A nova era de inovação que está transformando o empreendedorismo: as startups da“Corporate Garage”

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Filiados da ANPROTEC- Associação Nacional de Entidades Promotoras de Empreendimentos Inovadores: atenção! Pode ser que no futuro não venha a ser qualificada como uma “nova era”, mas o movimento das grandes corporações (principalmente tecnológicas) rumo a novos papéis no domínio que era antes “celeiro” exclusivo das startups, parece que está ganhando corpo no mundo!

Vamos à origem da constatação deste fenômeno. O redator desta newsletter já havia preparado sua palestra para apresentar no dia 30-08-2012,a convite do Centro de Desenvolvimento Tecnológico – CDT da Universidade de Brasília – UNB, a qual enfatizaria a percepção de um novo fenômeno (um novo empreendedorismo) no qual grandes corporações passaram a apoiar startups no mundo inteiro, e que tal fenômeno ainda não havia sido percebido por qualquer instituição no Brasil, muito menos em documentos oficiais.

Poucas horas após sua apresentação, este redator descobriu (através de um tweet) o artigo intitulado “How To Prepare For The 4th Era ofInnovation”, de Scott Anthony, da empresa Innosight. Neste artigo Scott Anthony se refere a um artigo seu na Harvard Business Review, intitulado “The New Corporate Garage”, que viria a ser publicado na edição de setembro de 2012.

O que Scott Anthony descreve neste seu artigo da HBR é que está havendo uma mudança dramática no mundo da inovação. Ele assinala que a revolução impulsionada por capitalistas de risco décadas atrás criou as condições em que a escala capacita as grandes companhias a parar de inibir inovação e começar a liberá-la.

Segundo ele, ainda é cedo, mas a evidência (como demonstramos na nossa palestra acima citada) é irrefutável de que nós estamos entrando numa “nova era de inovação”, em que indivíduos empreendedores, ou “catalizadores”, dentro das grandes companhias estão usando os recursos destas companhias, sua escala e crescente agilidade para desenvolver soluções para problemas globais de maneiras que poucos outros podem fazer.

As estórias contadas no artigo de Scott Anthony mostram que as companhias tratadas adentraram um território que era antes a província de empreendedores, ONGs, e governos, alterando iniciativas que eram de fornecer tecnologias de cuidados da saúde, água tratada, e novas habilidades agrícolas em países em desenvolvimento, para atividades de gestão de energia, tráfego, transporte público, e crime nas maiores cidades do mundo.

E antes de observar como “catalizadores” promovem estas iniciativas dentro de suas companhias, Scott Anthony tenta descrever os três períodos históricos que nos trouxeram ao presente estágio, ou seja, o que ele chama de a “4ª. era de inovação”, ou da “New Corporate Garage”. Segundo ele, a 1ª. era da inovação – aquela do inventor solitário – foi aquela que varreu quase toda história da humanidade até por volta de 1915, com marcos inovadores como o da imprensa de Gutemberg, o engenho do algodão de Whitney, a lâmpada de Edison, o avião dos irmãos Wright (e, muito certamente nosso Santos Dumont), e a linha de montagem de Ford (de acordo com Scott Anthony, uma inovação que foi tanto um modelo de negócio quanto uma tecnologia).

Com o aperfeiçoamento da linha de montagem, um século atrás, a crescente complexidade e o custo da inovação saíram do alcance do indivíduo, movendo-se mais para os esforços liderados pelas companhias. Uma combinação de perspectivas de longo prazo e burocracias corporativas menos sufocantes significou que muitas organizações estariam felizes em tolerar esforços experimentais. Logo, os heróis desta 2ª. era de inovação trabalharam em laboratórios corporativos, e as corporações evoluíram de exploradores de inovação para criadores de inovação.

As sementes da 3ª. era de inovação foram plantadas no final dos anos 1950 e os anos 1960, à medida que as companhias começaram a se tornar tão grandes e burocráticas para trabalhar nos limites da exploração. O individualismo incansável dos baby boomers (geração que nasceu no pós II Guerra Mundial) esbarrou nas crescentes hierarquias burocráticas. Inovadores começaram a sair das companhias, bandeados com os “rebeldes”, e formaram novas companhias. Dada a escala requerida para inovar, no entanto, estes rebeldes necessitaram novas formas de financiamento. Daí a emergência das startups baseadas nas instituições do venture capital- VC. Estas instituições foram fundamentais para a formação de empresas como Apple, Microsoft, Cisco, Amazon, Facebook, e Google. A vida, no entanto, tornou-se mais difícil para os inovadores em grandes companhias à medida que as expectativas de desempenho de curto prazo dos mercados de capital cresceram.

As tecnologias que nasceram durante esta era e a globalização dos mercados mundiais aceleraram dramaticamente o passo da mudança. Ao longo dos últimos 50 anos o tempo de vida das corporações, por algumas medidas, diminuiu da ordem de 50%. No ano 2000, Microsoft era um monopólio sem limites, Apple estava trabalhando nas margens do mercado dos computadores, o fundador do Facebook Mark Zuckerberg era um estudante do ensino médio, e Google era uma tecnologia em busca de um modelo de negócio.

Este passo acelerado, e as condições e ferramentas que os possibilitaram, nos trouxeram para a 4ª. era de inovação – quando os catalizadores das corporações passaram a ter um impacto transformador (daí o termo Garage, típico das startups). Enquanto as invenções que caracterizaram as três primeiras eras foram tipicamente (mas nem sempre) avanços tecnológicos, as inovações da 4ª. era envolvem mais modelos de negócios, como o são a Amazon, Starbucks, e AutoNation.

Como aqui alertado, ainda é cedo para categoricamente afirmar que estamos numa nova era, mas pelo que apresentamos como evidência na UNB (marcadamente no empreendedorismo na área de TICs- ver slides da palestra acima indicada), e pelo que nos apresenta Scott Anthony, cremos que algo novo está “rolando”, e tal fenômeno é um alerta para os filiados (bem como agregados) da ANPROTEC, que edificaram (na ausência de capital privado empreendedor) seu “modelo de negócio” muito ancorado em iniciativas predominantemente governamentais.

Logo, precisamos urgentemente repensar nossas estratégias acerca da contribuição do movimento das startups, de modo a “capturarmos” as maiores taxas de retorno (privadas e sociais) possíveis tanto das grandes corporações multinacionais não brasileiras aqui atuantes, quanto daquelas brasileiras que ainda não despertaram para esta nova realidade!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre esta nova era do empreendedorismo mundial, fique a vontade para nos contatar!

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