Negócios através da “força dos elos frágeis”

19 14Muitas empresas, principalmente startups, conjecturam sobre a fraqueza de certos mercados (por exemplo, os do nordeste e do norte do Brasil), e sobre a pujança dos mercados de regiões mais prósperas (como sudeste e sul).  Mas como os negócios são realmente conseguidos?  É o preço do produto que se pretende vender, ou suas características, como tecnologia e suporte? É o modelo de negócio?  Difícil dizer!

Mas uma teoria sociológica pode ajudar na compreensão deste fenômeno.  Em 1973 o sociólogo Mark Granovetter publicou, no American Journal of Sociology, um artigo intitulado “The Strength of Weak Ties” (A Força dos Elos Frágeis), que focaliza a disseminação de informação em redes sociais.  Com a explosão da Internet, este artigo vem sendo citado há alguns anos como uma fonte de referência de estudos sobre as questões que emanam no âmbito do crescente fenômeno das redes sociais digitais.

No final dos anos 60 e início dos anos 70 nos EUA, Granovetter realizou uma pesquisa com pessoas procurando emprego na cidade de Boston.  Ele observou que 80% das pessoas encontraram emprego através de um contato que elas não tinham um relacionamento forte; mais empregos foram encontrados através de “amigos de amigos” do que diretamente através de “amigos mais próximos”.   Isto se tornou a base da sua Teoria da “Força dos Elos Frágeis”.

Segundo o autor, os elos frágeis (acquaintances - sujeitos conhecidos, mas não amigos necessariamente) são mais prováveis de serem “pontes” para outside networks (redes “de fora”) do que os “laços fortes” (amigos íntimos e parentes), e são vitais, portanto, para ganhar informações e novas ideias.  Ou seja, elos frágeis provêm acesso à informação e recursos além daqueles disponíveis nos nossos próprios círculos sociais.

O estudo de Granovetter mostrou que os elos frágeis foram mais importantes em conquistar informação sobre novas oportunidades de trabalho, uma vez que muitos dos elos fortes conheciam as mesmas pessoas e estas, por sua vez, tinham a mesma informação.  Indivíduos com poucos elos frágeis ficam privados de novas informações de partes distantes do sistema social e ficam confinados as novidades e visões provincianas dos seus amigos mais próximos.  No entanto, indivíduos tendem a consultar os amigos mais próximos antes de agir sobre a informação recebida dos elos frágeis, porque os elos fortes tendem a ser mais motivados a ajudar e estão mais facilmente disponíveis. 

Granovetter chegou às seguintes conclusões.  O que importa em ir à frente não é tanto o quão perto você está daqueles que você conhece, mas sim quantas pessoas você conhece que você não tem relacionamento próximo.  Adicionalmente, sistemas sociais carentes de elos frágeis ficarão fragmentados e incoerentes, à medida que novas ideias se espalham devagar, e grupos separados por religião, costumes, ou geografia não terão o mesmo acesso à informação. E a difusão cultural é tornada possível por pequenos grupos coesos que compartilham uma cultura que não é inteiramente fechada, e, portanto, pode compartilhar ideias via elos frágeis.

As questões que ficam de aprendizado a partir desta visão são as seguintes: como novos negócios são conseguidos?  Será que num mundo permeado por relacionamentos do tipo “Facebook friends”, que são considerados como contatos casuais (elos frágeis), mais “amigos Facebook” podem representar mais negócios?  Difícil dizer, mas não resta dúvida que esta teoria é um bom começo!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre a teoria dos elos frágeis, fique a vontade para nos contatar!

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