O Paradoxo das TICs no Brasil: três hipóteses!

13 15Há pouco mais de um ano esta newsletter (de 27-04-2014) comentou sobre a posição do setor de TICs do Brasil no Networked Readiness Index – NRI 2013 (Índice de Preparo em Rede – IPR 2013) do Fórum Econômico Mundial – FEM, em seu The Global Information Technology Report – GITR 2013.  Naquela oportunidade o Brasil tinha ficado na 60ª posição no ranking de 142 países.

Ao perceber este dado, perguntávamos à época: como a 7ª economia do planeta podia ter o 4° maior mercado de TICs do mundo (segundo dados da BRASSCOM, ABES e ASSESPRO), e, no entanto, este setor estava na 60ª posição (dentre 142 países) em termos de preparo, uso e impacto na economia e sociedade? Isto é o que denominamos o “paradoxo das TICs no Brasil”! No Índice de Preparo em Rede – IPR 2014, que foi publicado em The Global Information Technology Report – GITR 2014, o Brasil caiu para a 69ª posição (agora dentre 144 países)(adicionalmente, BRASSCOM, ABES e ASSESPRO publicaram em 2014 que o Brasil passara a deter o 5° maior mercado de TICs do mundo).

Há poucos dias foi publicado o Índice de Preparo em Rede – IPR 2015 em The Global Information Technology Report – GITR 2015, apontando, pasmem, que o Brasil caiu ainda mais, da 69ª posição em 2014 para a 84ª posição em 2015!  Ao observarmos os sub-índices que conformam IPR 2015, percebemos uma queda em praticamente todos os sub-índices.  No entanto, o paradoxo ainda não foi devidamente revelado! Afinal, quais são as explicações para este paradoxo?

Vamos aqui avançar três hipóteses complementares para este paradoxo.  Em primeiro lugar, é preciso distinguir dois segmentos no setor de TICs: o segmento Desenvolvedor/Produtor/Provedor – DPP (aquele que projeta, desenvolve, manufatura e vende de chips à dispositivos móveis e todos os software e serviços associados) de TICs e o segmento que é Usuário de TICs. Em segundo lugar, mas intimamente relacionado ao primeiro caso, existe o segmento DPP que está na Fronteira Tecnológica Global- FTG e aquele que está distante da FTG.  Por último, existe o segmento DPP que comercializa seus produtos e serviços predominantemente nos países de renda mais elevada (e que retroalimenta a proximidade com a FTG), e os que não detêm este mercado.

Adicionalmente, faz-se necessário qualificar que os segmentos DPP e Usuário se viabilizam a partir de três níveis/camadas de oferta de TICs: a) uma camada alicerce, que é aquela relacionada aos produtos e serviços associados com infraestrutura (para efeito da exposição, esta camada engloba também as questões relacionadas aos ambientes político e regulatório, e ambientes de negócios e de inovação integrantes dos sub-índices do IPR acima descrito); b) uma camada de plataformas e serviços acima da camada de infraestrutura; e, finalmente, c) uma camada de aplicações que se valem das camadas anteriores.

Neste sentido, uma primeira hipótese sobre o nosso paradoxo é o de que o setor de TICs do Brasil não detém ainda um segmento DPP nativo que seja tecnológica e comercialmente competitivo internacionalmente, o que leva o segmento Usuário nativo a compensar esta deficiência com a oferta do segmento DPP multinacional e que esteja na FTG (desta forma, resta ao segmento DPP nativo fazer as devidas integrações/adaptações das soluções do DPP não-nativo às necessidades do segmento Usuário nativo). 

Uma segunda hipótese é a de que no Brasil a camada de infraestrutura é severamente prejudicada pelo insulamento/fechamento da economia brasileira, o que concorre para uma economia com pouca exposição ao comércio internacional, o que remete a um ambiente de negócios e inovação onde há uma baixa taxa de empreendedorismo ambicioso e de inovação (ver newsletters de 08-02-2015 e de 22-02-2015).  Tendo uma camada de infraestrutura inadequada, as camadas superiores (de plataformas e serviços, bem como a de aplicações) ficam também prejudicadas.

Por último, a terceira hipótese é a de que as políticas públicas institucionalmente estabelecidas para o setor de TICs no Brasil (Lei de Informática, Lei de Inovação, Fundos Específicos, dentre outras) estão exauridas, e não mais refletem os requisitos necessários para as novas arquiteturas dos ambientes competitivos/inovadores de sucesso, as quais são pautadas em dois alicerces: as novas tecnologias da FTG e os novos modelos de negócios de escala global.   

Voltaremos a estas hipóteses em outra oportunidade!

Se sua empresa, organização ou instituição deseja saber mais sobre o Paradoxo do Setor de TICs no Brasil, não hesite em nos contatar!

 

 

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