As Cadeias Globais de Valor – CGVs e as TICs (Parte 1)

13 14As Global Value Chains - GVCs, ou Cadeias Globais de Valor - CGVs, tornaram-se uma característica dominante do comércio internacional e do investimento, envolvendo economias em desenvolvimento, emergentes e desenvolvidas. O processo geral de produzir bens, desde as matérias-primas até os produtos finais, é crescentemente conduzido em qualquer lugar onde as habilidades e os materiais necessários estejam disponíveis, a custos competitivos e com qualidade. A fragmentação internacional da produção é conduzida por mudanças nos negócios e no ambiente regulatório, por novas tecnologias, por mudanças no pensamento corporativo e nas estratégias das empresas, e pela sistemática liberalização do comércio e do investimento ao longo das duas últimas décadas.

Este é o início do documento intitulado “Implications of Global Value Chains For Trade, Investment, Development and Jobs” (Implicações das Cadeias Globais de Valor para o Comércio, Investimento, Desenvolvimento e Empregos”), preparado pela OECD, WTO e UNCTAD (e publicado em 06 de Agosto de 2013) para a reunião dos líderes do G20, realizado em setembro de 2013, em Saint Petersburg, na Federação Russa.

O documento aponta que a crescente fragmentação da produção - cruzando as fronteiras nacionais - tem importantes implicações em termos de políticas. Ele chama a atenção para a necessidade dos países - que desejam obter ganhos com a participação na cadeia de valor - terem regimes de comércio e investimento previsíveis e transparentes à medida que tarifas e outras desnecessárias medidas restritivas não-tarifárias impactam fornecedores estrangeiros, investidores internacionais, e produtores domésticos. Salienta também para a necessidade de se investir em habilidades, capacidade produtiva, e infraestrutura, bem como a necessidade de enfrentar os desafios específicos dos países em desenvolvimento, tanto para aqueles que já estão participando das redes de produção, mas que desejam aumentar a adição e retenção de valor doméstico, quanto para aqueles que ainda não estão participando das redes globais de produção.

O grande diferencial da perspectiva das CGVs está na observação de que as estatísticas tradicionais do comércio bruto (gross trade) são um indicador que não mais caracteriza a competitividade de um país, e o fator que mais interessa para a competitividade é o valor adicionado pelo comércio internacional, ou seja, “the ratio value added to gross exports” (VAX ratio), que é a razão entre o valor adicionado e as exportações brutas, a qual é uma medida da intensidade do compartilhamento da produção.

O comércio visto em termos de valor adicionado descreve um enfoque estatístico usado para estimar as fontes do valor que é adicionado na produção de bens e serviços. Ele reconhece que crescentes cadeias globais de valor significam que as exportações de um país crescentemente dependem em significativas importações intermediárias e, por seu turno, o valor adicionado por indústrias de países “upstream” (ou seja, nas “nascentes” das cadeias).

A título de exemplo, um veículo exportado por um país A pode requerer partes significativas, tais como o motor, os assentos, etc., produzidos em outros países. Por seu turno, estes países irão usar insumos intermediários importados de outros países, tais como aço, borracha, etc., para produzir partes exportadas para o país A. O comércio no enfoque do valor adicionado rasteia o valor adicionado por cada indústria e país na cadeia de valor e aloca o valor adicionado para estas indústrias e países fontes.

Nesta perspectiva, como está o Brasil no contexto das CGVs? E como estão nossas TICs? Podemos antecipar que o Brasil está “muito mal nesta foto” das CGVs, mas se as TICs e outras indústrias do país fizerem um “bom dever de casa”, poderão se re-articular com as tradicionais CGVs, bem como estabelecer novos laços com as emergentes CGVs. Mas isto é assunto para a parte II desta newsletter!

Se sua empresa, organização ou instituição, deseja saber mais sobre as CGVs, fique a vontade para nos contatar!

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