Symbian + Nokia = Sucesso e Fracasso

25 14Muitos das gerações mais jovens podem não saber, mas antes do sucesso retumbante das plataformas para smartphones denominadas  iOS (da Apple) e Android (da Google), o mundo conviveu (por vários anos) com o sucesso da plataforma Symbian (e com o sucesso da empresa finlandesa Nokia, que mais comercializou esta plataforma), bem como assistiu o fracasso (tanto do Symbian quanto da Nokia) frente às duas dominantes plataformas dos nossos dias.

Esta trajetória de sucesso e fracasso foi recentemente analisada no artigo intitulado “Evolving An Open Ecosystem: The Rise and Fall of The Symbian Platform”, produzido pelos economistas Joel West e David Wood, e que foi publicado no livro “Collaboration and Competition in Business Ecosystems”, organizado por Ron Adner, Joane E. Oxley e Brian S. Silverman, que foi publicado pela Emerald Group Publishing Limited em 2013.

Neste artigo os autores apontam para dois fatores chave no sucesso de plataformas de computação de propósito geral: a criação de uma arquitetura de padrões técnicos e a gestão de um ecossistema de fornecedores de produtos complementares ao produto principal.  No trabalho eles examinam o caso da Symbian Ltd., uma empresa startup criada em 1998 como um spinoff da empresa Psion PLC, que foi criada em 1980 - pelos maiores produtores de celulares, como Ericsson, Nokia e Motorola - e que consagrou os famosos (à época) PDAs- portable digital assistants.  A Symbian Ltd. desenvolveu um forte arquitetura técnica e um amplo leque de complementos para smartphones com seu sistema operacional OS Symbian. 

O Symbian foi remetido em cerca de 450 milhões de telefones móveis no mundo de 2000 até 2010, tornando-se a plataforma de smartphone mais popular durante aquele período.  No entanto, os controles técnico e de mercado da plataforma foram limitados aos seus clientes, particularmente a Nokia.  De 2007 em diante o Symbain perdeu fatia de mercado e lealdade dos desenvolvedores para as novas plataformas iOS (do iPhone) e Android, levando à extinção da empresa e sua plataforma.   Estes fatos, juntos, sugerem lições, como os autores defendem, para a evolução de um ecossistema complexo, e o impacto de dependências assimétricas, bem como liderança dividida, sobre o sucesso do ecossistema.

Juntos, Symbian e seus parceiros criaram a mais popular plataforma de smartphone do planeta, crescendo em volume a uma taxa média de 238% entre 2002 e 2007 para capturar dois terços do mercado global de smartphones (ver Figura 1).   Em termos de desempenho financeiro, seus resultados comprovam que iniciativas como esta (de desenvolvimento de uma complexa plataforma tecnológica) podem, ao primeiro olhar, contrariar os fundamentos econômicos, já que a Symbian Ltd. foi criada em 1998 mas só atingiu lucro em 2005 (quando sua net margin- margem líquida atingiu 13,3% positivos, ver Tabela 1 à frente).  No entanto, o que de fato concorreu para seu fracasso não foi necessariamente este fator.

Segundo os autores, ao contrário de ecossistemas limitados por desafios tecnológicos, o fracasso do ecossistema e da plataforma Symbian pode ser traçado a partir de três limitações (largamente organizacionais).  Primeiro, a Symbian criou um ecossistema computacional de complexidade organizacional e técnica sem precedentes.  Segundo, as dependências assimétricas dos vários membros do ecossistema significaram que alguns stakeholders (interessados) floresceram enquanto outros padeceram.  E, terceiro, a liderança dividida do ecossistema limitou a habilidade da Symbian e seu ecossistema de responder ao novo design dominante criado pelo iPhone da Apple (bem como daqueles ao redor do Android, como pode ser visto na Figura 2 à frente).  O fracasso da Nokia também esteve associado a estes processos.

Este caso do Symbian e da Nokia pode nos indicar várias pistas sobre como estabelecer (e sustentar) business ecosystems (ecossistemas de negócios) de classe mundial.  O Brasil pode, e deve, aprender as lições deste caso (e o que elas podem nos revelar sobre o que pode acontecer com os ecossistemas do iOS e do Android).  Quando aprendermos que dominar a “agenda global” não é apenas uma questão de tecnologia, mas sim de negócios (e de organização para os negócios), possivelmente teremos o sucesso que tanto almejamos no setor de TICs!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre ecossistemas de negócios de TICs, fique a vontade para nos contatar!

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