O quê falta para as Tecnologias de Informação e Comunicação- TICs do Brasil “decolarem”? Parte 2

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(OBS: Gostaríamos de pedir desculpas pelos problemas técnicos que ocorreram no sistema de envio das duas newsletters anteriores)

Na semana passada, iniciamos uma discussão que se expressa no título desta newsletter. Ou seja, perguntamo-nos: por quê, apesar das “vontades e aspirações” das entidades representativas do setor de TI do país, ainda não temos grandes empresas neste segmento econômico (tais como Google, Facebook, Tata Consultancy Services, Lenovo, por exemplo) que traduzam estas “vontades e aspirações” em densidade econômica?

Adicionalmente, defendemos que o que falta para as TICs do Brasil “decolarem” é um verdadeiro “modelo de negócios” para o nosso complexo de Ciência, Tecnologia e Inovação- C&T&I (em sua associação com o complexo da Educação), e um “plano de negócios” que coloque este modelo de negócios para funcionar efetivamente. Em outras palavras, isto significa tornar mais transparente para todos os agentes envolvidos nos clusters de C&T&I e de Educação do país, que atuam como um segmento econômico de insumo para a produção e comercialização da indústria de TICs, o quê está “dando errado” (e precisa ser urgentemente consertado) e o que “está dando certo” (e pode acertar ainda mais), e o quê se pode (e o que se deve fazer) fazer no curto, médio e longo prazos, e como se pode fazer, num contexto de intensificação das mudanças dos modos de como o conhecimento novo vem sendo produzido, distribuído e gerado valor, de aumento da competição internacional, e de fortalecimento da consciência ambiental no planeta.

Para poder defender este argumento, vamos iniciar com uma breve interpretação do que estamos considerando ser, de modo grosseiro, a microeconomia da indústria de TICs. Neste sentido, para termos uma aproximação do que representa a estrutura de mercado desta indústria, podemos representá-la de acordo com a Figura à frente. No Complexo de C&T&I encontramos as instituições do Sistema Nacional de C&T&I, os mecanismos de Formação de Recursos Humanos em C&T&I, e toda infra-estrutura e fomento da pesquisa científica e tecnológica do país.

No Complexo da Educação, aqui reduzindo, inicialmente, ao escopo da Educação em TICs, encontramos as instituições e mecanismos relacionados ao desenvolvimento de Hardware e Software, bem como relacionados às Necessidades Organizacionais da economia e da sociedade. Logo, para Hardware temos os insumos da área de Engenharia Elétrica/Eletrônica (EE) e da Engenharia da Computação (EC), sendo que esta também contribui com insumos para o desenvolvimento de Software, ao lado da Ciência da Computação (CC) e da Engenharia de Software (ES). Finalmente, para o desenvolvimento de Necessidades Organizacionais na economia e da sociedade, temos os insumos das áreas de Tecnologia da Informação (TI) (assumindo que os aspectos de Comunicação estão aqui contemplados) e de Sistemas de Informação (SI).

Estes dois complexos são fundamentais para a existência de uma indústria de TICs, aqui simplificadamente entendida como uma composição de três ciclos de produção e comercialização: a) o Ciclo de Vida dos Produtos e Serviços desta indústria; o Ciclo de Vendas de Produtos e Serviços; e o Ciclo de Negócios de Produtos e Serviços. Esta estrutura (que envolve os dois complexos tratados e a própria indústria de TICs) envolve tanto os produtores de TICs (Information and Communication Technology- ICT producers, na concepção internacional) quanto os usuários de TICs (ICT users), já que cada vez mais estes últimos estão crescentemente participando do processo de produção e comercialização de produtos e serviços de TICs. As setas em vermelho apontam as inter-relações existentes na estrutura de mercado aqui representada.

Na próxima newsletter, estaremos dando ênfase, inicialmente, ao que acontece no Complexo de C&T&I, procurando evidenciar seus gargalos, oportunidades e desafios.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a estrutura de mercado das TICs, sinta-se a vontade para nos contatar!

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