Qual é a inovação, e qual é a inovatividade?

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Esta pode ser uma pergunta descabida. Afinal, como se posicionam algumas organizações e instituições (como por exemplo, a FINEP- Financiadora de Estudos e Projetos), o Manual de Oslo (produzido pela OECD- Organização para a Cooperação Econômica e Desenvolvimento) “é o nosso guia”, e, portanto “nós sabemos o que é inovação”.  

De acordo com a terceira edição deste Manual (publicada em 2005), “uma inovação é uma implementação de um produto (bem ou serviço) novo ou significativamente melhorado, ou processo, um novo método de marketing, ou um novo método organizacional em práticas, organização do trabalho ou relações externas nos negócios” (pg. 46).

Acontece que, na prática, muitas organizações/instituições que lidam com inovações não explicitam o que entendem por inovação em produto ou processo, ou pouco definem que inovações estão desejando trabalhar e dar destaque: se em produtos e processos, ou inovações em marketing ou métodos organizacionais.

De forma a contribuir para um melhor entendimento sobre este “pantanoso debate”, alguns autores estão procurando estabelecer parâmetros que procurem dar mais luzes a esta tão importante temática dos dias atuais. E é neste espírito que gostaríamos de dar destaque a um trabalho em particular, intitulado “A critical look at technological innovation typology and innovativeness terminology: a literature review” (Uma visão crítica sobre a tipologia da inovação tecnológica e a terminologia da inovatividade: uma revisão da literatura), produzido por Rosanna Garcia e Roger Calantone, da Michigan State University, EUA, publicado em 2002 em The Journal of Product Innovation Management, 19, páginas 110 a 132 (para baixá-lo clique aqui!).

Este trabalho faz uma importante distinção entre os conceitos de inovação e inovatividade. O primeiro, que aparentemente “todos dizem saber o que significa”, não vamos aprofundar. Mas o segundo conceito é mais frequentemente usado como uma medida do grau de novidade de uma inovação.

Segundo os autores do trabalho acima citado, produtos “altamente inovadores” são vistos como tendo um alto grau de novidade, e produtos “pouco inovadores” ficam do lado extremo oposto do continuum. No entanto, pouca continuidade existe na literatura de novos produtos sobre a perspectiva de quem este grau de novidade é visto, e o quê é novo. Apesar da maioria da pesquisa tomar a perspectiva da empresa em direção à novidade, outros olham sob a perspectiva do novo para o mundo, o novo para a unidade que está adotando, o novo para a indústria, o novo para o mercado, e o novo para o consumidor (ver a Tabela 1 à frente, cujas referências bibliográficas estão no trabalho acima citado).

Esta natureza relativa em definir “inovatividade” tem contribuído, segundo os autores, para um hiato no avanço do entendimento do processo do desenvolvimento de novos produtos, à medida que os estudos não podem ser comparados entre diferentes unidades de análise.  

Apesar das variantes perspectivas de “inovatividade”, uma única consistência existe: ela é sempre modelada como o grau de descontinuidade em fatores de marketing e/ou de tecnologia. Os autores então mantêm que a inovatividade de produto é uma medida da potencial descontinuidade que um produto (processo ou serviço) pode gerar no processo de marketing e/ou tecnológico. De uma perspectiva macro, “inovatividade” é a capacidade de uma nova inovação criar uma mudança de paradigma na ciência e tecnologia e/ou estrutura de mercado em uma indústria. De uma perspectiva micro, “inovatividade” é a capacidade de uma nova inovação influenciar os recursos de marketing existentes na empresa, os recursos tecnológicos, as habilidades, o conhecimento, as capacidades, ou a estratégia.

Desta forma, os autores passam a demonstrar como muitos pesquisadores têm rotulado graus variados de inovatividade de produto como sendo diferentes tipologias. Inicialmente, eles enfatizam que inovatividade de produto não é igual a inovatividade da empresa. A inovatividade da empresa, ou organizacional, tem sido definida como a propensão da empresa em inovar ou desenvolver novos produtos. Também tem sido definida como a propensão da empresa em adotar inovações. Em qualquer caso, a inovatividade de um produto que uma empresa coloca no mercado ou adota não é uma medida de inovatividade organizacional. Muitas empresas têm adotado uma estratégia de inovação de imitar e melhorar produtos ou tecnologias existentes. A Microsoft, segundo eles, é um clássico exemplo deste tipo de estratégia. Logo, um produto altamente inovador não implica automaticamente em empresas altamente inovadoras.

Vale a pena fazer uma leitura deste trabalho! No limite, o que pretendemos com a sua apresentação é demonstrar que apesar de muitas organizações/instituições propalarem que “sabem o que estão falando” quando tratam de inovação, na realidade elas “pouco sabem que sabem pouco”!

Se sua empresa, organização ou instituição desejam saber um pouco mais sobre inovação e inovatividade, fique a vontade para nos contatar!

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