Policultura: uma habilidade ausente no nosso empreendedorismo (Parte 1)

04 15Se você é um executivo, um empreendedor, ou mesmo um estudante de MBA, a habilidade de superar hiatos culturais e alavancar ideias e oportunidades estrangeiras é crítica para o sucesso no ambiente de negócios crescentemente global dos dias de hoje.  No entanto, esta habilidade é mais imprecisa/vaga do que muitos pensam.

Como algumas pessoas colaboram efetivamente mundo afora, enquanto outras têm sucesso somente com pessoas de background similar? Por que algumas empresas desfrutam de criatividade cosmopolita, enquanto outras sofrem com choques culturais?

Nova pesquisa da Columbia Business School nos EUA sugere que os modelos tradicionais de entender cultura e comportamento humano são, no melhor das hipóteses, incompletos.  Por que?  A pesquisa tradicional categoriza os indivíduos por suas culturas de origem e identifica influências culturais a partir de diferenças entre culturas, as quais frequentemente recaem em estereotipagem.  O Policulturalismo (novo paradigma) rejeita esta visão, e argumenta que heranças individuais de tradições culturais são tanto parciais quanto plurais.  Por exemplo, um indivíduo dos EUA internaliza e age somente com alguns aspectos da cultura americana, e absorve algumas influências de outras tradições culturais. O mesmo parece ocorrer no Brasil, mas aqui tendemos (acreditamos) a absorver mais da cultura norte-americana do que de outras.

O Policulturalismo vê as culturas como redes e não categorias.  Enquanto o paradigma da pesquisa tradicional do Culturalismo, e suas políticas enraizadas de “Multiculturalismo”, enfatizam diferenças entre culturas, o paradigma da pesquisa do Policulturalismo, e suas políticas de “Interculturalismo”, enfatizam interconexões entre culturas.

É hora para uma mudança de paradigma no nosso entendimento de Cultura”, diz Michael Morris, o Chavlin-Chang Professor de Liderança da Columbia Business School, e autor líder de estudo recentemente publicado.   “Em um tempo onde tantas pessoas de negócios moram e trabalham em múltiplas culturas, categorizar as pessoas baseado no seu passaporte ou lugar de nascimento não soa verdadeiro. O Policulturalismo oferece melhores lentes para entender a complexidade cultural e como ela afeta colaboração, negociação e liderança”.

O paper “Polycultural Psychology”, onde estas teses são defendidas, foi publicado no mês de janeiro deste ano na prestigiosa Annual Review of Psychology.  Ele foi co-autorado por Morris, Chi-yue Chiu, da Nanyang Business School de Cingapura, e Zhi Liu, uma estudante de PhD da Columbia Business School.

Para os policulturalistas a programação cultural não é um “sistema operacional” subjacente instilado na infância, mas sim um conjunto da “apps” adquiridas através de várias experiências de vida e de carreira.  Nós selecionamos e desenvolvemos nossas proficiências culturais ao engajarmos com instituições de nossa cultura de origem, bem como com instituições de outras culturas. Estas proficiências também servem como capital cultural, permitindo-nos entender, comunicar, e colaborar com outros.

Na próxima newsletter voltaremos a este tema. Por ora, gostaríamos de argumentar que um aspecto que parece estar ausente nas discussões e práticas do nosso empreendedorismo é o fato de que nosso (brasileiro) “ambiente de negócios e de inovação” não favorece o interculturalismo, e isto pode ser uma das variáveis-chave que tem contribuído para a nossa frágil posição no cenário internacional dos negócios e da inovação.

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o Policulturalismo, ou sobre como a cultura pode influenciar os indivíduos e organizações, fique a vontade para nos contatar!

(*) Nesta newsletter nos valemos fortemente de um press release da Columbia Business School sobre Policulturalismo.

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