Arquitetura de Negócio: um insumo crítico para as TICs

img 9Hoje é possível observar que os Sistemas de Informação evoluíram para uma etapa mais abrangente no entendimento da estrutura dos elementos constitutivos das organizações.  Recente documento produzido por um grupo de trabalho (o EA2010 Working Group) de uma entidade internacional do mercado de TICs ([1]) aponta que a maioria há de concordar que o campo da Arquitetura Empresarial (AE) foi oficialmente estabelecido em 1987, com o desenvolvimento do Zachman Framework- Estrutura Zachman ([2]).

Desde então, vários órgãos de padronização de TI, agências governamentais, grupos de analistas industriais e praticantes de empresas, têm definido e refinado o conceito de Arquitetura Empresarial. Três das mais amplamente reconhecidas definições são do The Open Group´s Architecture Framework (TOGAF)([3]), do United States General Accounting Office (GAO)([4]), e do MIT- Massachusetts Institute of Technology Sloan Center for Information System Research (CISR)([5]).

O TOGAF descreve o propósito da AE como o de suporte ao negócio ao “prover a tecnologia fundamental e a estrutura de processo para uma estratégia de TI”.  O GAO define a AE como “um anteprojeto que descreve o estado atual e desejado da organização ou sua área funcional tanto em termos lógico e técnico, como também um plano de transição entre os dois estágios”.  O CISR do MIT define EA como “a lógica de organização para os processos de negócios e a infra-estrutura de TI refletindo os requisitos da integração e da padronização do modelo operacional da empresa”.

Apesar das definições variarem, o documento do EA2010 Working Group aponta que os temas comuns subjacentes a elas são: a) Arquitetura Empresarial existe para otimizar e alinhar os recursos de TI com os objetivos/metas dos negócios; b) Arquitetura Empresarial é manifestada como um conjunto de modelos inter-relacionados, e, c) Estes modelos são caracterizados usando um meta-modelo, tais como o trabalho original de Zachman (1987) ou um dos quatro modelos operacionais do CISR ([6]).

Além destes reconhecimentos, o documento do EA2010 Working Group teve como propósito principal discutir os domínios, serviços, práticas e habilidades requeridas para uma pujante e relevante prática de EA nos negócios.  O grupo observou nestas discussões uma forte ênfase nas questões de tecnologia em detrimento do entendimento, e, em última instância, de uma verdadeira capacitação, dos negócios na maioria das práticas de EA vigentes.  Para o grupo, uma prática de EA de sucesso deve dar igual ênfase à tecnologia e aos negócios, e o meio para este re-balanceamento é a elevação, e em alguns casos a adoção inicial, de práticas de Arquitetura de Negócio (AN)([7]).

Assim, o grupo define a AN como a representação formal e a gestão ativa do projeto (design) de negócio.  Expandindo esta definição, a AN é a coleção formalizada de práticas, informações e ferramentas para os profissionais de negócios avaliarem e implementarem o projeto dos negócios e a mudança dos negócios.

Desta forma, para o EA2010 Working Group a relação entre a AN e a TI é dupla. Primeiro, a AN é um insumo crítico para o planejamento da TI, para a Arquitetura de TI e para a entrega de soluções de negócios.  Segundo, tendências de tecnologia e capacidades de TI influenciam as escolhas de projeto de negócios no contexto das capacidades, cadeias de valor, processos e canais, tal como apontado na Figura 1 a seguir.

Além disto, as interdependências da AN e da TI clamam por práticas colaborativas e modelos organizacionais que dêem igual ênfase aos aspectos de negócio e de tecnologia.  Muitas iniciativas de EA atualmente não têm um enfoque balanceado, e visões de tecnologia dominam a perspectiva.  Logo, para o EA2010 Working Group um modelo balanceado é a visão da EA a partir de 2010, como mostra a Figura 2 a seguir.

fig 09 01

fig 09 02

Se sua empresa, organização ou instituição deseja entender um pouco mais sobre Arquitetura de Negócio, sinta-se a vontade para nos contatar!

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[1] SOA Consortium (2010). “Business Architecture: The Missing Link between Business Strategy and Enterprise Architecture.  Practitioner Perspective on Enterprise Architecture in the 2010s”.  January.  EA2010 Working Group. 2010 Object Management Group.

[2] http://www.zachmaninternational.com/index.php/the-zachman-framework .

[3] http://www.opengroup.org/togaf/ .

[4] http://www.gao.gov/products/GAO-08-519 .

[5] http://mitsloan.mit.edu/cisr/ .  Esta definição do CISR é a adotada em Cavalcanti (2009a),

Cavalcanti (2009b), e Cavalcanti (2009c).

[6] http://www.architectureasstrategy.com/book/eas/ .

[7] Como eles indicaram no título do trabalho, a Arquitetura de Negócio (AN) é o “elo faltante” entre a estratégia de negócio e a arquitetura empresarial.

 

Cavalcanti, J. C., 2009a., Gestão de Inovação com Ênfase na Gestão de Tecnologias de Informação-TI .  6th CONTECSI- International Conference on Information Systems and Technology Mangement. TECSI. FEA/USP.  Junho.

Cavalcanti, J. C., 2009b. INMATE- Innovation Management Technique: an Innovation Management tool with emphasis on IT-Information Technology.  CENTERIS 2009- Conference on Enterprise Information Systems. October. Ofir, Portugal.

Cavalcanti, J.C., 2009c.  Arquitetura Empresarial: Um Conceito Interface entre a Economia e a Administração da Firm.  Journal of Information Systems and Technology Management Vol. 6, No. 3, 2009, p.525-550.