Inovação e Crescimento Econômico: da Teoria às Políticas

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Nas duas semanas anteriores, comentamos sobre o Edital PINTEC/BNDES voltado para estudar a Pesquisa de Inovação Tecnológica (edições de 2000, 2003, 2005 e 2008), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- PINTEC/IBGE. Afirmamos que a editoria desta newsletter passou a integrar o CONSÓRCIO COPPE-PINTEC, consórcio de instituições que se predispuseram a atender ao desafio sugerido pelo BNDES. Hoje apontamos parte do domínio analítico que baliza a pesquisa que este Consórcio apresentou ao BNDES, o qual inicia com uma visão sobre a inovação e sua relação com o crescimento econômico.

A inovação é hoje entendida como um dos principais vetores para dinamização do crescimento econômico. Mas para que se entenda como a inovação dinamiza crescimento econômico, faz-se necessário compreender como a literatura econômica trata a questão do crescimento econômico baseado em inovação, e como se caminha da teoria para o desenho de políticas que impulsionem este tipo de crescimento.   Deste modo, este Consórcio se apóia, inicialmente, na Nova Teoria do Crescimento Econômico.

A Nova Teoria do Crescimento Econômico tem como ponto de partida a especificação de uma função agregada de produção que descreve como um fluxo de produto é gerado a partir de um dado estoque de fatores de produção. Logo, podemos escrever, como apresentado por Aghion e Durlauf (2009)([1]):

 

Y = AF(K,L)

 

onde K é o estoque de capital, L é o estoque de trabalho, e A é um fator de produtividade que reflete o estoque existente de conhecimento e a eficiência resultante do capital e do trabalho em produzir o produto final. O crescimento do produto resulta então: (i) da acumulação de fatores de produção K ou L (que pode também incluir capital humano- H a partir de K e L); e/ou (ii) de aumentos no fator A de produtividade, isto é, do crescimento da produtividade. Se a função de produção F é homogênea de grau 1, pode-se re-escrever a equação acima como sendo:

 

y = AF(k,1) = Af(k),

 

onde y = (Y/L) é o fluxo de produto per capita e k = (K/L) é o estoque de capital per capita, e f apresenta retornos decrescentes da acumulação de capital; isto é, quanto mais capital é acumulado, menor o aumento em produto per capita gerado pelo acúmulo de uma ou mais unidades de capital.

A contribuição seminal do Prof. Robert Solow (1956)([2]), Prêmio Nobel de Economia de 1987, foi a primeira a mostrar que com a ausência de progresso técnico – isto é, a ausência de crescimento em A- o produto per capita y pode crescer no curto prazo, mas não no longo prazo: eventualmente, acumular mais capital pode representar mais depreciação do que poderia trazer em termos de produto adicionado. A partir disto, surgiram os modelos exógenos de crescimento econômico, já que a tecnologia é tomada como dada (ou seja, é exógena ao sistema econômico), e que os agentes econômicos (empresas e consumidores) consideram que a tecnologia disponível para as empresas não é afetada pelas ações das empresas, incluindo Pesquisa e Desenvolvimento (P&D).

A contribuição da Nova Teoria do Crescimento Econômico, então, é a de explicar o crescimento da produtividade, isto é, o crescimento em A resultante de inovações.   A primeira geração da teoria do crescimento endógeno foi a dos chamados modelos AK. De acordo com estes modelos o modo de sustentar altas taxas de crescimento é poupar uma grande proporção do PIB, parte da qual vai achar seu caminho pelo financiamento de uma taxa maior de progresso tecnológico e, então, vai resultar em mais rápido crescimento. Poupança e acumulação de capital são as chaves, e não novidade e inovação.   A segunda onda de teorias de crescimento endógeno consiste nos chamados modelos de crescimento baseados em inovação, os quais pertencem a dois campos paralelos. Por um campo, a produtividade agregada é uma função do grau de variação de produto. Este paradigma cresceu a partir da nova teoria do comércio internacional. O segundo campo (a denominada Teoria do Crescimento Baseada em Inovação), e que cresceu a partir da moderna teoria da organização industrial, é comumente referido como a teoria “Schumpeteriana” de crescimento, porque focaliza nas inovações melhoradoras da qualidade que tornam produtos velhos em obsoletos, e daí envolve a força que o economista Joseph Schumpeter denominou de “criação destrutiva”. Esta segunda onda de modelos de crescimento endógeno coloca o investimento no coração do processo de crescimento. Em particular, políticas econômicas e instituições afetam crescimento ao influenciar os incentivos aos empreendedores e/ou a habilidade de fazer investimentos inovadores.

Em resumo, pela Nova Teoria do Crescimento Econômico o crescimento econômico decorre da capacidade de realizar investimentos inovadores, os quais, por sua vez, dependem de ambiente, de infraestrutura, e acima de tudo, capital humano voltado para a geração de inovações (tecnológicas e organizacionais).

Finalmente, algumas formas de como traduzir estas referências conceituais em estratégias analíticas voltadas para o desenho de políticas que impulsionem este tipo de crescimento, podem ser observadas em maior detalhe em Aghion e Durlauf (2009).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre inovação e crescimento econômico, sinta-se a vontade para nos contatar!



[1] Aghion, Philippe and Steven Durlauf (2009). “From Growth Theory to Policy Design”. Commission on Growth and Development. The World Bank. Working Paper No. 57.

[2] Solow, Robert (1956). “A Contribution to the Theory of Economic Growth”. Quarterly Journal of Economics, 70: 65-94.

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