A indústria do smartphone (celular inteligente)

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Na newsletter da semana passada, apontamos que o smartphone (que simboliza a mais recente convergência tecnológica e organizacional da telefonia móvel, dos serviços da Internet, e os artefatos de computação pessoal) é hoje o dispositivo tecnológico que melhor incorpora o sentido do nosso conceito de “Trindade Essencial” (especificado na mesma newsletter). E um dos (senão o mais importante) responsáveis pela explosão recente da indústria do smartphone foi o iPhone da Apple, comentado aqui na newsletter de 20/08/2011.

Nela comentamos sobre a excepcionalidade do produto olhando para a composição dos seus custos de produção (e correspondente estrutura organizacional de produção), como apontado na figura ali indicada, a qual também apresentava a fatia do mercado global detida pela Apple no segmento de smartphones.

Mas o que sobressai da análise desta indústria do ponto de vista econômico? Em primeiro lugar, como uma indústria de alta tecnologia, ela pode ser melhor analisada se observada como uma rede de empresas interconectadas, ou seja, como um “ecossistema” industrial. E, nos dias atuais, esta indústria vem sendo re-configurada por pelo menos dois dos maiores players da indústria de TICs mundial: Apple, Google (os quais estão corroendo as fatias de mercado da Research In Motion Ltd. e da Nokia Corp.).

Em segundo lugar, esta é uma indústria plataforma; ou seja, uma indústria que se edifica a partir de technologicalbuildingblocks (blocos de construção tecnológica) que atuam como uma fundação sobre a qual uma série de empresas, organizadas como ecossistemas, desenvolve um conjunto de produtos, tecnologias e serviços relacionados (Gawer, 2009 a, b). Plataformas ofertam uma função central, essencial, conformando um “sistema-de-uso”. E elas estão sujeitas aos “efeitos de rede”, os quais tendem a reforçar de maneira cumulativa vantagens prematuras, tais como uma base instalada de usuários, ou a existência de produtos complementares.

Em terceiro lugar, a indústria do smartphone conforma uma arquitetura industrial. Isto é, ela se organiza de modo que as atividades ao longo da cadeia de valor se tornam divididas entre os participantes da indústria, concentrando atenção especial aos papéis das empresas, suas interdependências, e a na maneira pela qual a divisão de trabalho dentro dela é estabelecida (Jacobides et al., 2006)(basta uma observação da figura apresentada na newsletter de 20/08/2011 sobre o iPhone, para se perceber este atributo).

Nestes termos, a indústria do smartphone é uma que consiste de um complexo ecossistema, que se estrutura como uma engenhosa plataforma (produzindo produtos, processos e serviços inter-relacionados), a qual se baseia numa arquitetura industrial especificamente organizada, dimensões estas que conformam o conceito de “Trindade Essencial” que avançamos aqui nesta newsletter na semana passada.

Logo, se nós no Brasil desejamos ter algum sucesso em nossas indústrias e serviços relacionados, particularmente em nossa indústria de TICs, temos que aprender com os exemplos que estão surgindo na indústria de alta tecnologia mundial, não somente em termos dos produtos tecnológicos que lá estão sendo produzidos, mas também nas inovações em estruturas organizacionais e de negócios que tais indústrias estão desenvolvendo!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre estruturas de organização de indústrias de alta tecnologia, fique a vontade para nos contatar!

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Gawer, A., 2009a, ‘‘Platforms, markets and innovation: An introduction’’. In A. Gawer (ed.) Platforms, markets and innovation. Cheltenham, UK andNorthampton, MA: Edward Elgar.

Gawer, A., 2009b, ‘‘Platform dynamics and strategies: From products to services’’. In A. Gawer (ed.) Platforms, markets and innovation. Cheltenham,UK and Northampton, MA: Edward Elgar.

Jacobides, M. G., T. Knudsen and M. Augier, 2006, ‘‘Benefiting from innovation: Value creation, value appropriation and the role of industry architectures’’. Research Policy, 35: 1200–1221.

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