Porque as empresas do Porto Digital deveriam abraçar “Modularidade e Modularização como Estratégias de Negócios”!

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Modularidade é uma propriedade de projeto da arquitetura de produtos, organizações e redes de empresas. Modularização é um processo que afeta aqueles projetos enquanto conforma as fronteiras das empresas e os perfis da indústria. Modularidade é um arcabouço cognitivo que guia a categorização e a interpretação de um amplo arranjo de fenômenos econômicos globais. Modularidade como Propriedade e Modularização como Processo são profundamente entrelaçados; enquanto os processos de Modularização são ubíquos (podem estar em toda parte) e perpétuos, à medida que os engenheiros e gestores buscam entender interdependências ao longo das fronteiras do produto e da arquitetura organizacional, a extensão pela qual Modularidade como Propriedade é atingida é sujeita a contingências e deve ser acessada empiricamente. O “frame” (ou seja, a “molduragem”, ou “estruturação”) da Modularidade afeta a estratégia ao instigar uma dinâmica particular – e direcionalidade – na interação entre Modularidade como Propriedade e Modularização como Processo.

Estes aspectos conceituais foram sintetizados e apontados no artigo “Modularity-as-Property, Modularization-as-Process, and `Modularity`-as-Frame: Lessons from Product Architecture Initiatives in the Global Automotive Industry”, publicado por John Paul Macduffie (da Wharton School, University of Pennsylvania, Philadelphia, EUA) no Global Strategy Journal, 3:8-40, de 2013. E por que estes conceitos são importantes para a definição de estratégias de negócios para as empresas do Porto Digital, no âmbito local, e para as empresas brasileiras de TICs (e demais) no geral?

As mudanças tecnológicas recentes, particularmente a digitalização, têm alterado dramaticamente a arquitetura dos processos de produção globais. Ao facilitar a gestão e a transmissão de vastas quantidades de informação, a digitalização tem permitido a codificação de processos industriais altamente sofisticados. Uma vez codificados, os processos podem ser separados em níveis discretos – módulos – e padrões para assegurar que sua conectividade seja estabelecida. A Modularização, por seu turno, tem permitido que atividades, que antes tinham que ser co-localizadas geograficamente e gerenciadas organizacionalmente no interior dos limites que confinam uma empresa, possam se espalhar por grandes extensões geográficas e organizacionais.

Neste sentido, as empresas de TICsem particular deveriam tanto observar características de Modularidade e Modularização de suas atividades quanto aquelas dos seus atuais clientes (para que os mesmos expandam suas atividades e se internacionalizem) e potenciais clientes, principalmente se eles têm atividades no setor industrial. Para dar conta disso, basta que se considere os ativos de TICs de uma organização como exemplos de Modularidade e Modularização a serem trabalhados.

A partir da Figura 1 a seguir, extraída de um trabalho do Center for Information Systemas Research - CISR do MIT (Massachusetts Institute of Technology)/EUA, pode-se observar que existem pelo menos quatro tipos de ativos de TICs que tanto podem ser modularizados quanto podem servir de modularização. Os ativos são os de infraestrutura (que servem para compartilhar serviços e integrar), os transacionais (para processar transações e cortar custos), os informacionais (para prover gestão de informação), e os estratégicos (para que seja possível ganhar vantagem competitiva). Neste sentido, se a empresa, por exemplo, considera que a sua infraestrutura de TICs é modularizada, seus módulos podem tanto migrar para serviços outsourced (terceirizados), e/ou na nuvem (cloud computing), ou podem ser offshored (deslocados para uma empresa estrangeira); e assim, sucessivamente. O mesmo princípio estratégico pode ser adotado aos seus clientes.

Em resumo, as estratégias de Modularidade e Modularização (que em sua trajetória histórica estiveram associadas à produção de alguns mainframes da indústria de TICs, e hoje fazem parte da moderna indústria automobilística mundial) podem muito bem ser pensadas como estratégias não apenas de design (projeto) de produtos das empresas de software e serviços, mas sim como características da produção econômica e da organização interempresas. Reconhecendo isto, muito certamente estaremos (como ecossistemas de empresas e organizações) próximos da concretização da produção de plataformas globais de bens e serviços, assentadas em sólidas arquiteturas de negócios, conformando o que defendemos como a Trindade Essencial dos negócios!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre estratégias de Modularidade e Modularização, fique a vontade para nos contatar!


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