Os Governos e a Cloud Computing

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Semana passada, tratamos de alguns modelos de negócio na cloud computing.  Hoje vamos fazer uma brevíssima incursão em algumas experiências de governo relacionadas a este novo paradigma da computação.

Como não poderia deixar de ser (em função da importância global da sua indústria de TICs), começamos pelos Estados Unidos da América- EUA.  Desde o ano passado o Presidente Barack Obama vem demonstrando seu empenho em transformar a forma como as TICs podem ser usadas pelos governos para melhor servir aos seus cidadãos.  Em março de 2009 ele nomeou Vivek Kundra como o primeiro Chief Information Officer- CIO do governo americano, sendo o principal administrador do Office of E-Government and Information Technology and Budget (http://www.whitehouse.gov/omb/e-gov/), e Diretor do Chief Information Officers Council (http://www.cio.gov/).   Tal nomeação representa uma novidade mundial, em termos de centralização das decisões das atividades das TICs ao nível de governo federal, mas sinaliza um forte compromisso do Governo Obama em definir suas “regras do jogo” neste domínio (afinal sua eleição é reconhecida mundialmente como aquela que mais simboliza, na esfera política, a nova era das TICs neste século 21!).

O Governo dos EUA é o maior consumidor de TI no mundo, investindo mais de US$ 76 bilhões anualmente em mais de 10.000 diferentes sistemas.  A fragmentação destes sistemas, a pobre execução dos projetos, e a dragagem do legado tecnológico no Governo Federal apresentavam barreiras ao alcance de ganhos de produtividade e performance, ao tempo em que a tecnologia era empregada efetivamente nos setores privados.

Por esta razão, em setembro de 2009 o governo americano anunciou a Federal Government´s Cloud Computing Initiative.  Entendeu o Governo Obama que a cloud computing tem o potencial de reduzir enormemente as perdas, aumentar a eficiência e as taxas de utilização em data centers, e diminuir os custos operacionais.   Hoje denominada por Federal Cloud Computing Initiative (FCCI), esta iniciativa tem suas raízes num amplo estudo do governo, intitulado ITI Lob- IT Infrastructure Line of Business, sobre as capacidades de TICs do governo.  A partir dele, foi identificada a cloud computing como uma prioridade.  O objetivo, então, da FCCI é tornar os serviços de cloud computing acessíveis e fáceis de contratar pelas agências federais.  As ações tomadas até então foram: a) criar uma definição oficial da cloud computing (que passou a ser aquela do NIST (*); b) estabelecer uma conferência sobre cloud computing; c) lançar um IaaS RFI (Infrastructure as a Service Request for Information) e um subseqüente RFQ (Request for Questions); e, d) lançar um portal de cloud computing (o atual http://apps.gov, que é produzido pela U.S. General Services Administration- GSA).  A estratégia, metas e objetivos de cloud computing do governo americano podem ser encontrados no documento Cloud Computing Strategy.

Apesar de sua importância, cloud computing não é somente um fenômeno americano.  Movimentos em direção a cloud estão tomando lugar em governos em várias partes do planeta.  Por exemplo, na União Européia a European Commission e vários de seus estados membros estão tomando ações percebidas por muitos como indo em direção à criação iniciativas de cloud computing.  O Reino Unido lançou a “G-cloud”, iniciativa lançada pelo ex-governo trabalhista, em 2009, para ser uma rede de cloud computing para todo o governo, e uma prioridade estratégica.  Um relatório intitulado “The Digital Britain Report”, que foi publicado conjuntamente entre o Department for Business Innovation & Skills e o Department of Culture, Media and Sport, sinalizando para o governo do Reino Unido tomar a liderança numa ampla estratégia digital para o país, advoga que o governo se tornará uma força líder no uso de cloud computing.  No entanto, com o novo governo eleito no Reino Unido, ainda precisamos saber como ficará a iniciativa de cloud computing naquele país.

No Japão, o governo federal está desenvolvendo uma grande iniciativa de cloud computing, denominada “Kasumigaseki Cloud” (assim nominada em função do fato de que a seção de Tokyo onde muitos órgãos ministeriais do governo japonês estão localizados).  A iniciativa busca desenvolver um ambiente de cloud computing privado que eventualmente hospedaria toda a computação do governo japonês.

Enfim, nos países desenvolvidos a cloud computing já está se manifestando como uma tendência irrevogável em seus governos, e alguns países emergentes também estão acompanhando esta tendência, tais como a China, Cingapura, Tailândia, Vietnã e Nova Zelândia.

Cabe, então, a pergunta final: o quê o atual governo federal brasileiro pensou a este respeito?  Ou então, o quê estão pensando os atuais candidatos à Presidência da República sobre esta questão?

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber um pouco mais sobre cloud computing em governos, fique a vontade para nos contatar!

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(*) De acordo com o NIST- National Institute of Standards and Technology dos EUA, cloud computing- computação nuvem é um modelo para possibilitar acesso conveniente de rede sob demanda a uma cesta compartilhada de recursos computacionais configuráveis (ex., redes, servidores, armazenamento, aplicações e serviços) que podem ser rapidamente oferecidos e liberados com mínimo esforço de gestão ou de interação com o provedor do serviço.  Este modelo de cloud-nuvem promove disponibilidade e é composto de características essenciais, modelos de utilização, e vários modelos de serviços.

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