Gastos com TICs, Poder de Compra e Procurement

07 12

A indústria de tecnologia da informação (TI) no Brasil se prepara para receber um forte fluxo de investimentos nos próximos meses. Segundo o jornal Valor Econômico (de 27/02/2012), uma pesquisa do Instituto Sem Fronteira – IFS (http://www.isf.org.br), revelada àquele jornal com exclusividade, realizada com 1.140 empresas, mostra que os orçamentos de TI das empresas no Brasil vão somar R$ 64,6 bilhões neste ano, estabelecendo um novo patamar histórico.

Não sabemos como foram apropriados estes dados, portanto, não sabemos se incluem investimentos em Comunicações ou não. Observando os números recentes divulgados pela Telebrasil (Associação Brasileira das Telecomunicações - http://www.telebrasil.org.br), a indústria de telecomunicações, que compreende as empresas da indústria (que representam 16,0% do setor, em termos de receita operacional bruta), as prestadoras de STFC (1,4%), as prestadoras do SMP (13,9%), as prestadoras de TV por Assinatura (30,7%), e as prestadoras do SME (truncking) (37,0%), investiram R$ 196,4 bilhões de 1998-2010, dos quais R$ 155,9 bilhões nos últimos dez anos 2000-2010; ou seja, uma média de R$ 16 bilhões ano.

Se a conta estiver correta, ou seja, se os R$ 64,6 bilhões de investimentos em TI acima citados estiverem próximos da realidade (e se não incluírem Comunicações), e se a média de investimentos das Comunicações (R$ 16 bilhões ano) se manteve em 2011 e se mantenha em 2012 (na ótica mais conservadora), temos aí um cenário de investimentos em TICs no Brasil de R$ 80,6 bilhões para este ano.   Considerando que o governo “retira” da sociedade cerca de 40% de tudo que ela produz (em termos de carga tributária), logo o governo deverá ser absorvedor (em termos de poder de compra) de 40% destes R$ 80,6 bilhões; ou seja, R$ 32,2 bilhões.

A primeira questão que esta newsletter coloca é a seguinte: como estes R$ 32,2 bilhões de investimentos (lembrando que investimento é a quantidade de bens e serviços comprada por unidade de tempo)em TICsem 2012 no Brasil serão procured (de Procurement/Aquisição) pelo governo, e como os demais R$ 48,4 bilhões serão procured pelo setor privado?

No caso do governo, a legislação no Brasil estabelece que os processos de compra sejam feitos por licitação (um procedimento administrativo para contratação de serviços ou aquisição de produtos pelos entes da Administração Pública direta ou indireta). Aqui no país, para licitações por entidades que façam uso da verba pública, o processo é regulado pela Lei Nº 8666, estabelecida em 1993. Em 2002 entrou em vigor a Lei Nº 10.520, que instituiu uma nova modalidade de licitação denominada pregão, para aquisição de bens e serviços comuns, dando origem também ao pregão eletrônico.

Em geral, nos procedimentos licitatórios no país tem-se um conjunto “teórico” de critérios de seleção (avaliação) do(s) vencedor(es), dos quais os mais importantes são: os critérios de habilitação, os critérios técnicos, o critério de aceitabilidade, o critério de julgamento das propostas, e o critério de desempate.

Na “prática” todos nós sabemos que a “teoria” é “outra”, e que na ausência de objetivos mais “nobres” de procurement (tais como sua vinculação a uma política de governo mais ampla e transparente, como uma política industrial), nem sempre os resultados de licitação (seja no plano federal, no estadual ou municipal) são aceitos “passivamente”, o que a torna hoje em dia um procedimento custoso, lento, e ineficiente, que está com os dias contados (o exercício do “menor preço” como critério de seleção de última instância tem trazido vários inconvenientes à aqueles que o estabelecem).

Outra questão relacionada e que aqui pode ser levantada é a seguinte: será que existe alguma distinção neste arcabouço de procurement brasileiro entre o que é produto, serviço ou solução “inovadores” e “não inovadores”? Ou seja, será que o governo brasileiro compra “feijão e arroz” da mesma forma que compra “software’?

Em resumo, como é que o governo compra inovação?

E isso remete, finalmente, à seguinte indagação: como o setor privado brasileiro está comprando inovação? Será que ele está adotando os critérios de contractoptions - opções de contrato e de spot trading - a compra ou venda de uma moeda ou mercadoria para pronta entrega - que estão sendo praticados no mundo desenvolvido, tal como apresentamos na newsletter da semana passada?

Eis aí um conjunto de perguntas que estão por merecer algumas respostas!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre procurement, fique a vontade para nos contatar!

Creativante 2017 - Todos os direitos reservados