Na mesma newsletter comentamos que quando a HP anunciou a compra da texana Electronic Data Systems - EDS por US$ 13,25 bilhões, em maio de 2008, os acionistas da empresa reagiram com desconfiança.  Ainda pairava sobre ela o estigma da questionada aquisição de 2002, quando a empresa pagou US$ 19 bilhões pela fabricante de computadores Compaq. Hoje o ceticismo do mercado deu lugar à perspectiva de ver a HP disputar a liderança do bilionário mercado de serviços de tecnologia, um território que a IBM (tratada acima) tem dominado nos últimos anos. 

Também na mesma newsletter, assinalávamos movimento da Xerox Corp.  Na esperança de curar um caso crônico de crescimento lento, a Xerox fechou acordo para comprar a empresa de serviços de terceirização de tecnologia Affiliated Computer Services Inc., por US$ 6,4 bilhões.  Com este acordo, uma jogada da atual diretora-presidente Úrsula Burns (indicada em maio de 2009), a Xerox esperava aumentar sua receita em 30%, ou seja, para US$ 22 bilhões (faturamento que só atingiu US$ 15,79 bilhões em 2009, mas que, apesar da crise internacional, conseguiu atingir US$ 21,6 bilhões em 2010). Neste último dia 14/06/2011 a presidente Úrsula Burns afirmou ao Wall Street Journal que a Xerox aposta firme em serviços e busca expansão no Brasil.

Na newsletter de 18/10/2009 afirmávamos que a Dell Inc. predominantemente desenvolvia, vendia e dava suporte a computadores pessoais e produtos relacionados a computadores. Empregava mais de 76.500 pessoas e faturou em 2008 US$ 61,13 bilhões.  Em setembro de 2009 a Dell fechou um acordo para comprar a prestadora de serviços de tecnologia da informação Perot Systems Corp., por US$ 3,9 bilhões, procurando expandir-se além dos computadores para melhor competir com rivais que oferecem uma gama mais variada de produtos e serviços. No dia 26/04/2011, em entrevista ao Wall Street Journal, Michael Dell afirmou que não quer mais falar sobre PCs. Dell tem adquirido tecnologias de ponta – como sistemas de armazenamento de dado e de segurança para que sua empresa posa vender às empresas para diminuir a dependência da Dell da venda de computadores com baixas margens de lucro.

Finalmente, e infelizmente pela exigüidade de espaço, a gigante de software e serviços Microsoft anunciou em maio passado sua entrada em uma nova área dos serviços, a dos serviços de telefonia pela Internet ao adquirir, por US$ 8,5 bilhões, a Skype, reforçando sua entrada na convergência crescente entre o mundos da comunicação, informação e entretenimento.

A pergunta que fica no ar é a seguinte: será que é o desenvolvimento das tecnologias e inovações, e seus novos modelos de negócios, que estão transformando o perfil das principais empresas da indústria mundial de TICs (de empresas de produtos para empresas de serviços), ou será que elas (as empresas) estão se transformando em empresas de serviços para facilitar o desenvolvimento de suas tecnologias, inovações e modelos de negócios? É uma pergunta que demanda mais estudos. Encerrando, será que estamos caminhando para o estágio onde everything will be provided as a service (tudo será ofertado como um serviço)? É esperar para ver!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre everything as a service, fique a vontade para nos contatar!

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