Por quê a Nokia perdeu a confiança dos investidores e consumidores?

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O nome Nokia está intimamente associado ao mercado de celulares no mundo. A Nokia Corporation é uma multinacional baseada na cidade de Keilaniemi, Espoo, uma cidade vizinha à capital da Finlândia, Helsinki. A Nokia está engajada na produção de artefatos móveis e na convergência das indústrias da Internet e das comunicações. Tem mais de 132.000 empregados em 120 países, com vendas de mais de 150 países, uma receita global anual de mais de €42 bilhões (RS$ 96,5 bilhões) e um lucro operacional de €2 bilhões (RS$ 4,6 bilhões) em 2010.

A Nokia é o maior produtor de telefones celulares do mundo, mas esta posição vem sendo paulatinamente ameaçada pela concorrência. Como se pode perceber na Tabela à frente, apesar de ter embarcado/vendido 24,2 milhões de aparelhos no primeiro trimestre de 2011, o que lhe garante uma fatia de 24,9% do mercado mundial de produção de celulares, a Nokia vem perdendo posição relativa neste mercado (uma perda de 14,5% do quarto trimestre de 2010 para o primeiro de 2011).

A questão que se coloca é a que dá título a esta newsletter: afinal, por quê a Nokia perdeu a confiança dos investidores e consumidores?

Uma primeira hipótese que esta newsletter levanta é que a Nokia está enfrentando o denominado “Dilema do Inovador”, condição apontada originalmente pelo Prof. Clayton M. Christensen, da Harvard Business School, nos EUA. Segundo o Prof. Christensen, o “dilema do inovador” é o fato de que as decisões lógicas e competentes da gestão empresarial, que são críticas para o sucesso de suas companhias, são também as razões pelas quais elas perdem suas posições de liderança (ver o livro best-seller “The Innovator´s Dilemma”. Harvard Business School Press, 1997).

Neste sentido, acreditamos que a estrutura de gestão da inovação na Nokia se assentou numa arquitetura empresarial que correspondeu adequadamente a um dado momento da evolução da tecnologia dos celulares, mas que a empresa não incorporou uma governança corporativa flexível o suficiente para se adaptar às novas condições de inovações tecnológicas, o que atendeu às condições de crescimento numa determinada fase (que está se encerrando agora), mas que a partir de agora começa a demonstrar os determinantes da perda de liderança (para uma leitura mais detalhada do que representa a metodologia Arquitetura-Governança-Crescimento desenvolvida pelo editor desta newsletter, ver http://www.creativante.com.br/download/TECSI-JCC.pdf).(*)

Além do mais, a competição que praticamente está “devorando pelas beiras” (no jargão popular) a Nokia não é mais uma competição no mercado de celulares, e sim uma competição pelo mercado de plataformas tecnológicas (a principal razão não percebida pela governança corporativa da Nokia). O desafio agora é o da criação de estratégias competitivas para vencer o jogo de quem vai prover, para os consumidores, a mesma experência de uso nos smartphones, tablets e desktops.
Apropriando-nos da contundente observação do jornalista tecnológico Mike Elgan, é a competição que está fazendo sair da interface WIMP (windows, icons, menus and pointing devices) para as next-generation interfaces — with multi-touch, physics and gestures; ou seja, interfaces MPG (ver matéria do Elgan em http://www.cultofmac.com/how-will-apple-bring-ios-to-the-desktop/98746). E aí é briga de cachorro-grande mesmo: Apple, Google, Amazon, Facebook, e mais atrasado, Microsoft.

É neste sentido que vemos a indicação do atual executivo-chefe da Nokia, Stephen Elop, que foi executivo da Microsoft, e os acordos que ambas empresas estão fazendo em termos estratégicos. Salop vem insistindo que foi correta a decisão de se juntar à Microsoft no mercado de smartphones para enfrentar o iPhone, da Apple, e os aparelhos que usam o sistema Android, do Google.

Passamos de uma guerra de aparelhos para uma guerra de ecossistemas”, afirmou Salop ao jornal Financial Times recentemente, para descrever a combinação de aparelhos portáteis refinados, software e serviços on-line que são sinônimo do iPhone, com um número cada vez maior de aparelhos que rodam no Android.

Apesar das afirmações de Salop, as ações da Nokia perderam um quinto de seu valor depois a empresa alertou, na semana retrasada, que as vendas e lucros do segundo trimestre ficarão “substancialmente abaixo” das expectativas, que já estavam perto do fundo do poço.

Esperemos que a parceria com a Microsoft proporcione a reversão da trajetória recente da Nokia, e que a mesma reconquiste a confiança de consumidores e investidores!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre dinâmica de empresas como a Nokia, fique a vontade para nos contatar!

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(*) Um colaborador próximo à Nokia nos informou que a empresa criou uma máquina de logística capaz de fabricar celulares a um custo bastante atraente e colocá-los em qualquer ponto do mundo rapidamente (um diferencial competitivo fundamental em qualquer negócio global). No entanto, continuou focada num modelo logístico que não mais atendia às novas necessidades dos consumidores, confirmando o dilema do inovador apontado pelo Prof. Christensen.


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