Fomentar startups é necessário, mas não suficiente! (Parte 1)

02 15O mundo vem assistindo nos últimos anos uma verdadeira onda de fomento ao surgimento de novas empresas (marcadamente as tecnológicas), as chamadas “startups”.    Estas empresas estão emergindo em polos tecnológicos tradicionalmente mais conhecidos (como Vale do Silício, nos EUA), na Ásia, tanto em megalópoles tais como Cingapura e Shangai, bem como em pequenas cidades europeias, como Espoo na Finlândia, e Dwingelooo na Holanda.  Muitas startups internacionais, como Spotify (Suécia), Skype (Estônia), Waze (Israel), e Alibaba (China) estão hoje avaliadas em bilhões de dólares.

Mas será que fomentar o surgimento de startups contribui para o crescimento econômico e para a competitividade das nações, como seria de esperar em países de baixo crescimento, ou de moderada competitividade, como o Brasil? Scott Shane, Professor de Empreendedorismo da Case Western Reserve University (nos EUA), autor do livro “Illusions of Entrepreneurship: The Costly Myths That Entrepreneurs, Investors, and Policy Makers Live By” (Ilusões do Empreendedorismo: Os Mitos Custosos que Empreendedores, Investidores e Fazedores de Políticas Perpetuam) (de 2008), em artigo publicado em 2009, argumenta que encorajar mais pessoas a se tornarem empreendedoras era uma “péssima política pública”.

No entanto, recente relatório do World Economic Forum- WEF traz importantes luzes para um tratamento mais fundamentado desta questão.  No relatório “Leveraging Entrepreneurial Ambition and Innovation: A Global Perspective on Entrepreneurship, Competitiveness and Development” (Alavancando Ambição e Inovação Empreendedora: Uma Perspectiva Global sobre Empreendedorismo, Competitividade e Desenvolvimento), o WEF examina a relação de empreendedorismo e competitividade das nações de uma perspectiva nova.  O relatório se baseia e avança os trabalhos anteriores do fórum nesta questão.

O estudo descrito naquele relatório combina dois únicos conjuntos de dados, o World Forum`s Global Competitiveness Index Data (base do Índice Global de Competitividade- IGC, também do WEF), que hierarquiza a competitividade econômica de 144 economias, e a avaliação do Global Entrepreneurship Monitor- GEM (um produto do consórcio internacional da Global Entrepreneurship Research Association – GERA) da atividade empreendedora em 70 economias. Usando cinco anos de dados de ambos os conjuntos, o estudo analisa uma amostra de 44 economias ao, primeiramente, examinar três aspectos (ou dimensões) da atividade empreendedora, depois agrupa as economias em cinco tipos de clusters empreendedores, e, enfim, desenvolve um aprofundado entendimento de cada tipo de cluster.  Finalmente, o estudo culmina em o que o processo de produção de políticas se beneficia muito das características únicas das diferentes economias.

Os três aspectos da atividade empreendedora (ou dimensões do empreendedorismo) examinados no estudo são:

a) “Early-stage entrepreneurial activity” – atividade empreendedora prematura, medida como uma percentagem da população em idade para trabalhar (entre 18-64 anos) que são empreendedores nascentes, isto é, pessoas ativamente envolvidas em abrir um negócio que eles serão proprietários ou co-proprietários – sem necessariamente ter salários por mais de três meses, ou são gerentes-proprietários – com salários por mais de três meses (o estudo também examinou a entrepreneurial employee activityatividade empreendedora de empregados, ou, intrapreneurshipintra-empreendedorismo);

b) A proporção de “ambitious” entrepreneursempreendedores ambiciosos (que esperam criar 20 ou mais empregos em cinco anos); e,

c) A proporção de “innovative” entrepreneurs – empreendedores inovadores (que oferecem novos produtos e serviços).

Para desenvolver um melhor entendimento de como empreendedorismo interage com a competitividade econômica, que pré-condições e estratégias de negócios lideram diferentes combinações de tipos de empreendedorismo, e como o processo de produção de políticas pode melhorar seu impacto, o estudo identificou cinco clusters de economias entre uma amostra de 44 países:

1- All-rounder economies (economias versáteis) com altas taxas de empreendedores prematuros, ambiciosos e inovadores;

2- High-Activity economies (economias de alta atividade) com altas taxas de atividade empreendedora prematura, e com ambição e inovação médias ou baixas;

3- High-Ambition economies (economias de alta ambição) com taxas de atividade prematura e inovação médias ou baixas, mas com alta ambição;

4- High-Innovation economies (economias de alta inovação) com atividade prematura e ambição médias ou baixas, e alta inovação; e,

5- Neutral economies (economias neutras) com taxas nas três métricas médias ou baixas.

Na segunda parte desta newsletter traremos as principais conclusões deste  importante estudo!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o impacto das startups na competitividade das nações, fique a vontade para nos contatar!

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