Empreendedorismo Estratégico

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O termo empreendedorismo é largamente utilizado há algum tempo entre acadêmicos e praticantes ao redor do mundo. No entanto, o termo empreendedorismo estratégico- EE tem uma origem mais recente e um âmbito mais focalizado. De acordo com Hitt e outros (2002), EE se refere a mudanças extensivas em operações estabelecidas, onde a integração entre a busca de oportunidade empreendedora e ações para busca de vantagem estratégica é uma característica chave e um gerador de inovação, crescimento da empresa e criação de riqueza.

EE envolve a integração de duas disciplinas: Empreendedorismo e Gestão Estratégica. A primeira consiste de ações, e comportamentos condutivos, para identificar e explorar oportunidades lucrativas no ambiente. A segunda compreende um conjunto de ações projetadas para atingir vantagem competitiva e resultados melhores que a média através de seleção, inteligente e baseada em fatos, entre alternativas que levem a tal vantagem. Em outras palavras, EE pode ser definido como um processo que guia a tomada de decisão e os esforços gerenciais para identificar as melhores oportunidades (com os mais altos potenciais de retorno), explorando-as, então, através de ações estratégicas.

Desde 2007 a Strategic Management Society (http://strategicmanagement.net/), entidade sem fins lucrativos fundada em 1981, com sede em Chicago/EUA, edita o Strategic Entrepreneurship Journal, publicado pela editora Wiley. Este journal tem 10 áreas de interesse: Empreendedorismo e Crescimento Econômico; Mudança; Risco e Incerteza; Inovação; Criatividade, Imaginação e Oportunidades; Estratégia versus Empreendedorismo; Tecnologia; Papel Social do Empreendedorismo; Características Comportamentais da Atividade Empreendedora; Ações Empreendedoras, Inovação e Apropriabilidade.

Em recente artigo neste journal, intitulado “How Strategic Entrepreneurship and Institutional Context Drive Economic Growth” (Como Empreendedorismo Estratégico e Contexto Institucional Dirigem Crescimento Econômico), 7:50-69 (2013), Christian BjØrnskov e Nicolas Foss apresentam o seguinte resumo:

“A economia do crescimento tem mostrado que países crescem ao alocarem melhor quaisquer recursos que estejam à sua disposição, e ao introduzirem inovações incrementadoras de produtividade. O empreendedorismo estratégico desempenha um papel chave neste processo ao buscar, combinando, tentando, etc., novas combinações de recursos na perseguição de lucros sob incerteza. As instituições que dão suporte à liberdade econômica permitem tais experimentações acontecerem a baixos custos de transação, influenciando positivamente a produtividade total dos fatores. Nós testamos estas ideias com um painel de conjunto de dados único derivado de Compendia, dados do Banco Mundial, e dados do Fraser Institute.”

Os autores apontam neste artigo que o empreendedorismo na forma de start-ups e o empreendedorismo estratégico exercido por empresas estabelecidas têm sido frequentemente relacionados ao processo de crescimento, da mesma forma que características institucionais. No entanto, poucos trabalhos consideraram ambos determinantes simultaneamente (tal como eles o fizerem neste artigo), talvez devido às dificuldades envolvidas em caracterizar instituições e empreendedorismo no mesmo modelo, ao mesmo tempo em que se trata o problema de assegurar dados confiáveis sobre empreendedorismo.

De qualquer forma, os autores apresentam resultados de estimativas para os principais efeitos do empreendedorismo (de 25 países ao longo de intervalos de tempo de 5 anos entre 1980 e 2005) e das instituições na produtividade total dos fatores- PTF. Sendo assim, eles mostram que enquanto o empreendedorismo impacta fortemente e significativamente a PTF, os resultados somente parcialmente dão suporte à intuição de que as instituições de liberdade econômica, bem como políticas de liberalidade econômica, promovem a PTF.

Eis aí uma boa evidência de que o empreendedorismo, quando pensado estrategicamente, pode contribuir para um relevante objetivo econômico. Principalmente para o Brasil, onde estamos convivendo com “pibinhos, inflação alta e desindustrialização, que são sintomas da baixa produtividade do país, que tem a ver com o atraso tecnológico, a escala reduzida e a falta de especialização que caracterizam nossas empresas de modo geral”, como nos aponta o economista Edmar Bacha (em artigo intitulado “Abrir ou abrir, eis a questão”, no Valor Econômico de 27/09/2013).

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre empreendedorismo estratégico, não hesite em nos contatar!


Referência:

Hitt MA, Ireland RD, Camp SM, Sexton DL. 2002. Strategic Entrepreneurship: Creating a New Mindset. Blackwell: Malden, MA.

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