Quais são as implicações de BIG DATA para a análise econômica?

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Muitos acreditam que “big data” vai transformar os negócios, o governo e outros aspectos da economia. Mas como novos dados devem impactar a política econômica e a pesquisa econômica? Este foi o desafio a que se lançaram os economistas da Stanford University (EUA) Liran Einav e Jonathan D. Levin em seu artigo intitulado “The Data Revolution and Economic Analysis” (A Revolução dos Dados e a Análise Econômica), publicado neste mês maio no National Bureau of Economic Research- NBER dos EUA.

Os autores apontam que bases de dados administrativas de larga-escala e dados proprietários do setor privado podem melhorar em muito o modo como medimos, rastreamos e descrevemos a atividade econômica. Estes dados também podem possibilitar novos desenhos de pesquisa que permitam os pesquisadores rastrear as consequências de diferentes eventos ou políticas. Neste sentido, os autores apresentam alguns dos desafios em acessar e fazer uso destes dados. Eles também consideram se ferramentas de modelagem preditiva de big data que emergiram em estatística e ciência da computação podem ser úteis em Economia.

Os autores iniciam o trabalho descrevendo o que é novo com big data na perspectiva dos economistas, que têm sido usuários de dados sofisticados por um longo período. Em seguida, eles se voltam para os usos de big data que receberam mais atenção, nominalmente a identificação de novos padrões de comportamento ou atividade, e o desenvolvimento de modelos preditivos, que seriam difíceis ou impossíveis com pequenas amostras, poucas variáveis, ou mais agregação. Variações nestes tipos de analítica de dados tiveram um grande impacto em muitas indústrias, incluindo varejo, finanças, propaganda e seguros.

Na sequência, os autores discutem como novos dados podem afetar a política econômica e a pesquisa econômica. De uma perspectiva da política econômica, os autores destacam o valor de grandes conjuntos de dados administrativos, a habilidade de capturar e processar dados em tempo real, e o potencial para melhorar tanto a eficiência das operações de governo quanto em informar o processo de produção da política econômica. De uma perspectiva da pesquisa econômica, os autores enfatizam como grandes e granulares conjuntos de dados podem capacitar novos desenhos de pesquisa, e ilustram com alguns exemplos de trabalhos recentes. Eles oferecem exemplos de como os pesquisadores podem se tornar aptos a observar consequências adicionais de eventos econômicos ou políticas. Eles também consideram se ferramentas de big data, tais como técnicas de mineração de dados, encontram aplicação em Economia (até o presente, como defendem os autores, tais ferramentas não se mostraram aplicáveis, mas eles sugerem que isso pode mudar).

Ao final do trabalho os autores discutem novos desafios associados com big data. Dentre estes estão obter acesso a dados do governo e do setor privado, bem como aos necessários recursos computacionais. Uma segunda, mas igualmente importante questão surge em treinar economistas para trabalhar com grandes conjuntos de dados e várias ferramentas de programação e estatística que são comumente requeridas.

Este é um trabalho que pode ser considerado como pioneiro na reflexão sobre o impacto de big data no domínio econômico. Do ponto de vista de aplicações neste campo, o pontapé inicial foi dado pelo Prof. Hal Varian (hoje Chief Economist Officer do Google), que apresentamos aqui na newsletter de 24/03/2013.

De toda forma, o trabalho aqui reportado é uma excelente contribuição ao pensamento econômico, e demonstra que os economistas estão captando rapidamente os sinais das profundas transformações que estão sendo trazidas pelas novas ferramentas da indústria das tecnologias de informação e comunicação- TICs!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre impactos da análise de big data, fique a vontade para nos contatar!

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