A “Teoria da Inovação de Ruptura - Disruptive Innovation” na berlinda

20 14O mundo da estratégia dos negócios foi balançado a partir dos anos 1980 com as contribuições de Michael Porter, Professor da Harvard Business School, da Harvard University dos EUA, depois da publicação dos seus livros “Competitive Strategy” (Estratégia Competitiva)(1982), “Competitive Advantage” (Vantagem Competitiva)(1985), e “The Competitive Advantage of Nations” (A Vantagem Competitiva das Nações)(1990).  Porter estava principalmente interessado em saber como as empresas obtinham sucesso.

Em 1989, Clayton M. Christensen (para alguns, um sucessor de Michael Porter) entrou para o programa de doutorado na Harvard Business School, e se juntou a esta faculdade em 1992.  Seu interesse era saber por que as empresas falham; no seu livro “The Innovator`s Dilemma” (O Dilema do Inovador) ele aponta que a razão, muito frequentemente, não é pelo fato de que os executivos tomam más decisões, mas sim porque eles tomam boas decisões, as mesmas boas decisões que fizeram suas empresas terem sucesso por décadas (para uma discussão mais ampla da “teoria da inovação de ruptura- TIR”, ver detalhes da TIR na nossa newsletter de 26-02-2012).

A TIR do Prof. Christensen entrou “na berlinda” a partir de um recente artigo na internacionalmente aclamada revista (de 89 anos de idade) The New Yorker.  Neste artigo, Jill Lepore (que é Professora de História Americana na Harvard University) conduz uma crítica visceral à teoria que tornou famoso o Prof. Christensen.  A Profa. Lepore argumenta que a TIR tem a pretensão de ser uma “teoria de mudança”, já que se presta a servir tanto como uma crônica do passado (isto aconteceu) como um modelo para o futuro (isto continuará a acontecer).  Mas ao se analisar os estudos de caso do Prof. Christensen, a Profa. Lepore aponta que este conjunto de casos é frágil.  Ela aponta ainda que a TIR tem também a pretensão de ser preditiva, mas aponta para o fato de que o Prof. Christensen criou um fundo de investimento em crescimento de ruptura que faliu, e para o fato de que o Prof. Christensen previu que o iPhone não teria sucesso.

Em resumo (já que o artigo citado é longo), a Profa. Lepore aponta é que a TIR é uma teoria de porque negócios falham, e nada mais que isso.  Segundo a Professora, ela (a TIR) não explica mudança, e não é uma lei da natureza.  Ela (a TIR) é “um artefato da história, uma ideia, forjada no tempo; ela é uma manufatura de um momento de incerteza perturbadora e nervosa. Transfixada pela mudança, ela é cega à continuidade. E ela produz um profeta muito pobre”.

Mas deixando de lado esta crítica “visceral”, outra versão crítica aponta para uma das mais fortes prescrições da TIR (a de que as empresas estabelecidas podem “disrupt themselves”- romper com elas próprias). Tome o seguinte exemplo. Supondo que você empresário/empreendedor use seus recursos e invista na sua própria ruptura.  De acordo com a TIR, se a ruptura ocorrer, você perderá o valor inteiro criado no seu negócio.   A resposta pode ser que alguma coisa possa ser preservada (pelo menos você manterá seu nome vivo), mas lembre, que a TIR diz essencialmente que “as empresas precisam agir como se nada pudesse ser preservado”.

É muito difícil aceitar esta noção da TIR.  A ideia da TIR de que as empresas não devem ser complacentes é aceitável, mas acreditar que elas podem “acelerar suas próprias extinções” baseadas apenas numa especulação teórica é, no mínimo, muito estranho!

Matt Marx, Joshua S. Gans e David H. Hsu escreveram um recente artigo que se contrapõe à noção acima citada da TIR.  Segundo estes autores, numa possibilidade de existir um potencial entrante num mercado com uma inovação de ruptura, o(s) incumbente(s) deste mercado pode(m) “esperar para ver” o que vai acontecer.  Eles podem ver como a inovação vai ser empregada e vão monitorar, ao invés de “tirá-la do radar como sendo irrelevante” (como prediz a TIR).

Em resumo, a TIR, que conquistou “corações e mentes” em vários pontos do planeta, começa a mostrar suas fragilidades a partir de considerações mais interessantes, como novas evidências e novas abordagens.  No limite, é importante também considerar que um volume muito grande de lucros das empresas não advém de inovações de ruptura, mas sim das inovações incrementais do nosso cotidiano!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre pontos positivos e negativos da teoria da inovação de ruptura, fique a vontade para nos contatar!

PS: O Prof. Clayton Christensen apresenta aqui suas primeiras respostas às críticas à sua teoria!

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