Estruturação e Fomento de Plataformas de TICs: o case dos ERPs

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Defendemos neste espaço que o Brasil não tem gerado multimilionários nas suas indústrias de tecnologia, e, de modo particular, na de tecnologias de informação e comunicação- TICs. As razões que explicam tal fato foram expostas nas newsletters de 26/02/2012 e de04/03/2012.

Também temos defendido que, principalmente na área de TICs, nós no Brasil não temos tido sucesso internacional porque só desenvolvemos uma parte do que denominamos “Trindade Essencial” dos negócios nos dias atuais. Segundo este conceito, para se obter sucesso mundial é necessário a estruturação de Ecossistemas de empresas e organizações que desenvolvam Plataformas de produtos e serviços tecnológicos, os quais estejam assentados em sólidas Arquiteturas de negócios (ver newsletters de 17/06/2012 e de 24/06/2012). No Brasil, por enquanto, só estruturamos os ecossistemas de empresas e organizações de TICs, tais como no Porto Digital de Recife/PE.

Mas o que deve ser feito para estruturarmos “Trindades Essenciais” no país? Em primeiro lugar, é fundamental identificar quais seriam aqueles ecossistemas que teriam grandes chances de desenvolver plataformas repetíveis e escaláveis, mas que, por algumas circunstâncias, ainda não o fizeram.

Vamos tratar, a título de exemplo, um case a partir de um segmento da indústria de TICs nacional. Este segmento pode ser o de Sistemas ERP- Enterprise Resource Planning. Os Sistemas ERP são uma das aplicações-chave de quase todas as empresas acima de um mínimo de complexidade. Os seus conceitos básicos e funcionalidades têm sido desenvolvidos e vendidos por mais de 20 anos, mas o termo foi cunhado pela empresa Gartner (www.gartner.com). Na sua definição original, a funcionalidade dos Sistemas ERP normalmente cobria finanças e contabilidade, compras, gestão de recursos humanos, vendas ou gestão de ordens de consumidores, e gestão de operações. O Gartner agora define ERP num senso mais amplo como “uma estratégia tecnológica na qual transações operacionais de negócios são vinculadas a transações financeiras, especificamente registros de transações contábeis gerais”.

Os sistemas mais maduros de ERP foram desenvolvidos para empresas centradas-em-produtos (product-centriccompanies), e estas empresas usam tipicamente a maioria das áreas funcionais de um sistema ERP. As empresas centradas-em-produtos são tradicionalmente empresas industriais e empresas de distribuição (com foco em compras, armazenamento, movimento, empacotamento, vendas e entregas e serviços associados). As fronteiras entre estes tipos de empresas vêm paulatinamente desaparecendo, com mais empresas industriais distribuindo e servindo seus produtos, o que tem proporcionado maior integração dos ERPs com soluções CRM- CustomerRelatioship Management e SCM- Supply Chain Management.

As empresas líderes no mercado mundial têm sido até então a SAP (www.sap.com, particularmente as soluções SAP Business All-in-One), Microsoft (www.microsoft.com, particularmente Microsoft Dynamics AX), e Oracle (www.oracle.com, particularmente Oracle JD Edwards EnterpriseOne). No território brasileiro, estas empresas internacionais competem com algumas nacionais, tais como a Totvs (www.totvs.com, que detém quase 50% do mercado nacional, e que faturou R$ 1,34 bilhão em 2011).

No entanto, tem havido um grande avanço tecnológico e organizacional neste segmento de mercado que está levando a um reposicionamento das empresas nele atuantes, marcadamente com a chegada de novos players e novas estratégias tecnológicas e organizacionais, fundamentalmente para enfrentar novos desafios de seus clientes (tais como aqueles das empresas multi-entidades, ou seja, empresas que têm múltiplas unidades organizacionais com diferentes ofertas; empresas presentes em múltiplos países com requisitos legais, tributários e estatutários diferenciados; e empresas com entidades que abarcam múltiplos e distintos locais de processos manufatureiros, de vendas e distribuição).

Neste sentido, estão surgindo no cenário internacional empresas com novas arquiteturas orientadas a serviços – SOA (Service OrientedArchitecture), cujas funcionalidades são complementadas com módulos adicionais para BI- Business Intelligence, CRM, SCM e capacidades distributivas, ofertando extensivas capacidades analíticas e acesso móvel(mobile) completo. Mas o mais saliente desta tendência é o movimento em direção ao desenvolvimento de plataformas de soluções repetíveis e escaláveis, particularmente para empresas que atuam na intersecção de manufatura, gestão de projeto e SCM, principalmente em indústrias asset-intensive (intensivas em ativos), tais como defesa, energia, comunicações, construção, e processos manufatureiros.

Deste modo, existe uma janela de oportunidade internacional” para empresas do segmento de ERP para que as mesmas desenvolvam plataformas para atuarem em segmentos antes “isolados/diferenciados”, tais como aquelas que desenvolvem soluções para, por exemplo, gestão de ativos (asset management) de asset-intensiveindustries, tais como aquelas que atuam no setor de energia, telecomunicações, gás, abastecimento d`água, dentre tantos outros. Deste modo, tanto os desenvolvedores de um segmento quanto o do outro (e mais outros ainda não percebidos) podem contribuir para esta mesma plataforma.

Logo, ao invés de ficarmos “passivos” esperando que mais empresas internacionais penetrem nos nossos mercados, eis aí uma janela de oportunidade para que nossas empresas passem a desenvolver plataformas de soluções e, assim, conquistem mais rapidamente do que outras os mercados internacionais que estão ávidos por soluções tecnológica e organizacionalmente mais eficientes, robustas e acessíveis em termos decustos. O próximo passo na sequência lógica que aqui estamos tentando argumentar, é desenvolver arquiteturas de negócios robustas para consolidar a “Trindade Essencial” dos negócios tanto neste segmento, quanto em outros que venhamos a identificar, marcadamente na nossa indústria de TICs.

Se sua empresa deseja saber mais sobre estratégias para Trindades Essenciais, fique a vontade para nos contatar!

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