Software como Produto ou como Serviço?

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Numa era de SaaS - Software as a Service e de Cloud Computing, por que a pergunta do título desta newsletter? Algumas são as razões. Umadas mais importantes vem da leitura de um recente livro denominado “The CostDisease: Why Computers Get Cheaper and Health Care Doesn´t” (A Doença do Custo: Porque Computadores Ficam Baratos e os Cuidados com Saúde Não), escrito pelo Prof. William J. Baumol e colaboradores, e publicado neste ano pela Yale University Press.

Neste livro o Prof. Baumol estende uma preocupação sua que vem desde os anos 60, quando ele trabalhou com a questão do crescente custo dos cuidados da saúde, da educação e de outras atividades econômicas conhecidas como “serviços pessoais”. Sua atenção esteve focada numa observação da economista Joan Robinson (1903- 1983) de que estes serviços estão “condenados a subir a uma taxa significativamente maior do que a taxa de inflação da economia”. E isso ocorre devido ao fato de que “é difícil de reduzir a quantidade de trabalho requerida para produzir tais serviços”, um fenômeno que vai em direção oposta à da melhoria da produtividade poupadora de trabalho das atividades da indústria manufatureira, que reduzem os custos de produzir seus produtos mesmo que os salários dos trabalhadores cresçam.

Neste sentido, pergunta-se: será que o uso de software consegue superar este problema da “doença do custo de Baumol” nos “serviços pessoais”? O argumento que aqui se pode colocar é o de que o relativo sucesso das transições de software como produto (Software as a Product - SaaP) para software como serviço (SaaS + CloudComputing) nas atividades econômicas conhecidas como “serviços para empresas” poderá ser estendido aos “serviços pessoais” (superando a “doença do custo de Baumol”) se os problemas atualmente enfrentados nas primeiras forem, de fato, superados.

E que problemas nas transições de SaaP para SaaS são esses? Os recentes avanços em tecnologias baseadas na web têm possibilitado o surgimento do modelo SaaS, em que o software é possuído e gerenciado remotamente pelo vendedor e entregue como um serviço à consumidores com base em subscrições/assinaturas na Internet. Os baixos custos de implementação são repetidamente citados como um motor chave na adoção do modelo SaaS. Apesar dos aparentes benefícios de eficiência no uso de serviços compartilhados, a adoção de SaaS varia ao longo de diferentes aplicações de software, contribuindo desde alguns poucos 3 a 4% em receitas no mercado de Enterprise Resource Planning- ERP, até mais de 75% no mercado de software para web-conferencing. Ou seja, o modelo SaaS oferece vantagens para alguns tipos de aplicação e para alguns clientes, mas não para outros.

Logo, uma questão que vem crescendo em termos de pesquisas econômicas (e de Sistemas de Informação) é entender que fatores impulsionam a adoção, pelos clientes, do modelo SaaS. Um ponto de partida é considerar que a decisão de adoção de um modelo SaaS é uma decisão de outsourcing.   Sendo assim, a decisão para um vendedor é entender se o cliente vai optar por comprar um software (pagando licenças “perpétuas”) para usá-lo em suas dependências (on-premises model) ou se ele vai alugar software (SaaS model), e como aquela decisão pode variar dependendo da aplicação no cliente.

Segundo a Profa. Mingdi Xin, da Paul Merage School of Business, da University of California- Irvine, EUA, alguns dos fatores influenciando tal decisão podem ser o grau desejado de customização do software pelo cliente, o custo do capital, as influências institucionais, e a maturidade da arquitetura de TI. Em seu modelo de análise, nove hipóteses podem ser consideradas numa decisão de outsourcing:

a) Clientes com um alto grau desejado de customização para uma dada aplicação de software são menos prováveis de adotar o modelo SaaS do que um modelo on-premises;

b) Clientes com alta incerteza de volume de demanda para uma dada aplicação de software são mais prováveis de adotar o modelo SaaS do que o modelo on-premises;

c) Clientes com alta incerteza de demanda para funcionalidade especifica para uma dada aplicação de software são menos prováveis de adotar o modelo SaaS do que o modelo on-premises;

d) Incerteza de demanda para uma funcionalidade específica do cliente modera a relação entre o grau de customização desejada e a propensão do cliente em adotar o modelo SaaS para uma dada aplicação;

e) Clientes com um grande número de usuários para uma dada aplicação são menos prováveis de adotar um modelo SaaS do que um modelo on-premises;

f) Clientes com alto custo de capital são mais prováveis de adotar um modelo SaaS do que um modelo on-premises;

g) Clientes que são mais receptíveis à influência de organizações de pares (peer organizations) em sua tomada de decisão de TI são mais prováveis de adotar o modelo SaaS;

h) Clientes com arquiteturas empresariais de TI mais maduras são mais prováveis de adotar o modelo SaaS.

Em resumo, talvez entendendo um pouco mais como se processam estes “fatores versus decisões” nas ofertas dos denominados “serviços empresariais”, e estendê-los aos“serviços pessoais”,nós possamos superar a “doença de custo de Baumol” nestas últimas atividades econômicas, e, assim, possibilitar que o software (como SaaP ou como SaaS) mitigue este intrigante fenômeno!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre modelos SaaP ou SaaS, fique a vontade para nos contatar!

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