Bases para um Plano Estratégico para o Setor de TICs no Brasil (Parte 2)

08 14Na newsletter da semana passada iniciamos uma discussão com o título acima. Ao apontarmos o “paradoxo da indústria de TICs do Brasil” (somos o 4° maior mercado de TICs do mundo, mas esta nossa indústria está na 60ª posição mundial em termos de preparo, uso e impacto na economia e sociedade), diagnosticamos que uma das razões para isso reside em que o seu modelo institucional perdeu a capacidade de gerar benefícios. E a raiz desta perda tem origem na estrutura fechada (ao comércio internacional) da economia do Brasil. Logo, para superar aquele paradoxo, nossa indústria de TICs deve considerar estrategicamente que a saída está no mercado internacional. Nesta newsletter vamos levantar algumas propostas que possam contribuir para um debate sobre um Plano Estratégico para o setor de TICs no país.

Estudos que demonstrem a exaustão do modelo institucional desta indústria não faltam. Em termos da Lei de Informática (um dos principais pilares desta indústria), apontamos na newsletter de 13-10-2013 para dois trabalhos a este respeito, bem como para a necessidade de repensar esta lei. Estudo recente, patrocinado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento- BID, faz uma análise sobre os incentivos fiscais à pesquisa, desenvolvimento e inovação no Brasil (marcadamente sobre as políticas públicas, e de forma particular, sobre a Lei de Informática, que representa a maior parcela dos incentivos fiscais à inovação no país, e sobre a Lei do Bem, decorrente da Lei de Inovação, de 2004).

Os resultados deste trabalho demonstram que a Lei da Informática se mostra não efetiva no estímulo à pesquisa e desenvolvimento nas empresas, não sendo capaz de dotar as empresas produtores de bens relacionados à tecnologia de informação e comunicação de competitividade internacional. Por outro lado, a Lei do Bem apresenta resultados positivos, porém modestos, com um impacto médio entre 7% a 11% de aumento no nível de investimento em P&D&I interno às empresas.

Quais seriam então as novas bases para repensar o setor de TICs no Brasil? Em primeiro lugar, precisamos pensar em termos de escala e visibilidade. Tendo como premissa (apontado na newsletter passada) que o mercado relevante é o mercado internacional, precisamos criar novos mecanismos para que nossas empresas conquistem a necessária escala internacional. E neste sentido, precisamos olhar principalmente para as nossas empresas de alto potencial de crescimento (que devem ser da ordem de 35 mil no país, sejam elas produtoras ou usuárias de TICs), como discutimos nas newsletters dos dias 09-03-2014 e 16-03-2014. Em termos de visibilidade, precisamos saber quem são estas 35 mil empresas, o que fazem, e o que podem fazer, a partir do Brasil, para conquistar o mundo.

Precisamos também pensar em termos de complementaridades. Temos argumentado aqui neste espaço, bem como em fóruns acadêmicos ou não, que nossa indústria de TICs é formada por um grande conjunto de vários ecossistemas de empresas de tecnologia e organizações correlatas (dispersos nos estados da federação), mas que estes ecossistemas não estão plenamente voltados para a geração de plataformas de produtos e serviços globais – atreladas às, ou independentes das, cadeias de valor mundiais), nem tampouco estão assentados em arquiteturas sólidas de negócios; ou seja, nossa indústria não cumpre os requisitos de sucesso global do conceito de Trindade Essencial (que defendemos nesta newsletter), como ocorre em centros dinâmicos de tecnologia e inovação mundiais, tais como o Vale do Silício, nos EUA.

E, finalmente, precisamos pensar em novos mecanismos de funding e financing. Há alguns anos era comum se dizer (no âmbito da indústria de TICs nacional) que “não havia recursos suficientes” no país para fomentar a inovação (requisito central para um setor que é pautado por P&D e inovações) e para financiar a alavancagem das empresas. Os últimos anos demonstraram que esta questão foi “parcialmente resolvida”; de um lado, há mais fontes de recursos no país (a indústria de venture capital e private equity, bem como o mercado de capitais, evoluíram), mas, por outro lado, ainda há uma série de entraves ao acesso a estes recursos, tanto pela falta de bons projetos quanto pela falta de talentos para a produção e para a análise de projetos de tecnologia e inovação.

Em resumo, essas são algumas das ideias que podemos colocar, de forma breve, para uma reflexão sobre novas bases para um Plano Estratégico para o Setor de TICs no Brasil!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o futuro do setor de TICs no Brasil, fique a vontade para nos contatar!

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