Fomentar startup é necessário, mas não suficiente! (Final)

02 15Na última newsletter iniciamos uma argumentação sobre o papel do fomento ao surgimento de startups para o crescimento econômico e para a competitividade das nações.  Para tanto, apontamos para a existência de um recente relatório do World Economic Forum- WEF (1) tratando sobre a relação Empreendedorismo, Competitividade e Desenvolvimento.  E o que podemos extrair rapidamente deste relatório sobre o Brasil?

De acordo com aquele relatório do WEF, somente uns poucos países na sua amostra (de 44 países) têm altas taxas de atividade empreendedora prematura- TAEP (2), e nenhum deles é altamente competitivo, conforme a definição do Competitiveness Global IndexCGI (Índice Global de Competitividade)(3).  O Brasil se encontra exatamente nesta condição (com uma TAEP na faixa entre 15 e 20% de sua população), como se pode perceber a partir da Figura 1 a seguir.

Alta atividade empreendedora prematura (ou de geração de startups) é exclusiva de economias com baixa competitividade.  À medida que as economias sobem no espectro de competitividade, elas convergem em torno de uma banda estreita de atividade empreendedora prematura de aproximadamente 4 a 11% de suas populações em idade de trabalhar.  Desta forma, Uganda, o país com o menor score de competitividade entre os 44 países da amostra, exibe a maior taxa de atividade empreendedora prematura, enquanto a Suíça, a economia mais competitiva da amostra, está na faixa inferior da Figura 1, com 7% da população em idade para trabalhar.  A Figura 2 à frente mostra esta condição, e a posição do Brasil.

Mas se uma alta taxa de geração de startups não é uma condição central para a competividade das nações, o que concorre para que as nações mais competitivas tenham esta condição? O estudo do WEF aqui tratado sugere que, apesar das baixas taxas de atividade empreendedora prematura nos países altamente competitivos, o entrepreneurial drive, ou, traduzindo, a “verve empreendedora”, não é baixa nas economias mais competitivas, mas sim, torna-se mais formalizada, com altas de “entrepreneurial employee activity” (ou, seja, a atividade empreendedora de empregadosAEE).

De fato, a AEE, conhecida também como intrapreneurship (ou intra-empreendedorismo), é mais predominante nas economias mais competitivas.  A Figura 3 à frente plota a atividade empreendedora prematura e a AEE como percentagem da população em idade de trabalhar e o nível de competitividade.  O gráfico mostra claramente um padrão que enquanto menores percentagens da população em idade para trabalhar começam negócios em economias competitivas, maiores percentagens destas mesmas populações em idade para trabalhar se tornam empregados empreendedores.

Só com estes dados do relatório do WEF podemos afirmar que fomentar startups é uma condição necessária para o crescimento econômico e para o aumento da competitividade da economia, no entanto, é fundamental também se observar se as empresas estabelecidas desta economia também fomentam o empreendedorismo (o chamado intra-empreendedorismo), e se ambas categorias contêm empreendedores ambiciosos e inovadores (mas estes temas são temas para discussão em uma outra oportunidade)!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre empreendedorismo, competitividade e desenvolvimento, fique a vontade para nos contatar!

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(1) World Economic Forum (2015). Leveraging Entrepreneurial Ambition and Innovation: A Global Perspective on Entrepreneurship, Competitiveness and Development” (Alavancando Ambição e Inovação Empreendedora: Uma Perspectiva Global sobre Empreendedorismo, Competitividade e Desenvolvimento).

(2) “Early-stage entrepreneurial activity” – atividade empreendedora prematura, medida como uma percentagem da população em idade para trabalhar (entre 18-64 anos) que são empreendedores nascentes (startups), isto é, pessoas ativamente envolvidas em abrir um negócio que eles serão proprietários ou co-proprietários – sem necessariamente ter salários por mais de três meses, ou são gerentes-proprietários – com salários por mais de três meses.

(3) Ver GCI - Global Competitiveness Index- 2014-2015.

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