Bases para um Plano Estratégico para o Setor de TICs no Brasil (Parte 1)

07 14Este é um ano decisivo para o futuro do Brasil: é um ano onde serão feitas escolhas públicas para a Presidência da República e para os principais representantes dos estados da federação. Não é um ano qualquer; é um ano onde a população brasileira (marcadamente mais de 100 milhões de eleitores) irá decidir sobre um importante conjunto de coisas que irão afetar o futuro deste grande país.

Uma questão central a ser refletida neste ano é sobre o que desejamos para o futuro da nossa indústria de tecnologias de informação e comunicação – TICs.   Afinal, estamos entre o 4° (quarto) e o 7° (sétimo) maiores mercados do mundo em termos de faturamento (dependendo do escopo do mercado): segundo divulga a BRASSCOM – Associação Brasileira das Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação, baseando-se em dados do IDC, o mercado brasileiro de TICs passou a ocupar (em 2012) o 4° lugar entre os maiores do mundo, mas a ABES- Associação Brasileira das Empresas de Software publica que ocupamos desde 2012 a 7ª (sétima) posição no ranking mundial de investimentos em TI e também em software e serviços.

No entanto, como apontamos na newsletter de 26-05-2013, segundo dados do World Economic Forum nossa indústria de TICs se encontra na 60ª (sexagésima) posição (dentre 142 países) em termos do ambiente, do preparo, do uso e do impacto que esta indústria tem na economia e sociedade brasileiras quando se observa o Índice de Preparo daquele fórum. Adicionalmente, num momento em que a inovação é internacionalmente reconhecida como chave para o desenvolvimento das empresas e das nações, o Brasil ocupa o 64º (sexagésimo quarto) lugar no Índice Global de Inovação, numa lista com 142 países, segundo estudo da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI).

Afinal, como entender este paradoxo: somos um dos maiores mercados de TICs do mundo, no entanto temos uma das indústrias de TICs (cruciais para a infraestrutura da nova Economia do Conhecimento) menos efetivas em termos de contribuição para a economia e sociedade? Existem várias maneiras de interpretar este fenômeno, mas, de forma pragmática, o caminho inicial é estabelecer um diagnóstico das causas deste fenômeno, depois tentamos estabelecer um consenso mínimo sobre este diagnóstico, e partimos para estabelecer as bases para a superação do problema a ser enfrentado.

Nestes termos, qual é o nosso diagnóstico? O que iniciaremos nesta newsletter é o levantamento de um conjunto inicial de reflexões (aberto a críticas e sugestões) que nos levem a uma proposição de elementos básicos para um Plano Estratégico para o setor de TICs no Brasil. Sendo assim, ousaremos afirmar que a indústria brasileira de TICs está assentada em um modelo institucional que perdeu sua capacidade de exercer externalidades positivas (benefícios) para seus principais agentes. No entanto, isso não se deve necessariamente à estrutura e à dinâmica desta indústria, mas sim à forma como a economia brasileira se estruturou ao longo de vários anos.

Nós vivemos num dos países mais fechados do mundo ao comércio exterior! Isso é também paradoxal, porque, ao mesmo tempo, somos um mercado muito atraente para o investimento direto das multinacionais. Nós estamos muito isolados do comércio internacional, com exportações de apenas 12,5% do nosso PIB, e isto representa menos de 1,3% do total mundial em 2012. Como nos aponta o economista Edmar Bacha (um dos Pais do Plano Real), medido pelo PIB, o Brasil responde por 3,3% do total do mundo – número 2,5 vezes maior que nossa participação mundial nas exportações.

Consequentemente, nossa indústria de TICs está mais voltada para este mercado de 3,3% do PIB total do mundo, e não para os 96,7% “restantes”: as multinacionais das TICs estão aqui no nosso território (e são bem vindas!) porque nós somos um interessante mercado consumidor (e não produtor), mas as nossas “multinacionais” de TICs (apesar de já existirem) ainda são insignificantes quando observamos a dimensão de 96,7% do PIB mundial. Ou seja, pensando estrategicamente, o mercado é o mercado internacional!

Neste sentido, precisamos urgentemente repensar o modelo institucional no qual a indústria brasileira de TICs se desenvolveu nos últimos anos (marcadamente voltado para uma economia fechada), de forma a redesenhá-lo para os desafios de uma economia que necessariamente deverá ser mais aberta (esperamos que os brasileiros assim reflitam nas eleições deste ano), mais dinâmica e, certamente, mais global!

Na próxima newsletter voltaremos a tratar sobre as bases para um Plano Estratégico do Setor de TICs no Brasil!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o futuro do setor de TICs no Brasil, fique a vontade para nos contatar!

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