Maximizar o Valor do Acionista (Maximize Shareholder Value) ou Maximizar o Valor dos Interessados (Maximize Stakeholder Value)?

05 15Se formos observar a taxonomia de um dos gurus do empreendedorismo mais badalados do momento, Steve Blanck, existem dois tipos de empresas: as startups e as outras.  As primeiras são definidas como sendo organizações temporárias à procura de um modelo de negócios repetível e escalável; as segundas executam um modelo de negócio.

Mas é também possível definir as empresas em outros tipos, como por exemplo: a) as empresas que maximizam o valor do acionista (maximize shareholder value), seja este acionista um investidor ou proprietário de partes da empresa; e, b) as empresas que têm outra função-objetivo econômico (*), como maximizar o valor de interessados (maximize stakeholder value), tais como aquelas empresas que assumem o explícito compromisso de causarem um impacto positivo na sociedade.

Um artigo publicado por Craig Smith e David Ronnegard em 16/11/2014, no Journal of Business Ethics, intitulado “Shareholder Primacy, Corporate Social Responsibility, and the Role of Business Schools”, argumenta que a norma da “primazia do acionista” é amplamente reconhecida como um impedimento para a “responsabilidade social corporativa” (Corporate Social Responsibility), questiona o papel das escolas de negócios em promover puramente a “primazia do acionista”, e advoga que estas escolas devam ensinar a maximização do valor do interessado em igualdade com a prática corrente que foca em maximização do valor do acionista.

Em resposta a este artigo, o Prof. Theo Vermaelen, Professor de Finanças do INSEAD, publicou em 01/12/2014 um post defendendo que a maximização de valor para os acionistas é a melhor maneira para as empresas permanecerem competitivas e sustentáveis. Argumentando que o artigo de Smith e Ronnegard é de natureza legal, ele aponta que as escolas de negócios ensinam maximização do valor dos acionistas porque outras funções-objetivo não são sustentáveis em um mundo com um mercado de trabalho competitivo por executivos (CEOs), e com um competitivo mercado de bens e serviços. E afirma (com um exemplo prático) que o enfoque de maximização de valor para os interessados é mais adequado para os governos.

Segundo ele, o que os professores das escolas de negócios (especialmente aqueles fora da área de finanças) poderiam fazer de melhor é apontar para a diferença entre lucros, preços das ações e valor dos acionistas.  Maximizar o valor dos acionistas é maximizar o valor presente de todos os fluxos de caixa livres esperados de agora até o infinito. Logo, por definição, é um conceito de longo prazo, ao contrário de lucros.  Desta forma, você não cria valor para o acionista se você vende um produto ruim para um cliente (o que pode aumentar os lucros deste ano), e como resultado, você perde o cliente.  O valor do acionista pode ser diferente do preço da ação no mercado da mesma forma, porque os administradores podem ter melhores informações sobre esperados futuros fluxos de caixa e riscos.

Sendo assim, observa o Prof. Vermaelen, o executivo (CEO) que maximiza o valor do acionista não faz isso porque ele, ou ela, gosta dos acionistas mais do que os funcionários.  Ele o faz porque ele e a empresa têm que sobreviver em um mundo cada vez mais competitivo.

Estas observações do Prof. Vermaelen são essenciais para aqueles que consideram que os executivos (CEOs) são apenas interessados nas vantagens econômicas, e não levam em consideração as questões sociais e ambientais.  Mas como já afirmado por um importante político, a “melhor política social é uma sólida economia”! Logo, uma empresa competitiva e sustentável pode trazer mais ganhos sociais e ambientais do que muitos imaginam!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre maximização do valor para os acionistas, fique a vontade para nos contatar!

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(*) Para uma discussão mais aprofundada sobre mais de uma função-objetivo econômico da empresa, ver a newsletter de 13/09/2010

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