O quê empreendedores podem aprender com a Teoria Schumpeteriana do Crescimento Econômico?

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Em Economia a destruição criativa, ou criação destrutiva, é um conceito popularizado pelo economista austríaco Joseph Schumpeter em seu livro Capitalismo, Socialismo e Democracia (1942). Esta noção descreve o processo de inovação, que tem lugar numa economia de mercado, em que novos produtos destroem empresas velhas e antigos modelos de negócios. Para Schumpeter, as inovações dos empresários são a força motriz do crescimento econômico sustentado no longo-prazo.

Ao longo dos últimos 25 anos alguns economistas (dentre estes se destacam os Professores Philippe Aghion, da Harvard University e Peter Howitt, da Brown University, ambas nos EUA) desenvolveram o que é hoje denominado de a “Teoria Schumpeteriana do Crescimento Econômico” (aqui abreviada como TSCE). Esta teoria operacionalizou a noção de destruição criativa de Schumpeter ao, primeiramente, desenvolver modelos que trazem novas luzes ao entendimento do processo de crescimento, e, em segundo lugar, ao usar dados, incluindo ricos acervos de micro dados, para confrontar as previsões que a distinguem de outras teorias.

Durante este período a TSCE se desenvolveu em um arcabouço integrado para entender não somente a estrutura macroeconômica do crescimento, mas também as muitas questões microeconômicas relacionadas a incentivos, políticas e organizações que interagem com o crescimento: quem ganha e quem perde com as inovações, e quais são as rendas líquidas da inovação, sendo estas dependentes, em última instância, de características tais como proteção dos direitos de propriedade, competição e abertura, educação, democracia, e, de outras foram, de países ou setores em diferentes estágios de desenvolvimento. Mais recentemente assistimos a emergência de uma nova geração de modelos de crescimento schumpeteriano focando em dinâmica de empresas e realocação de recursos entre incumbentes e novos entrantes.

Em um artigo recente, os dois Professores acima citados (em co-autoria com Ufuk Akcigit, da University of Pennsylvania, EUA) discutem 04 (quatro) conjuntos de aspectos nos quais a TSCE faz distintas previsões. Em primeiro lugar, a relação entre crescimento e organização industrial: um crescimento mais rápido impulsionado por inovação é geralmente associado com taxas mais altas de movimentação, i.e., taxas mais altas de criação e destruição, de empresas e empregos; além do mais, a competição/concorrência parece estar mais correlacionada positivamente com crescimento, e a política de defesa da concorrência tende a complementar a política de patentes. Em segundo lugar, a relação entre crescimento e dinâmica das empresas: pequenas empresas saem (do mercado) mais frequentemente do que grandes empresas; condicionadas pela sobrevivência, pequenas empresas crescem mais rápido; há uma correlação fortemente positiva entre o tamanho da empresa e a sua idade; finalmente, a distribuição do tamanho da empresa é altamente enviesada. Em terceiro lugar, a relação entre crescimento e desenvolvimento com a noção de instituições adequadas: nominalmente, a ideia de que diferentes tipos de políticas ou instituições parecem ser estimuladores de crescimento em diferentes estágios do desenvolvimento. Em quarto, e último lugar, a relação entre crescimento e ondas tecnológicas de longo-prazo: porque tais ondas estão associadas com um aumento no fluxo de entrada e saída de empresas; porque elas (as ondas) podem inicialmente gerar um decréscimo em produtividade; e porque elas (as ondas) podem aumentar a desigualdade em salários tanto entre grupos educacionais quanto no interior destes grupos.

Os autores do artigo chegam a um conjunto de conclusões importantes neste artigo. No entanto, na visão desta newsletter, uma conclusão em particular merece um destaque específico. De acordo com os autores, a TCSE (ao reconciliar crescimento e desenvolvimento) traz, de forma particular, a noção de instituições e políticas adequadas, ou seja, a ideia de que o que promove crescimento em um setor (ou país) que esteja “muito abaixo” da fronteira tecnológica mundial - FTM não é necessariamente o que promove crescimento em um setor ou país que esteja na FTM, onde a criação destrutiva desempenha um papel importante.  E a principal previsão é: quanto mais próximo da FTM estiver uma economia, mais o crescimento é puxado mais por instituições e políticas de inovação do que por instituições e políticas de imitação.

Dito de outra forma, como o Brasil não está na fronteira tecnológica mundial - FTM, as inovações de seus empresários/empreendedores, bem como suas instituições e políticas, não representam a mesma força para o crescimento econômico que as inovações dos empresários/empreendedores dos países da FTM (*). Neste sentido, como não podemos “trocar” nossos empresários/empreendedores, o que podemos fazer para mudar nossas instituições e políticas para podermos contribuir de forma mais substantiva com inovações para o crescimento econômico? Eis aí um grande desafio!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a teoria schumpeteriana de crescimento econômico, fique a vontade para nos contatar!

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(*) Como evidência que a TCSE pode, de alguma forma, ajudar a explicar o crescimento econômico brasileiro, basta recordar que a fase de crescimento recente (entre 2003 e 2010, de 4,0% ao ano em média) não foi impulsionada por inovações de brasileiros!

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