Edital de Pesquisa PINTEC/BNDES

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Na newsletter da semana passada, quando registramos a existência do Manual da Inovação no Brasil, comentamos sobre Chamada Pública de Seleção de Pesquisa Científica BNDES/FEP Nº 03- Fundo de Estruturação de Projetos- FEP Inovação. Esta chamada teve por objetivo financiar pesquisa científica que forneça um diagnóstico sistematizado e atualizado sobre as atividades e a capacidade inovativa da indústria brasileira, bem como do uso de instrumentos de política pública para inovação, com base nas 04 (quatro) edições da Pesquisa de Inovação Tecnológica (2000, 2003, 2005 e 2008), da Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística- PINTEC/IBGE.

Em resposta a esta chamada, a editoria desta newsletter passou a integrar o CONSÓRCIO COPPE-PINTEC, consórcio de instituições que se predispuseram a atender ao desafio sugerido pelo BNDES. A COPPE – Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia, entidade vinculada à Universidade Federal do Rio de Janeiro- UFRJ, deste modo, apresentou sua Consulta Prévia de Proposta de Pesquisa Científica (intitulada Expansão da Capacidade Inovativa do Brasil: O Uso das Bases de Dados da PINTEC/IBGE como Ferramenta para Estratégias de Inovação).

Dentre os aspectos que compõem a metodologia da proposta desta pesquisa, destaca-se um conjunto de questões que este Consórcio considera essenciais (e antecedentes) para do tratamento dos Três Eixos Propostos para a Estrutura da Pesquisa pela Chamada Pública BNDES/FEP Nº3 (Eixo 1: Análise exploratória da PINTEC para as empresas brasileiras; Eixo 2: Perfil das empresas inovadoras no Brasil; Eixo 3: Investimento em Inovação e Políticas Públicas).

Sendo assim, o conjunto de questões sugerido, e os fatos estilizados relacionados, encontrados nas literaturas acadêmica e profissional, são os seguintes ([1]):

  1. a)Qual é a relação entre as atividades de Pesquisa e Desenvolvimento (P&D) e a inovação resultante?

Um grande número de estudos documentou uma significativa relação positiva entre produtividade e P&D, mas a relação é robusta somente na dimensão de cruzamento de empresas. Quanto ao nível de patenteamento da empresa e seu P&D, a relação positiva é muito robusta em ambas dimensões. Os fatos estilizados são:

i-          Fato Estilizado 1: A produtividade e o P&D entre empresas são positivamente relacionados, enquanto o crescimento da produtividade não é fortemente relacionado ao P&D da empresa;

ii-        Fato Estilizado 2: Patentes e P&D são positivamente relacionados ao longo das empresas em um ponto no tempo e ao longo do tempo para dadas empresas.

  1. b)Qual é a evidência empírica sobre os padrões de investimento em P&D?

Há uma grande literatura estudando se as grandes empresas são mais intensivas em P&D (i.e., devotam uma alta fração de receitas para P&D) que as empresas pequenas. Pelo menos entre as empresas que reportam P&D, a evidência sugere que P&D aumentam em proporção com as vendas. De toda forma, muitas empresas não reportam qualquer atividade de P&D mesmo em indústrias de alta tecnologia, e a intensidade de P&D varia substantivamente emtre empresas mesmo no interior de indústrias estreitamente definidas. Os fatos estilizados são:

i-     Fato Estilizado 3: A intensidade de P&D é independente do tamanho da empresa;

ii-         Fato Estilizado 4: A distribuição da intensidade de P&D é altamente oblíqua, e uma considerável fração das empresas reportam zero P&D;

iii-     Fato Estilizado 5: Diferenças em intensidade de P&D entre empresas são altamente persistentes;

iv-       Fato Estilizado 6: O investimento em P&D da empresa segue essencialmente um caminho aleatório geométrico.

  1. c)O que se pode dizer sobre a entrada, a saída, e a distribuição dos tamanhos das empresas?

Os fatos estilizados relacionados com esta questão são:

i-       Fato Estilizado 7: A distribuição do tamanho das empresas é altamente oblíqua;

ii-     Fato Estilizado 8: Pequenas empresas têm uma probabilidade menor de sobrevivência, mas aquelas que sobrevivem tendem a crscer mais rápido do que as grandes empresas. Entre as grandes empresas, as taxas de crescimento não são relacionadas com o crescimento passado ou com o tamanho da empresa;

iii-     Fato Estilizado 9: A variância das taxas de crescimento é maior para as empresas pequenas;

iv-      Fato Estilizado 10: Empresas jovens têm uma probabilidade maior de sair, mas aquelas que sobrevivem tendem a crescer mais rápido do que as empresas mais antigas. A fatia de mercado de um grupo de empresas entrantes geralmente declina à medida que o tempo passa.

Por isso afirmamos na newsletter passada que o Manual da Inovação no Brasil, além de contribuir para uma valiosa síntese do que existe no Brasil em termos de instrumentos e mecanismos voltados à inovação, e os resultados deste Edital PINTEC/BNDES, podem servir como um bom ponto de partida para uma reflexão mais geral sobre o papel da inovação do desenvolvimento do país.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre inovação, fique a vontade para nos contatar!



[1] A referência básica aqui utilizada é Klette, Tor Jakob and Samuel Kortum (2004). “Innovating Firms and Aggregate Innovation”. Journal of Political Economy, 2004, vol. 112, no. 5.

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