O quê falta para as Tecnologias de Informação e Comunicação- TICs do Brasil “decolarem”?

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A partir de hoje esta newsletter assume um desafio diferenciado: tentar contribuir para um debate que está começando a ganhar corpo entre os profissionais das tecnologias de informação e comunicação- TICs do país, mas que, aparentemente, ainda não “contaminou”, ou atingiu o devido lugar, nas nossas políticas nacionais.

E que debate é este? Em agosto de 2010 a ABES- Associação Brasileira das Empresas de Software, a ASSESPRO- Associação das Empresas Brasileiras de Tecnologias da Informação, a BRASSCOM- Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, a FENAINFO- Federação Nacional da Informática, a SOFTEX- Associação para Promoção da Excelência do Software Brasileiro, e a SUCESU-NACIONAL- Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações, subscreveram um documento para ser entregue aos candidatos à Presidência da República, intitulado “O Valor Estratégico de Tecnologia da Informação”.

Neste documento, as entidades que o assinaram acreditam que “o Brasil pode e deve se tornar um dos líderes globais da indústria de TI”. Ou seja, entendem estas entidades que “da mesma forma que o Brasil deve saltar de 8ª para a 5ª maior economia nas próximas duas décadas, é perfeitamente possível a evolução do Brasil de 8º para 4º maior mercado mundial de TI”. De acordo com o documento, “Caberá às empresas, ao governo, à Universidade, aos profissionais e a toda sociedade unir forças para atingir esse objetivo”.

Adicionalmente, o documento aponta que “Nosso setor é parte do complexo de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC), que tem um peso de 8,3% no Produto Interno Bruto. Como o setor cresce acima do dobro da expansão do PIB, temos como meta ampliar o peso de TI no PIB em, pelo menos, 50% nos próximos 10 anos, dos atuais 3,5% para 5,3%”.

Neste sentido, o debate que ganha corpo é: por quê, apesar das “vontades e aspirações” das entidades representativas do setor de TI do país, ainda não temos as grandes empresas neste segmento econômico que traduzam estas “vontades e aspirações” em densidade econômica? Por quê não produzimos as Google, Facebook, Twitter, Salesforce (só para ficarmos em algumas poucas empresas globais norte-americanas que surgiram no entorno da última década), ou mesmo empresas bilionárias de países considerados em desenvolvimento, como as indianas Tata Consultancy Services (TCS), Wipro Technologies e Infosys Technologies Ltd., ou as chinesas Lenovo e Baidu?

O documento aqui tratado considera que “Pela relevância do mercado interno, pela excelência de soluções e serviços aqui desenvolvidos para áreas importantes da economia, como a financeira, e pela reconhecida qualidade de seus profissionais, o Brasil pode e deve mudar de patamar no mercado mundial de TI”, e que para que isso ocorra, “cabe redefinir a parceria entre o setor público e o setor privado” nos seguintes termos: a) Encargos, tributos e regulação; b) Cadeia de valor, compras do governo e fomento; c) Exportações; e Recursos Humanos. Em resumo, podemos traduzir estes termos como sendo menos impostos e burocracia, mais ativismo governamental através do seu poder de compra, mais estímulo às exportações, e mais qualificação de recursos humanos.

Nas próximas newsletters, gostaríamos de argumentar que além destas questões apontadas pelo documento aqui tratado, o que falta para as TICs do Brasil “decolarem” é um verdadeiro “modelo de negócios” para o nosso complexo de Ciência, Tecnologia e Inovação- C&T&I (em sua associação com o complexo da Educação), e um “plano de negócios” que coloque este modelo de negócios para funcionar efetivamente. Em outras palavras, significa tornar mais transparente para todos os agentes envolvidos nos clusters de C&T&I e de Educação do país, que atuam como um segmento econômico de insumo para a produção e comercialização da indústria de TICs, o quê está “dando errado” (e precisa ser urgentemente consertado) e o que “está dando certo” (e pode acertar ainda mais), e o quê se pode (e o que se deve fazer) fazer no curto, médio e longo prazos, e como se pode fazer, num contexto de intensificação das mudanças dos modos de como o conhecimento novo vem sendo produzido, distribuído e gerado valor, de aumento da competição internacional, e de fortalecimento da consciência ambiental no planeta.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a indústria de TICs do Brasil, fique a vontade para nos contatar!

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