Há razão para o atual pessimismo com a economia brasileira?

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Nos últimos meses, intensificou-se muito (no país) uma “maré de pessimismo” com a economia brasileira. Esta newsletter se pergunta: há alguma razão especial para o atual pessimismo com a economia brasileira? A resposta é a seguinte: a razão principal por trás deste “pessimismo” é uma avaliação negativa da atual condução da política econômica! Mas apesar dos erros e atropelos do atual governo federal (e a despeito dele), acreditamos que a economia brasileira sobreviverá a tais atrapalhadas e, voltará a crescer, assim como já o fez no período recente de 2003 a 2010; só que, por outras razões!

Um dos únicos especialistas a fazer projeções “remando contra a maré de pessimismo” que assola o país, é o economista Francisco Lopes, da Macrométrica, e ex-Presidente do Banco Central do Brasil. Em artigo publicado no jornal Valor Econômico de 17/07/2013, Francisco Lopes defendeu: “o PIB- Produto Interno Bruto do Brasil está crescendo 4% ao ano”.

Neste artigo, Francisco Lopes observou as estatísticas do IBC-BR (Índice de Atividade do Banco Central), índice desenvolvido pelo Banco Central conhecido como uma “prévia” do PIB, o qual é divulgado pelo IBGE. Ao utilizar os dados trimestrais do IBC-BR (que no momento do artigo só continha os dados até maio de 2013), comparando-os com os dados trimestrais de 2012, Francisco Lopes observou que, mesmo simulando um índice para junho de 2013 em queda de 2,5% em relação a maio, a variação em doze meses para o PIB do segundo trimestre deste ano seria de 3,95%. Ou seja, para ele pareceu (em julho de 2013) grande a probabilidade de que a taxa de crescimento em quatro trimestres do PIB do segundo trimestre ficaria muito próxima de 4% ao ano.

Durante a semana que passou o Banco Central divulgou o IBC-BR de junho de 2013. E, ao contrário da grande maioria dos observadores da economia brasileira, Francisco Lopes confirmou sua previsão feita no artigo de julho: “o IBC-BR está mostrando, nos últimos 12 meses, que a economia cresceu 3,97%, praticamente 4%, e não vi ninguém falando sobre isso”, declarou Francisco Lopes ao mesmo jornal Valor Econômico em matéria publicada no dia 16/08/2013.

Segundo esta mesma matéria, Francisco Lopes é cauteloso com relação ao desempenho futuro da economia. Mas enquanto a maioria dos analistas espera um terceiro trimestre muito ruim, e estão fazendo estimativas para o crescimento do PIB de 2013 para 2% ou menos, a estimativa da Macrométrica (que Francisco Lopes é sócio) é de expansão de 3,5% no crescimento para os trimestres que virão (em relação aos mesmos períodos do ano passado), o que geraria um crescimento anualizado de 3%.

Esta newsletter tende a concordar com as estimativas da Macrométrica e aponta algumas razões para este posicionamento. Em primeiro lugar, a economia dos Estados Unidos começa a demonstrar fortes sinais de que sua recuperação (da crise de 2007/2008) é para valer. Uma série de dados econômicos recentes tem aumentado as expectativas de que os 17 países da zona do euro, depois de seis trimestres de contração, passaram a registrar crescimento. E na Ásia, apesar da expansão da economia chinesa ter desacelerado há 13 trimestres consecutivos (depois de um período de três décadas de um crescimento médio do PIB de 9,8%), um dos principais especialistas sobre China, o Professor Justin Yifu Lin (ex-economista-chefe e vice-presidente sênior do Banco Mundial, professor e reitor honorário da Faculdade Nacional de desenvolvimento da Universidade de Pequim), em artigo recente (reproduzido no Valor Econômico de 13/08/2013) afirmou que se seu país aprofundar suas reformas pautadas pelo mercado, a China poderá materializar seu potencial de crescimento anual de 8% para o período de 2008 a 2028.

À luz do exposto, cremos que precisamos nos orientar não pelas atrapalhadas na condução econômica do atual governo, mas sim pela recuperação mundial que se avizinha, depois de termos passado por uma grave crise econômica internacional, a qual nem de longe deveria ter sido considerada como uma “marolinha”!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre indicadores econômicos, fique a vontade para nos contatar!

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