Startups e porque as empresas emergem

09 12

Quem, por acaso, quiser saber o significado mais conhecido sobre o que é uma Startup, é só entrar no site do Steve Blank (http://steveblank.com/, um dos gurus do empreendedorismo internacional) e observar o seu conceito: “A Startup Is a Temporary Organization Designed to Search for A Repeatable and Scalable Business Model”, ou seja: “Uma Startup é uma organização temporária projetada para buscar um modelo de negócios escalável”.

Mas por que uma empresa surge, e busca um modelo escalável? Nos dias de hoje quem está “começando” uma startup (em inglês: quem está “startingup”) “abre uma empresa” por uma variedade de razões. As pessoas podem estar sendo levadas por uma necessidade (a busca de emprego próprio pela falta de melhores opções de trabalho), ou, em contraste, seus esforços podem estar impulsionados pelo desejo de manter ou melhorar sua renda, ou aumentar sua independência; ou seja, os empreendedores iniciam o seu negócio por vislumbrarem uma oportunidade no mercado para empreender.

Os motivos dos empreendedores são o foco do projeto The Global Entrepreneurship Moniotr (GEM), uma avaliação anual da atividade empreendedora, aspirações e atitudes de indivíduos num amplo leque de países (Brasil inclusive), que foi iniciado em 1999 como uma parceria da London Business School e o Babson College (ver http://www.gemconsortium.org), ambas da Inglaterra. O documento do Brasil mais recente, o GEM Brasil, pode ser acessado aqui.

Apesar deste esforço do GEM (de investigar os motivos para criação de uma empresa), a sabedoria popular ainda é pouco informada sobre as razões econômicas de porque as empresas surgem e têm sucesso. O primeiro profissional a se perguntar “Qual é a Natureza da Empresa?” foi o economista Ronald H. Coase, que expôs seu pensamento pela primeira vez em 1931, numa conferência em Dundee, na Escócia.

Ninguém prestou atenção. Cinco anos depois ele publicou um artigo, intitulado “The Nature of the Firm” (A Natureza da Empresa), na revista Economica, em 1937 (baixar aqui). Este artigo permaneceu sem ser lido durante anos. Em 1960 ele voltaria a publicar outro artigo, intitulado “The Problem of Social Cost” (O Problema do Custo Social), que, bem depois, criou as bases intelectuais para a revolução da desregulamentação dos anos 80.

Logo, Prof. Coase adquiriu um exército de seguidores, tais como o Prof. Oliver Williamson, que estendeu as suas ideias. Em 1991 o Prof. Coase recebeu o Prêmio Nobel de Economia (por sua descoberta e clarificação do significado dos custos de transação e dos direitos de propriedade para a estrutura econômica e para o funcionamento da economia), e em 2009 o Prof. Williamson também foi agraciado com um Nobel em Economia (em conjunto com a Profa. Elinor Ostrom, por sua análise da governança econômica, especialmente as fronteiras da empresa).

A principal ideia do Prof. Coase, e que está na base do entendimento da origem as empresa, é simples. Segundo ele, as empresas existem porque “recorrer ao mercado” o tempo todo pode ser algo que imponha altos custos de transação, em atividades consumidoras de tempo (é só lembrar “o mundo” antes de Google: imagine como era saber qualquer coisa sem esta ferramenta de busca?). Uma empresa é essencialmente um artefato para criar contratos de longo-prazo quando os contratos de curto-prazo dão muito trabalho e irritam muito.

Mas se os mercados são tão ineficientes, por que as empresas não crescem para sempre? O Prof. Coase apontou que estas pequenas sociedades planejadas (as empresas) impõem custos de transação delas próprias, que tendem a aumentar à medida que elas crescem. O balanço adequado entre hierarquias (nas empresas) e mercados é constantemente recalibrado pelas forças da concorrência: empreendedores podem escolher baixar seus custos de transação ao gerar empresas, mas empresas gigantes eventualmente se tornam lentas e não competitivas.

O “castelo” teórico e empírico que se seguiu a partir do reconhecimento do conceito dos custos de transação é muito mais amplo do que estas noções introdutórias aqui lançadas. Para os fins desta newsletter é oportuno deixar salientado que os custos de transação vão além dos mais conhecidos custos de produção de bens e serviços, e que eles são fundamentais para a obtenção da escalabilidade que Steve Blank nos recorda em seu conceito de startup. Saber quais são estes custos de transação é o desafio que se coloca. Mas isto fica para outra newsletter!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre custos de transação, fique a vontade para nos contatar!

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