Innovation Shortfalls (Déficits de Inovação)

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Inovação é um termo quase onipresente nos debates econômicos nos dias atuais. Não sem razão; afinal, inovação é hoje entendida como um dos principais vetores para dinamização do crescimento econômico. Em Economia quando se fala em crescimento econômico o primeiro conceito que vem à mente é o de produtividade, ou seja, a eficiência com que a economia transforma seus fatores de produção acumulados em produtos.

Recente livro do Banco Interamericano de Desenvolvimento- BID, intitulado “The Age of Productivity” (A Era da Produtividade), cujo argumento principal é bastante ilustrativo (Low Productivity: The Root Cause of Weak Economic Growth- Baixa Produtividade: A Raiz do Fraco Crescimento Econômico)(cuja versão digital pode ser baixada aqui) disseca esta importante variável econômica, principalmente para os países da América Latina, onde o histórico recente é de persistente fraco crescimento econômico.

Há na sociedade uma percepção comum de que baixa produtividade ou baixo crescimento é devido ao que se pode chamar de “innovation shortfall” (déficit de inovação), usualmente identificado como uma baixa taxa de investimento em P&D- Pesquisa e Desenvolvimento.

Mas segundo o artigo “Innovation Shortfalls”, produzido por William Maloney, Andrés Rodríguez-Clare, divulgado no site do BID em 2005 (baixar esta versão aqui), e depois publicado em 2007 no Journal of Develpment Economics em 2007, o problema com esta análise é que ela falha ver que uma baixa taxa de investimento em P&D pode ser devida mais apropriadamente ao padrão de especialização da economia, ou pode ser apenas uma manifestação dos impedimentos à acumulação econômica de modo geral.

O que estes autores mostram no artigo acima citado é um modo simples de estimar o hiato de P&D que pode ser explicado por um padrão de especialização de um país, e fazem isto ilustrando o caso do Chile. Em segundo lugar, eles mostram como um modelo calibrado pode ser usado para determinar o hiato de P&D que deveria ser esperado dado o investimento de um país em capital físico e em capital humano. Logo, se o atual hiato em P&D é acima deste esperado hiato, pode ser dito que este país sofre de um verdadeiro innovation shortfall (déficit de inovação).

Um exemplo marcante do argumento levantado pelos autores é o de uma relativamente baixa taxa de investimento em P&D como proporção do PIB- Produto Interno Bruto, uma proxy comum para determinar a atividade inovadora de um país. Países da América Latina investem uma média de 0,4% do PIB em P&D, enquanto a maioria dos países da OECD tem taxas flutuando no entorno de 2% do PIB.

A reação a este percebido problema é recomendar o aumento no investimento em P&D para alvos próximos das taxas de investimento dos países altamente inovadores (ou da chamada Fronteira Tecnológica Global- FTG). O problema com esta postura é a falha em reconhecer que o investimento em P&D é somente uma atividade a mais cujo nível é determinado pelo padrão de especialização da economia, bem como pelos incentivos ou distorções econômicos. Como se perguntam os autores acima: podem as economias abundantes em recursos naturais da América do Sul investir tanto em P&D quanto os países orientados à manufatura do Leste Asiático investem? Políticas de inovação são cruciais para países cujas baixas taxas de investimento em P&D podem ser somente uma manifestação a mais dos problemas gerais que impedem a acumulação de todas as formas de capital? Qual é o nível em que um país sofre de um innovation shortfall (déficit de inovação) acima e além daquele que seria esperado dados os padrões de especialização e acumulação?

Estas são questões cruciais para entendermos os reais problemas econômicos de um país como o Brasil, que vem atravessando profundas transformações recentes, e que precisa definir um padrão de crescimento econômico acima do que vem enfrentando, e que este seja sustentável.

Como apontamos nas newsletters de 31/10/2010 (A saúde do setor externo da economia brasileira) e de 07/11/2011 (Diversificação ou especialização: qual será a estrutura do Brasil na próxima década?), o Brasil está convivendo com uma nova mudança na estrutura da pauta de suas exportações, e que desta feita, a mudança é em favor dos produtos básicos. Ao contrário das mudanças do passado, esta nova mudança vem acompanhada pelo temor de uma “especialização regressiva da economia nacional e de uma concentração de suas vendas externas em produtos de baixo valor agregado e baixa intensidade tecnológica”.

Em resumo, estamos caminhando perigosamente para uma economia que está paulatinamente se especializando em commodities, mas talvez a resposta para o enfrentamento desta questão não seja puramente “aumentar a taxa de investimento em P&D”, que, por sinal, tem sido muito baixa para os padrões internacionais (segundo dados do MCT- Ministério da Ciência e Tecnologia, em 2000 investíamos 1,02% do PIB em P&D, e em 2009 investimos 1,19% do PIB, um crescimento de apenas 0,17% durante aquela década; ou seja, um crescimento de apenas 0,017% do PIB ao ano).

Muito provavelmente teremos que aprofundar a análise para detectar o que de fato está causando este nosso aparente innovation shortfall, e certamente chegaremos à conclusão que nossa distância em relação à Fronteira Tecnológica Global- FTG não é apenas uma questão de aumentar nossa baixa taxa de investimento em P&D!

Se sua empresa, organização ou instituição, deseja saber mais sobre a metodologia de innovation shortfall, fique a vontade para nos contatar!

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