Empreendedorismo como Experimentação

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O tema do empreendedorismo tem florescido como um tópico de pesquisa na ciência econômica.  À medida que o empreendedorismo emerge das sombras, muitas questões centrais, e não resolvidas, prevalecem: Como nós podemos definir empreendedorismo? Quais são seus aspectos chave? Empreendedorismo é sobre o próximo Skype ou sobre o próximo Contador autônomo?

Em um recente artigo publicado no Journal of Economic Perspectives (Volume 28, Number 3, Summer 2014, pages 25-48), intitulado “Entrepreneurship as Experimentation” (Empreendedorismo como Experimentação), William R. Kerr, Ramana Nanda, e Matthew Rhodes-Kropf, respondem a estas questões ao afirmarem que empreendedorismo efetivo – especialmente entre iniciativas de alto crescimento e para economia como um todo  - se constrói sob um processo de experimentação de formas profundas e repletas de nuances.

Empreendedorismo, segundo os autores, é fundamentalmente sobre experimentação porque o conhecimento requerido para ter sucesso não pode ser conhecido aprioristicamente ou deduzido a partir de um conjunto de primeiros princípios.  Para os empreendedores, é virtualmente impossível saber se uma tecnologia em particular ou produto ou modelo de negócio terá sucesso, até que alguém invista nela(e).

Os autores afirmam (a partir de dois exemplos de investidores: o primeiro exemplo é o de dois investidores que apostaram no início da constituição da Google, e se deram bem, e outro que perdeu a oportunidade; o outro exemplo é o de um investidor que perdeu a oportunidade de investir no início da Airbnb) que estes exemplos iluminam vários desafios associados com a comercialização de novas ideias, produtos e tecnologias.  Primeiro, a distribuição real de retornos em tais ventures (aventuras) tem um valor mediano baixo, mas uma alta variância; a maioria das ventures fracassa terrivelmente, mas algumas se tornam sucessos espetaculares.  Segundo, mesmo para investidores profissionais ou gestores tomando decisões de alocação de recursos, é impossível saber a priori quais ideias irão funcionar.  Como os autores descrevem em detalhe, investidores de venture capital (capital de risco) obtêm seus retornos em um investimento dentre muitos que se tornam um sucesso estrondoso como Google ou Airbnb.

Como os empreendedores e investidores respondem a estes desafios inerentes tem importantes implicações nos seus próprios sucessos, e também para a economia como um todo, em termos das “melhores ideias” a serem comercializadas.  Logo, os autores separam dois arcabouços de referência em relação à experimentação.  O primeiro está relacionado ao que eles chamam de experimentação econômica num senso “darwiniano”, em que novas ventures competem com produtos e tecnologias existentes, e a competição leva à sobrevivência do mais capaz, tal como Google superou seus rivais devido à sua tecnologia superior.  O segundo considera que nós devemos ser cautelosos em assumir que mecanismos baseados no mercado podem sempre servir como um guia com respeito à experimentação.

Logo, a extensão pela qual a melhor ideia avança pode depender de fatores tais como a estrutura organizacional ou o sistema de incentivos da empresa onde o investidor está baseado, conjuntos de informação disponível (por exemplo, acesso a certas redes), custos de coordenação, e outras tais fricções.  Tomados em conjunto, estes fatores afetam quanta experimentação é produzida na economia e também a trajetória da experimentação, com consequências econômicas potencialmente muito profundas.

O restante do artigo considera estes custos e limitações à experimentação por investidores e as implicações que essas questões têm no tipo de empreendedorismo ao longo do tempo e ao longo das economias.  Em resumo, são novas luzes para um entendimento melhor da questão do empreendedorismo!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre empreendedorismo como experimentação, fique a vontade para nos contatar!

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