Neutralidade de rede, aplicações OTT e novas oportunidades

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Há um debate rolando no Brasil que diz respeito ao Marco Civil da Internet. Neste debate um tema de fundamental importância é o da neutralidade da rede. São vários os stakeholders (interessados) nesta discussão: as operadoras de telecomunicações (telecom), as empresas que prestam serviços usando estas telecomunicações, as empresas que desenvolvem aplicações a partir destes serviços, e os usuários em geral (para um posicionamento sobre esta discussão, e seus detalhes, ver este post do Prof. Silvio Meira).

O que este debate conforma é aquilo que há muitos anos um conhecido escritor gostava de distinguir entre as noções “essência e aparência”: na aparência ocorre um conjunto de fatos e manifestações, mas na essência o que está em jogo é muito mais do que aparece. Neste sentido, é fácil argumentar que o que verdadeiramente está “em jogo” é a redefinição dos papéis das operadoras de telecom em um mundo em que as inovações (e suas receitas proporcionais) estão ocorrendo (em grande intensidade e velocidade) fundamentalmente nos mercados de serviços e aplicações.

Para tanto, basta observar como algumas das operadoras internacionais estão se reposicionando, e, marcadamente, no que algumas delas estão denominando de OTT (que significa Over-The-Top, ou seja, aplicações que usam conteúdo sobre as infraestruturas das telecoms). E o que são estas aplicações OTT?

Segundo Rimma Perelmuter, Diretora Executiva da MEF (associação internacional comercial de empresas que querem monetizar seus produtos e serviços via plataformas móveis), utilizando dados da OVUM, as operadoras de telecom vão perder algo como US$ 54 bi em receitas de SMS em 2016 devido à crescente popularidade de social messaging, mais do dobro do que os US$ 23 bi que elas esperam ter perdido no final de 2012. Este declínio mostra uma clara correlação com o surgimento dos serviços OTT que contornam as redes das operadoras ao oferecerem serviços gratuitos de comunicação como SMS e chamadas de voz via uma permissão de transmissão de dados móvel, ou por uma conexão WiFi.

Como afirma a Sra. Perelmuter, “como usuários nós estamos habituados a serviços não-de-operadoras como os do Google, Skype e Facebook, mas a ameaça não vêm destes provedores gigantes de OTT. Pequenos players, baseados em aplicações, tais como WhatsApp, Viber, Vopium e Nimbuzz estão entrando o mercado e cavando um nicho de negócios de sucesso. A empresa analista do mercado mobile mobileSQUARED, por exemplo, estima que há 75 milhões de usuários WhatsApp globalmente, e isto está projetado a aumentar para 250 milhões em 2016. No presente, usuários WhatsApp estão enviando 2 bilhões de mensagens por dia, o que equivale a 27 mensagens por usuário por dia, e processaram um total de 18 bilhões de mensagens na véspera do ano ano (2012/2013)”.

Mas o que mais chama a atenção para as oportunidades nas chamadas aplicações OTT, são aquelas aplicações envolvendo a TV conectada. Enquanto o consumo de vídeo online tem se tornado uma atividade crescentemente mainstream, o uso da TV conectada para acessar serviços de TV entregues pela internet, e outras aplicações, está ganhando espaço. Grandes nomes nesta área de provedores OTT VoD (video-on-demand) são Google (através do Google Play), Hulu, e Netflix, têm serviços e marcas suficientes para induzir significativos números de consumidores para o mercado VoD (sem falar em nomes como Apple, Xbox Live e Sony).

Em resumo, o que está em jogo nesta discussão sobre o futuro da internet é um conjunto de inovações, e conformações de novos mercados, para os quais as tradicionais telecoms têm que se reposicionar (aliás, é o que algumas telecoms europeias já estão fazendo, como é o caso da http://weve.com/partners). Logo, não nos deixemos iludir pelas aparências!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre OTT, não hesite em nos contatar!

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