O quê falta para as Tecnologias de Informação e Comunicação- TICs do Brasil “decolarem”? Parte 4 - Final

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Nas três últimas newsletters (de 31/01/2011, de 07/02/2011 e de 14/02/2011) desenvolvemos uma discussão nos perguntando: por quê, apesar das “vontades e aspirações” das entidades representativas do setor de TICs do país, ainda não temos grandes empresas neste segmento econômico, e argumentamos que o que falta para as TICs do Brasil “decolarem” é um verdadeiro “modelo de negócios” para o nosso complexo de Ciência, Tecnologia e Inovação- C&T&I (em sua associação com o complexo da Educação), e um “plano de negócios” que coloque este modelo de negócios para funcionar efetivamente.

Para tanto, apresentamos a indústria das TICs como resultante da conjugação de dois complexos que operam como insumo para sua existência: o de C&T&I e o de Educação do país (objeto desta newsletter). No Complexo da Educação, aqui reduzindo, inicialmente, ao escopo da Educação em TICs (ver Figura à frente), encontramos as instituições e mecanismos relacionados ao desenvolvimento de Hardware e Software, bem como relacionados às Necessidades Organizacionais da economia e da sociedade. Logo, para Hardware temos os insumos da área de Engenharia Elétrica/Eletrônica (EE) e da Engenharia da Computação (EC), sendo que esta também contribui com insumos para o desenvolvimento de Software, ao lado da Ciência da Computação (CC) e da Engenharia de Software (ES). Finalmente, para o desenvolvimento de Necessidades Organizacionais na economia e da sociedade, temos os insumos das áreas de Tecnologia da Informação (TI) (assumindo que os aspectos de Comunicação estão aqui contemplados) e de Sistemas de Informação (SI).

Diferentemente da maneira que abordamos o Complexo da CT&&I (newsletter de 14/02/2011), utilizando a metáfora da foto e do filme, onde na primeira encontraríamos a estrutura do complexo e na segunda encontramos a dinâmica deste mesmo complexo, no Complexo da Educação em TICs no mundo, e no Brasil em particular, somos forçados a argumentar que neste complexo é muito mais difícil se encontrar uma foto estacionária representativa, já que o mesmo é, por suas intensas inovações, um complexo em constante evolução (para uma síntese da evolução recente neste complexo, ver o artigo intitulado “As TICs na Organização da Empresa do Século 21: Da Orientação a Funções para a Orientação a Processos e Serviços Automatizados e Humanos”); ou seja, um filme em incessante produção.

Esta visão se ampara, entre tantas outras coisas, em algo que já foi apresentado por aquela nação que mais avanços tem proporcionado à área da informática mundial, como são os Estados Unidos da América. Em termos substantivos, em 2005 foi lançado naquele país, através do seu President´s Information Technology Advisory Committee – PITAC, o documento intitulado “Computational Science: Ensuring America’s Competitiveness”. Este documento chegou à seguinte principal conclusão acerca da nova inserção da área de informática nos domínios econômico e social:

A Ciência Computacional - o uso de capacidades computacionais avançadas para entender e resolver problemas complexos- tem se tornado crítica para a liderança científica, para a competitividade econômica, e para a segurança nacional. O PITAC acredita que a ciência computacional é um dos mais técnicos campos do século 21 porque ela é essencial aos avanços em toda a sociedade.

Junto com a teoria e a experimentação, a ciência computacional constitui o “terceiro pilar” da investigação científica (grifos desta newsletter), capacitando pesquisadores a construir e testar modelos de fenômenos complexos – tais como mudanças climáticas multi-seculares, stress multidimensional de vôos de aeronaves, e explosões estrelares – que não podem ser replicados nos laboratórios, e para gerenciar grandes volumes de dados rápida e economicamente”.

Como principal recomendação, o PITAC apontou o seguinte:

Universidades e as agências de P&D do governo federal devem fazer mudanças estruturais fundamentais e coordenadas que afirmem o papel integral da ciência computacional em enfrentar os mais importantes problemas do século 21, que são predominantemente multi-disciplinares, multi-agentes, multi-setores e colaborativos. Para iniciar a transformação requerida, o governo federal, em parceria com a academia e a indústria, deve também criar e executar um caminho multi-década direcionando avanços coordenados em ciência computacional e suas aplicações em ciência e em disciplinas de engenharia.”

O documento registra que as fronteiras disciplinares tradicionais (dentre as quais as disciplinas propriamente voltadas às TICs, ver Figura à frente) no interior da academia e das agências federais de P&D inibem severamente (grifos desta newsletter) o desenvolvimento de efetivas pesquisa e educação em ciência computacional. A pobreza de incentivos para esforços multidisciplinares, multi-agências e multi-setores enfraquece inovações estruturais. E para confrontar estas questões, o documento indica que as universidades devem mudar significativamente suas estruturas organizacionais (grifos desta newsletter) para promover e premiar pesquisa colaborativa que revigore e avance a ciência multidisciplinar. Elas devem também implementar novas estruturas multidisciplinares e organizações que ofereçam rigor, preparação educacional multifacetada para as crescentes hierarquias de cientistas computacionais que a Nação (EUA) precisará para permanecer na fronteira da descoberta científica.

Neste sentido, esta newsletter defende que tanto o diagnóstico do PITAC, quanto suas recomendações, aplicam-se também ao caso brasileiro, uma vez que aqui também são sentidas necessidades de mudanças estruturais fundamentais e coordenadas (em nossas universidades e agências de P&D dos diversos níveis de governo) que igualmente afirmem o papel estratégico que a computação tem no enfrentamento dos nossos principais problemas.

Em resumo, observando o que foi exposto ao longo série de newsletters, para que as TICs do Brasil “decolem”, e passem a gerar as grandes empresas deste segmento econômico, precisamos assumir que os dois principais complexos formadores de nossa indústria de TICs (o Complexo de Ciência, Tecnologia e Inovação- C&T&I e o de Complexo da Educação em TICs) precisam enfrentar os desafios aqui colocados (no primeiro, a sua característica de complexo inconcluso e desequilibrado, e no segundo sua necessidade de mudanças significativas nas suas estruturas organizacionais), e isto passa pela definição de um novo modelo (que aqui denominamos de modelo de negócios) e de um plano para colocar este modelo em ação (o que denominamos de plano de negócios).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a estrutura de mercado das TICs, sinta-se a vontade para nos contatar!

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