O que representa a parceria da Oracle com a Microsoft e com a Salesforce?

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No final de junho passado o mundo do software empresarial tomou conhecimento de uma nova parceria da Oracle (líder mundial na produção de sistemas de gerenciamento de bancos de dados, com receitas de US$ 37,2 bilhões em 2012) com a Microsoft (outro gigante da indústria de TICs, com receitas de US$ 72,7 bilhões em 2012), e com a Salesforce (da área de sistemas de gestão de relacionamento com consumidores, com receitas de US$ 3,0 bilhões em 2012).

A pergunta que muitos têm feito é: qual(is) foi(ram) o(s) determinante(s) desta nova “cooperação” entre antigos rivais? Nossa resposta mais imediata é a emergência de um novo campo de batalha da indústria mundial de TICs: a Cloud! Para darmos substância a esta resposta, faz-se necessário examinar algumas tendências recentes desta indústria.

Uma primeira tendência, que o editor desta newsletter vem defendendo há algum tempo, é a emergência de um novo vocabulário, ou um novo “ABC” das TICs: (A)nalytics + (B)ig Data + (C)loud Computing (i.e., o crescimento da importância tecnológica e econômica destas três áreas: para detalhes, ver: http://slidesha.re/15ebjHK). Uma segunda tendência é a migração do foco dos negócios das TICs de “informática de usuários” para “informática para empresas” (ver: http://bit.ly/11Y5b5N). E uma terceira tendência é o que Aaron Levie (fundador da Box, empresa da área de gestão de conteúdo: www.box.com) denominou de “a emergência da cloud stack”.

Segundo Levie, há um padrão bem estabelecido no ecossistema de tecnologia de oscilação entre soluções interdependentes e integradas a partir de um único vendedor e a abertura para soluções de um amplo conjunto de players (ou seja, soluções fully integrated versus best-of-breed). Na era dos mainframes e minicomputers as empresas competiam como um bloco proprietário vertical contras as outras empresas. Depois veio a era WINTEL (Windows + Intel) onde se moveu para um mundo competitivo (sem efeitos de rede ou de abundância de padrões) das soluções best-of-breed. A era cliente-servidor (da Internet) foi fruto da constatação de que a heterogeneidade da etapa anterior era proibitiva em termos de custo e tempo. A indústria de software empresarial então passou por um período de consolidação em massa. Então chegamos à cloud, que tem mostrado que a era on-premise (dentro dos escritórios), de integração de soluções empresariais, apresenta grande complexidade para cada solução implementada. Em resumo, com a cloud um consumidor pode acionar qualquer aplicação quase instantaneamente, e um usuário qualquer não precisa mais se preocupar com servidores, armazenamento, networking ou middleware que entregue um sistema de classe mundial; é a emergência da cloud stack!

Mesmo considerando que este argumento de Levie tenha fundamento, há ainda um importante determinante a ser considerado: a sobrevivência econômica destas empresas que agora estão “cooperando”. Como a cloud não é um espaço neutro, mas sim um mercado em exploração, há que ser considerado o fato de que neste campo de batalha há um incumbente de peso estabelecendo estratégias competitivas demarcadoras, como é o caso da Amazon.com.

Com receitas de US$ 61,1 bilhões em 2012, a Amazon.com detém “a maior rede de cloud computing do mundo”, com mais de 500 mil servidores no globo, com 1/3 de todos os usuários da Internet se conectando a ela todos os dias, e atendendo a clientes tais como Netflix, Nasdaq, e mais recentemente a própria CIA. Ou seja, com um faturamento de serviços na cloud que dobra a cada ano, a Amazon.com é o maior, mais inovador e mais lucrativo incumbente da cloud, o que vem despertando a “cobiça” de competidores, que, pelo fato de não terem competido “pelo mercado” da cloud, agora terão que unir forças para competir “no mercado” da cloud (como é o caso das empresas que estão agora “cooperando”).

Estamos, finalmente, atravessando um período muito fértil mudanças na indústria mundial das TICs; resta saber quais serão os novos passos de outros importantes players desta indústria, e como tudo isto irá moldar o comportamento de indústrias “seguidoras”, como é o caso da indústria de TICs do Brasil!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre tendências na indústria mundial de TICs, não hesite em nos contatar!

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