Alianças estratégicas, joint ventures, redes, plataformas, etc.: modos alternativos de re-organização no setor de TICs no Brasil

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Na newsletter de 26/05/2013 apontávamos que a indústria de TICs do Brasil estava na 60ª (sexagésima) posição no ranking de 142 países pesquisados pelo The Global Information Technology Report- GITR 2013” (Relatório Global de Tecnologia de Informação- RGTI 2013) do World Economic Forum, através do seu Networked Readiness Index – NRI (Índice de Preparo em Rede - IPR), posição que não é compatível com um país que ocupa a 7ª posição no ranking do Produto Interno Bruto- PIB mundial, de acordo com os dados do Fundo Monetário Internacional - FMI.

Por que será que estamos “tão mal na foto internacional”? Existem algumas respostas; uns acreditam que o problema está no fato de que o domínio das grandes corporações multinacionais estrangeiras é grande; outros indicam que nós não desenvolvemos inovações de ruptura capazes de gerar empresas de dimensões internacionais. Mas uma resposta que podemos avançar neste curto espaço é que nós talvez não estejamos explorando adequadamente modos alternativos de organização neste setor (tais como alianças estratégicas, joint ventures, redes, franquias, e por aí vai). Talvez nós estejamos muito voltados em “apostar” que o “caminho para o sucesso” é o desenvolvimento de “empresas nacionais” (pulverizadas) de TICs (inclua-se aqui o recente incentivo ao fomento das “start ups”).

Segundo a SOFTEX - Associação para a Promoção da Excelência do Software Brasileiro, a indústria brasileira de software e serviços - IBSS é composta por mais de 70 mil empresas, que geram receita líquida em torno de US$ 40 bilhões e fornecem trabalho para 604 mil pessoas (já a receita líquida do setor de TICs, segundo a SOFTEX, está estimada em U$ 150 bilhões para 2013). Ou seja, será que para ficarmos “bem na foto internacional” nós deveremos continuar a apostar unicamente nestas mais de 70 mil empresas, ou haveria outros modos de organização deste setor?

Segundo o novo enfoque institucional para a organização econômica (que pode ser observado a partir, por exemplo, do Handbook of New Institutional Economics - Manual da Nova Economia Institucional), editado em 2008, existem três meios alternativos de organizar a produção econômica: através das trocas espontâneas do mercado, através de transações organizadas hierarquicamente dentro da empresa, ou através de formas plurais intermediárias (também chamadas de híbridas) de contratação da produção (como por exemplo, através de alianças estratégicas, joint ventures, plataformas, etc.).

De acordo com esta nova visão, os custos de governança nestes três meios variam com a especificidade dos ativos (k) transacionados na economia: com tecnologias de propósito geral dominadas por todos, o mercado [M(k)] seria a melhor alternativa; mas à medida que os ativos se tornam específicos e as tecnologias passam a ter propósito específico, com atributos cooperativos adaptativos específicos, as formas híbridas [X(k)] passam a ser mais custo-efetivas, e, em seguida, a forma hierárquica [H(k)] pode vir a ser a mais interessante, como mostra a figura 1 à frente, e que foi estabelecida pelo Prof. Oliver Williamson, prêmio Nobel de Economia de 2009.

Ou seja, por uma simples olhada na figura 1, pode-se inferir que, talvez, a forma que escolhemos de organizar o setor de TICs através (exclusivamente) das mais de 70 mil empresas (pulverizadas) do mercado não seja a melhor maneira de organizar a produção deste setor (assumindo como hipótese extremamente restritiva que as grandes corporações multinacionais internacionais não constituam o foco do mercado nacional). Como não é possível imaginar que toda a produção deste setor seja integrada em uma empresa (na forma hierárquica), resta-nos crer que o setor de TICs poderia ser reorganizado a partir de formas híbridas de organização, tais como as alianças estratégicas, as joint ventures, as plataformas, e por aí vai. Talvez assim possamos encontrar a escala e o escopo que precisamos para melhorarmos nossa condição na foto internacional do setor!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre novos enfoques institucionais para a organização econômica, fique a vontade para nos contatar!

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