As Cadeias Globais de Valor – CGVs e as TICs (Parte 2)

14 14Na newsletter da semana passada iniciamos uma discussão sobre as Cadeias Globais de Valor – CGVs e deixamos duas perguntas no ar: como está o Brasil no contexto das CGVs? E como estão nossas TICs? Como este enfoque das CGVs é muito recente, são ainda muito poucos os trabalhos que se orientam por esta perspectiva.

No entanto, cabe aqui destacar um trabalho recente encomendado pela Confederação Nacional da Indústria- CNI, intitulado “Brazilian Manufacturing in International Perspective: A Global Value Chain Analysis of Brazil´s Aerospace, Medical Devices, and Electronics Industries” (Manufatura Brasileira em Perspectiva Internacional: Uma Análise de Cadeia de Valor Global das Indústrias Aeroespacial, Equipamentos Médicos e Eletrônica), desenvolvido pelo Prof. Timothy Sturgeon, do Massachusetts Institute of Technology- MIT dos EUA, e seus colaboradores Gary Gereffi, Andrew Guinn, e Ezequiel Zylberberg, e publicado em setembro de 2013.

O trabalho, que não situa propriamente a posição geral do país nas CGVs, mas apresenta o contexto de três indústrias relevantes no cenário internacional, revela importantes achados e desafios para o desenvolvimento econômico brasileiro que merecem reflexão, a saber:

● A complexidade e a instabilidade do regime de política industrial do Brasil significam que as companhias têm dificuldades em se projetarem no futuro. Isto impacta mais as pequenas e médias empresas do que as grandes, que têm peso e capacidades de recursos humanos para fazerem lobby direto no governo para terem regulamentações alteradas;

● As pequenas e médias empresas no Brasil enfrentam dificuldades em acessar as CGVs;

● O “Custo Brasil” inclui infraestrutura deficitária para o comércio e negócios, requisitos “barrocos” e longas esperas para licenças e aprovações, excessivas camadas de burocracia, corrupção, e altas taxas de juros;

● Algumas das metas de desenvolvimento do Brasil são irrealistas;

● As políticas de promoção à exportação são inconsistentes e relativamente fracas;

● As políticas de substituição de importações deveriam ser mais flexíveis;

● Há no país um ambivalente relacionamento com as empresas multinacionais.

Apesar do documento não tratar especificamente das TICs, revela importantes aspectos da CGV da indústria eletrônica no país, indústria que está intimamente associada ao principal instrumento de fomento ao setor de TICs do país: a nossa Lei da Informática. Infelizmente o trabalho não revela uma questão chave para o desenvolvimento desta indústria e de sua articulação com o setor de TICs nacional: o tratamento que deveríamos ter quanto à Zona Franca de Manaus. No entanto, o documento contribui com importantes reflexões para o futuro da nossa indústria eletrônica com significativos desdobramentos para nosso setor de TICs.

Existem outras questões relacionadas às CGVs que mereceriam nossa atenção (e que voltaremos a tratar brevemente). No entanto, gostaríamos de destacar que muito do que foi relevado no trabalho aqui citado diz respeito ao fato de que temos uma economia ainda muito fechada ao comércio internacional. Ou seja, nossa relação do fluxo do comércio (exportações mais importações) em relação ao PIB- Produto Interno Bruto (o denominado coeficiente de comércio) tem permanecido numa média de 22% ao longo dos últimos anos, que é muito baixa quando se compara com as taxas de alguns países, tais como: China (53,1%); Índia (48,1%); Rússia (51,4%); África do Sul (56,4%); Chile (69,4%); México (61,3%); Coreia do Sul (106,5%); Turquia (50,5%); Indonésia (47,2%); e Austrália (44,4%).

Em resumo, o Brasil precisa urgentemente abrir sua economia ao comércio internacional; voltar-se apenas à sua economia doméstica é um erro fatal. Precisamos reconquistar os elos que já tivemos com algumas CGVs, manter e fortalecer os elos com aquelas pouquíssimas empresas com acesso a algumas CGVs, e conquistar o acesso a CGVS novas e emergentes. O exemplo do sucesso recente das economias asiáticas é bem emblemático deste caminho.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre as CGVs, fique a vontade para nos contatar!

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