Um Data Center para Pernambuco!

15 13Após apresentação em audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara Federal no dia 24/04/2013, o Ministro das Comunicações (Paulo Bernardo) afirmou que “o governo está estudando políticas para atrair a instalação de centrais de armazenamento de dados (data centers) para o Brasil, inclusive a possibilidade de conceder benefícios fiscais”. Em adição, afirmou que “o principal objetivo seria fazer com que muitas das empresas instaladas no Brasil, que hoje têm seus data centers fora do país, trouxessem essas instalações” (http://glo.bo/16oWK69) (http://on-msn.com/13MVoOd).

Esta afirmação demonstra, ao observador desinteressado, que o Ministro está envidando esforços para contribuir para o desenvolvimento do nosso país ao tentar atrair “armazéns de bits e bytes” (caricatura aqui estabelecida para os “data centers” e para fazer uma analogia com “montadoras de automóveis”) estrangeiros, ou atrair os “armazéns de bits e bytes” das multinacionais desta área que já operam no Brasil, mas usam os “armazéns de bits e bytes” dos seus países de origem.

O observador mais atento poderia se perguntar: por que o Ministro não revela que também está criando mecanismos para que as empresas nacionais criem os seus próprios “armazéns de bits e bytes”, de forma que potenciais empresas clientes do mundo inteiro possam hospedar seus trabalhos de armazenamento e processamento de dados aqui no Brasil, e que possam auferir os benefícios das novas tendências, por exemplo, de Big Data, Analítica e Cloud Computing no nosso território? Não procuraremos dar respostas a esta pergunta!

Assim como em computação é impossível separar hardware de software, no contexto do tratamento das emergentes tendências de Big Data, Analítica e Cloud Computing é praticamente impossível pensar este ambiente tecnológico e de negócios sem mencionar a existência dos Data Centers (Centros de Dados). Um data center, ou computer centre (também datacenter) é uma facilidade/instalação usada para abrigar sistemas computacionais e componentes associados, tais como telecomunicações e sistemas de armazenamento. Geralmente incluem suprimentos de energia redundantes ou de backup, conexões de comunicação de dados redundante, ambientes de controle (ex., ar-condicionado, supressão de fogo) e dispositivos de segurança. Grandes centros de dados são operações em escala industrial usando tanta eletricidade quanto uma pequena cidade, e algumas vezes são uma fonte significativa de poluição do ar, na forma de exaustão de diesel utilizado nos seus geradores de energia (http://en.wikipedia.org/wiki/Data_center).

Alguém poderia perguntar: há data centers no Brasil? Há sim! Infelizmente os dados são precários (e há confusão conceitual, ao se considerar, por exemplo, que provedores de acesso à Internet e empresas de hosting de sites sejam data centers, o que não é verdade!) e só podemos recorrer a fontes externas, como o www.datacentermap.com, que aponta para o seguinte quadro de data centers no Brasil: Belo Horizonte (1), Curitiba (2), Goiânia (1), João Pessoa (1), Joinville (1), Porto Alegre (2), Rio de Janeiro (3), São Paulo (8), e Uberlândia (1). Ou seja: um total de 20 (vinte) data centers no país. Quando comparamos com a situação de alguns BRICs, vemos que a Rússia tem 35, Índia tem 62, a China tem 17 e a África do Sul tem 17. Os cinco maiores detentores no mundo são: EUA (1.135); Reino Unido (188); Alemanha (143); França (122); e Austrália (73).

Uma indagação final poderia surgir: por que o Brasil tem tão poucos data centers? Uma primeira resposta poderia ser que as empresas no Brasil não têm aplicações grandes o suficiente para justificar a construção de um data center (que tem requisitos internacionais rígidos em seu design, montagem e operação, tais como o Padrão TIER da norma TIA 942, da Telecommunications Industry Association). Mas isso não é verdade! Temos sim aplicações que justificam o uso de data centers (tanto é que temos pelo menos 20!). No entanto, por enquanto, a escala de operações de alguns players internacionais (tais como Amazon, Microsoft e Google, dentre tantos) é tão grande, que se torna um tanto difícil competir com eles em termos de preços. Todavia, existem vários riscos associados ao uso de data centers internacionais (fora do nosso ambiente jurisdicional), dentre as quais destacamos questões de privacidade, compliance, lock-in às empresas vendedoras, e também questões de natureza legal.

Entretanto, quando assistimos uma apresentação da Microsoft sobre seu modelo de Cloud Data Centers (em http://www.globalfoundationservices.com/cloud-scale-data-centers.aspx), pode-se concluir que a questão de data centers pode ser mais uma questão de Software Resiliance do que de hardware, e depois de vermos que o Gartner Group está prevendo que em 2016 60% dos novos data centers serão 40% menores (poupando substancial energia elétrica, seu insumo mais caro), enquanto suportarão um aumento de workload de 300%, é possível imaginar que está chegando a hora de termos mais data centers em nosso país!

Logo, podemos concluir que Pernambuco, e seu Porto Digital, ainda não estão na fronteira global da indústria de TICs pela simples ausência de um data center de classe mundial, mas que, pela evolução dos fatos neste setor, a aquisição de um data center não é mais uma questão nem técnica nem financeira!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre data centers, fique a vontade para nos contatar!

OBS: Esta newsletter surgiu após uma conversa com o CEO da única empresa de cloud computing do Porto Digital (a USTORE: http://usto.re), em Pernambuco, Rodrigo Assad, a quem agradecemos seus insights!

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