O paradoxo do empreendedorismo nos EUA

28 14A pujança do empreendedorismo nos EUA tem sido uma constante no nosso dia a dia; basta lembrar nomes como Google, Facebook, Twitter, Dropbox, Airbnb, Uber, e tantas outras, para ficarmos admirados sobre como estas jovens empresas (startups) rapidamente conquistaram o mundo e transformaram nossas vidas.

Mas, pasmem, este mesmo empreendedorismo enfrenta um interessante paradoxo.  De acordo com um artigo recentemente publicado pelos economistas Ryan Decker, John Haltiwanger, Ron Jarmin e Javier Miranda no Journal of Economic Perspective, intitulado “The Role of Entrepreneurship in US Job Creation and Economic Dynamism” (O Papel do Empreendedorismo na Geração de Emprego nos EUA e Dinamismo Econômico), a proporção de empresas que são “jovens” (startups) tem caído ao longo dos últimos trinta anos.

Como mostrado na Figura 1 à frente, em 1982 aproximadamente 50% de todas as empresas nos EUA tinham menos de cinco anos (conceito de empresa jovem adotado pelos autores), enquanto que em 2011 somente 35% das empresas tinham menos de cinco anos.  Similarmente, a fatia do emprego total em empresas jovens caiu de 18% em 1982 para 13% em 2011.

Também significativo é o fato de que a participação na criação de empregos a partir de empresas jovens caiu ao longo do mesmo período.  No início dos anos 1980s empresas jovens eram responsáveis por cerca de 40% de todos os novos empregos, enquanto em 2011 este número caiu para algo como 33%.  Em resumo, há hoje nos EUA menos empresas jovens, elas empregam menos pessoas, e elas criam menos empregos hoje do que elas criavam há 30 anos.

Este evidente paradoxo começa a despertar a atenção de alguns especialistas.  Afinal, de onde vem este declínio no empreendedorismo americano?  O artigo acima descrito não é conclusivo em suas explicações para o fenômeno.  Mas o economista Dietz Vollrath, em um post de 31/07/2014 em seu blog, faz a seguinte pergunta: este declínio na proporção de empresas jovens impactou no crescimento da produtividade nos EUA?

Sua resposta é que ele ainda não viu qualquer evidência apontando que tal fato tenha ocorrido.  O economista aponta para outro trabalho, do economista John G. Fernald, do Federal Reserve Bank of San Francisco (uma agência do Banco Central dos EUA), intitulado “Productivity and Potential Output Before, During, and After the Great Recession” (Produtividade e Produto Potencial Antes, Durante e Depois da Grande Recessão).  Este artigo mostra a tendência da produtividade do trabalho desde o final dos anos 1970s até hoje (ver Figura 2 à frente). 

Segundo este trabalho, não há declínio secular no crescimento da produtividade nos EUA entre 1982 e 2011.  O crescimento da produtividade entre 2003 e 2011 e tão rápida quanto aquela anterior ao período pré-1995.  E como Fernald aponta, o período 1995-2003 é um outlier (uma observação extraordinária), provavelmente associado com a revolução das TICs nos EUA. Em resumo, se o declínio no número de empresas jovens é ruim para a produtividade, não tem sido tão ruim nos EUA como mostrado pelos números nos últimos anos.

Que lições (sobre este paradoxo do empreendedorismo americano) podem ser extraídas para o nosso empreendedorismo?  Ainda é cedo para grandes conclusões (mesmo porque ainda não temos evidências do mesmo paradoxo no Brasil), mas este paradoxo americano acrescenta muitas dúvidas sobre a recente euforia em relação às startups no nosso território!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o paradoxo do empreendedorismo nos EUA, fique a vontade para nos contatar!

 

fig1 28

fig2 28

Creativante 2017 - Todos os direitos reservados